Arquivo da categoria: Observações do cotidiano

Belchior

No início do mês passado, escrevi um pequeno ensaio em que falei que minha vida anda parecendo várias músicas do Belchior.

E hoje pela manhã, fico sabendo da triste notícia de seu falecimento, aos 70 anos, provavelmente de causas naturais, na cidade de Santa Cruz do Sul – RS, onde estava vivendo no anonimato há poucos anos.

Não vou aqui falar sobre os porquês dele ter escolhido sumir da exposição midiática, de não realizar shows, de se “exilar” por estas bandas daqui do Sul. Isso eu deixo para aqueles que conseguiram manter algum contato com ele nesse anos.

Vou aqui é engrandecer um dos maiores cantores e compositores que este país já conheceu. De canções que até hoje fazem sentido na vida de muitas pessoas que se identificam com as mesmas.

Na verdade, sempre ouvia suas músicas eventualmente nas rádios e em algumas trilhas de programas televisivos. Mas muito pouco, perto do que viria a conhecer depois que saí de São Borja para estudar, há 15 anos. E aí que pude entender o sentido de suas letras. Digo isso, pois Belchior, para fazer sucesso, saiu de sua terra, o Ceará, e veio para a região Sudeste, onde era o centro de difusão musical do Brasil. E muitas de suas letras falam justamente sobre a vida longe de seu local de origem.

Os discos “Alucinação” (1976) e “Coração Selvagem” (1977) eu os considero como os seus melhores, no final eu coloco um link aqui pra vocês escutarem. Há outras canções que, só de ouvir a introdução, já transmite muita emoção, como “Tudo Outra Vez”, “Paralelas”, dentre outras inúmeras, que fazem a gente refletir sobre a vida e o cotidiano.

Vale a penas vocês darem uma pesquisada na obra desse genial cantor e compositor. Vou parar por aqui, pois a emoção toma conta deste que vos escreve.

Disco “Alucinação” https://www.youtube.com/watch?v=4ppq20oqW9c

Disco “Coração Selvagem” https://www.youtube.com/watch?v=dGzXuHr9uf0

 

Deixe um comentário

Arquivado em Crônicas e textos pessoais, Música, Observações do cotidiano

A tragédia, a farsa e “a tragédia da farsa”

Tempos atrás, escrevi um texto em que usei uma frase do livro “O 18 Brumário de Luís Bonaparte”, de Karl Marx, creio que a mais conhecida dessa obra, logo no começo do livro: “A História se repete; a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa”. Mas confesso que, quando usei a frase em si, não tinha lido na íntegra todo o livro, tarefa que realizei durante minhas férias (apesar de terem sido um tanto quanto conturbadas, mas isso não é o assunto).

Levei uma semana para lê-lo, e entender o que Marx quis dizer com essa frase, levando em conta principalmente a História da França pós Napoleão. Há outros conceitos abordados no livro, como o famoso lumpen-proletariado, mas que não quero explicar aqui neste ensaio.

Ando analisando os movimentos políticos do Brasil desde muito tempo, venho percebendo que nós também tivemos nossos momentos de História se repetindo, e que estamos sob um sério risco de repetirmos novamente, por isso eu classifico tal como “a tragédia da farsa”.

Historicamente, nós sempre nos deparamos com personagens que, por possuírem certo carisma entre os seus, sempre apareceram como “salvadores da nação” (no caso, suas nações de origem ou próximas). Eu posso, tranquilamente, elencar alguns. Começo por Dom Sebastião I, jovem rei de Portugal que, durante uma batalha contra os mouros no Marrocos em 1578, faleceu e seu corpo jamais foi encontrado. Por não ter sido encontrado, criou-se entre a população mais carente de seu país a ideia de que um dia ele voltaria para salvar a nação. A gente chamou esse fenômeno de “sebastianismo” e tivemos aqui no Brasil, no fim do século XIX, um fenômeno enquadrado como tal, que foi o movimento liderado por Antônio Conselheiro.  Na França, o próprio Napoleão acabou surgindo como um salvador da pátria por liderar seus exércitos contra os inimigos externos da nação e acabou sendo apoiado pela burguesia a praticar o famoso Golpe do 18 Brumário (isso é assunto para outra pauta). E o exemplo mais recente que tivemos, na Itália e Alemanha do séc. XX com Mussolini e Hitler, respectivamente, dos quais temos centenas de publicações relatando os rumos que esses “salvadores” acabaram ocasionando em seus países.

Bem, mas vamos ao caso do Brasil, para que vocês entendam onde quero chegar com a tragédia, a farsa e a tragédia da farsa.

Em 1960, nosso país vivia o final do período JK, enfrentando sérias dificuldades financeiras e outras situações muito comuns a nosso país até hoje, como denúncias de corrupção. Nesse contexto, surge um candidato de um partido pequeno, com um discurso demagógico e moralista, no qual falava inclusive em “varrer a corrupção” do país, um salvador. Lembraram? Ele mesmo, Jânio Quadros. Se elegeu com uma votação esmagadora, assumiu tomando posições bastante contraditórias com seu discurso e, por não ter uma base política grande, acabou renunciando sete meses depois e o resultado disso tudo foi uma espiral de situações que culminaram com o Golpe Militar de 1964 e 21 anos de regime ditatorial. Essa eu classifico como a tragédia

29 anos depois, em 1989, nosso país passava por uma recente redemocratização, que veio acompanhada de uma série de dificuldades especialmente na área econômica, muito em reflexo do que os 21 anos de regime militar legaram. Nesse contexto, novamente um candidato de um partido pequeno, com um discurso demagógico e moralista, se apresentando como salvador, se elege presidente. Lembraram? Ele mesmo, Fernando Collor de Mello! E de forma semelhante a Jânio, toma uma série de medidas polêmicas, somadas a escândalos de corrupção e outras irregularidades, perde boa parte de sua base de apoio e acaba sofrendo um processo de impeachment e acaba saindo do cargo. Esse eu classifico como a farsa.

Pois bem, ano que vem é 2018, e estamos passando por situações socioeconômicas bem complicadas nesse instante e acredito estamos na possibilidade de, 29 anos novamente depois, colocarmos no poder um candidato de um partido pequeno com um discurso moralista e demagógico e se apresentando como salvador no poder. Isso que eu me refiro como a “tragédia da farsa”. Se vai acontecer? Bom, a figura em questão é muito de falar, mas pouco de fazer. Mas como quem muito fala e pouco faz, se achar que não terá condições de concorrer e para não perder a mamata que ocupa há pelo menos seis (!) mandatos consecutivos, pode ser que não venha, ou que seja tolhido da disputa por algo que se apresente como “novidade” no cenário eleitoral nacional.

Os nomes, se vocês que chegaram até aqui forem espertos o bastante, sacarão logo.

Loucura, loucura, loucura…

 

Deixe um comentário

Arquivado em Crônicas e textos pessoais, Estudos, Informação, Notícias e política, Observações do cotidiano

Texto escrito há um ano

No final de janeiro do ano passado, durante uma viagem de um dia para Porto Alegre, escrevi num caderno algumas observações sobre a cidade. Por desleixo, o texto acabou esquecido no caderno e esses dias, revirando meus materiais, achei ele. Vou postar abaixo. Mas não parece que a situação mudou muito, e não creio que com essa nova gestão mude muito. A esperar

“Porto Alegre.

Pegar o ônibus da meia-noite para Porto Alegre sempre corre-se o risco de chegar um pouco antes do previsto (6 da manhã). Então, 05:40 o ônibus para na estação rodoviária. Vim para um encontro sindical ligado aos professores da rede estadual. Que só começa às 9 horas.

O que fazer nesse tempo?

Dou um tempo na sala de espera, desço, tomo um café bem calmamente, escovo os dentes e saio. O local é perto, na Andradas, perto da Praça da Alfândega. Pegar um táxi ou sair a pé mesmo?

Antigamente eu faria a segunda opção sem pestanejar, de tantas vezes em que saí a pé pela capital. Mas tamanha a onda de violência que existe na região metropolitana, fico receoso. Mas decido arriscar e fazer o percurso a pé. Lembro vagamente o caminho, o qual passa pelo Mercado Público. Hoje, com a tecnologia, acesso o mapa no celular e logo vejo que estou indo no caminho certo. Sem medo, pelo fato de nunca ter sido assaltado na capital.

Minhas impressões iniciais pelo trajeto: como tem morador de rua; não que nunca tenha visto, mas a impressão é que hoje há mais do que das outras vezes que vim para cá nas últimas décadas. Eu tinha lido sobre essa situação, mas hoje pude comprovar.

Outra coisa que me chamou a atenção foi o abandono e a má conservação de muitos prédios do centro da cidade pelo caminho que fiz. Da mesma forma que havia citado anteriormente, mais do que em outros anos.

Não sei, mas me parece que a parte antiga, histórica, da capital foi abandonada nesses últimos 10, 12 anos, creio que para muitos que vivem cotidianamente por aqui, isso passe despercebido, mas como sou um bom observador, consigo notar diferenças. O que às vezes não é bom.

Hoje é jogo rápido. Logo estou voltando pra casa. Não vai dar tempo de ter mais impressões da nossa capital, que curto visitar, mas me falta tempo de ir em todos os lugares que gosto de ir.”

P.S: lembro de ter saído de POA às 19 horas, um pouco antes de iniciar um temporal que causou considerável destruição na capital. Dei sorte…

Deixe um comentário

Arquivado em Crônicas e textos pessoais, Observações do cotidiano, Viagens

Difícil

Esse ano tem sido ruim. Em muitos aspectos. Parece clichê falar isso quando faltam 45 dias pra acabar o ano, mas é uma constatação iminente. Muita coisa deu errado. Se eu for parar pra pensar, colocar na balança, as coisas até deram mais certas do que erradas, mas as erradas abalaram tanto que se sobrepuseram.

Textos e ideias que não saíram e que não foram pro papel, previsões orçamentárias fracassadas, carestia, crises políticas (sim, como não se sentir atingido, até pelo parcelamento salarial que venho tendo enquanto servidor público estadual?), obsolescência programada… Tudo afeta, saca? A cabeça sente, o humor altera, a paciência bate no teto, o desânimo incomoda…

Eu torço e muito para que esse ano termine de uma vez, e que, se eu não conseguir resolver as pendências que tenho deste ano que começa a findar, que pelo menos eu consiga resolver a maioria delas.

2017 é logo ali, e a gente sempre alimenta a esperança de que o próximo ano será melhor.

Paz

Deixe um comentário

Arquivado em Crônicas e textos pessoais, Observações do cotidiano

Se você estiver cansado…

Olá!

Vamos aparecendo por aqui novamente, não vou me justificar muito, como das outras vezes. Quem chega até aqui e vê que não tem ocorrido muitas postagens pode até estranhar, mas de certa forma é um reflexo de longa data…

Um amigo das antigas, que não vejo há algum tempo (isso que ele mora numa cidade aqui do lado), compartilhou esse texto no FB (local que, por determinados chorumes postados por alguns, às vezes me causa certa náusea). Acho que é um pouco do que vem rolando comigo e muita gente…

Se você estiver cansado de tudo, por favor, leia isso

Quando falamos em cansaço, logo vem à mente o cansaço físico, mas não é nesse sentido que continuaremos esse texto, porque às vezes, o cansaço psicológico machuca tanto quando o cansaço do corpo.

Existem momentos em nossas vidas que nos esgotamos de tal maneira que acabamos ficando sem forças, querendo simplesmente pular um período da vida, dormir e acordar quando tudo estiver melhor. A vontade é manter distância do mundo, porém acabamos descobrindo que essa não é a melhor opção, pois está longe da solução.

O mundo em que vivemos é extremamente cansativo. É muito ingrato. É possível cansar simplesmente por viver nele e assistir diariamente tantas coisas ruins acontecendo, você passa olhar só o lado negro. Você está cansado de amar muito, dar algo ao mundo que nunca lhe dá nada em troca. Você está cansado da incerteza e da monotonia da vida cotidiana.

Talvez você costumasse acreditar, talvez vivesse cheio de belas esperanças, pensando que o otimismo superava o cinismo e se sentia pronto para recomeçar. Mas, após ter o coração despedaçado, promessas não cumpridas e planos fracassados, você sente que perdeu tudo. O mundo nem sempre lhe tem sido bom, você perdeu mais do que ganhou e agora não sente absolutamente nenhuma inspiração para tentar novamente. Entendo.

No fundo, estamos todos cansados. Cada um de nós. Ao chegar a uma certa idade, não somos mais do que um exército de corações partidos e almas doloridas buscando desesperadamente pela harmonia. Queremos mais, mas estamos cansados demais para pedir. Não gostamos de onde estamos agora, mas estamos com muito medo de começar algo do início. Temos de assumir riscos, mas sentimos medo de ver como tudo em nosso entorno pode simplesmente desmoronar. No final, não temos certeza de quantas vezes podemos começar tudo de novo.

A verdade é que, às vezes, cansamos uns dos outros. Estamos cansados dos jogos que jogamos, das mentiras que contamos a nós mesmos, da incerteza que semeamos entre nós. Não queremos usar máscara, mas tampouco queremos continuar a ser tolos e ingênuos. Temos de jogar nossos odiados papeis e fingir sermos alguém, porque não temos certeza da nossa escolha.

Sabemos o quão difícil é seguir fazendo algo ou fingir fazer novas tentativas, quando já estão acabando as forças mentais. E aqueles ideais otimistas que estavam tão próximos parecem inatingíveis e ilógicos. Mas já que você está tão perto de desistir de tudo, pedimos uma coisa:tente de novo, com todas as suas forças!

Uma grande verdade é que somos muito mais resistentes e alegres do que podemos imaginar e isso é uma verdade inquestionável. Somos capazes de dar mais amor, mais esperança, mais paixão do que damos hoje. Queremos resultados imediatos e desistimos se não os vemos. Estamos desapontados com a falta de respostas e deixamos de tentar.

Você entende que nenhum de nós consegue estar inspirado todos os dias? Todos ficamos chateados e cansados. O fato de você se sentir exausto e cansado da vida não significa que esteja imóvel. Cada pessoa que você já admirou, quando buscou seus sonhos, também já falhou algum dia. Mas isso não o impediu de alcançar seus objetivos. Não desista, não importa o que você esteja fazendo, seja uma tarefa comum ou planos grandes e magníficos.

Quando estiver cansado, vá devagar. Mova-se com calma, sem pressa. Mas não pare! Você está cansado por razões objetivas. Sente-se esgotado porque está mudando e fazendo muitas coisas. Está exausto porque está crescendo. Algum dia este crescimento poderá realmente lhe inspirar.

Fonte: thoughtcatalog

Deixe um comentário

Arquivado em Crônicas e textos pessoais, Observações do cotidiano

O significado das cores

2015-08-01 13.56.01

A gente vive um tempo bem esquisito. É um clima estranho, já mencionei isso anos atrás, mas parece que agora esse clima se acentuou, especialmente após a popularização das redes sociais, que serviu, mais do que qualquer outro meio, para revelar a(s) verdadeira(s) face(s) de algumas pessoas que eu julgava conhecer.

Ando numa rotina lotada, aulas em três turnos, essas coisas normais na vida de professor. E venho acompanhado um pouco de longe tudo o que vem acontecendo. Sabe quando você se torna uma pessoa muito conhecida e qualquer coisa que você opinar tem repercussão? Mais ou menos isso.

Ontem à tarde, um pouco mais aliviado de não ter entrado no grupo dos salários parcelados do “Sartorão da Massa Cheirosa”, fui ao mercado comprar algumas coisas. Ao procurar uma vaga pra estacionar, paro perto de um carro com o adesivo aí acima postado por mim.

“Meu país é verde e amarelo! Não é vermelho”

Isso é parte desse clima que ronda o ar, um ódio descabido associado a uma falta de informações precisas sobre os fatos.

Mas minha divagação sobre o adesivo em si é o fato de que muitas pessoas não se dão conta do significado da palavra “brasil”. Aquelas coisas de informações mal aplicadas pelos professores lá atrás, mas que ainda hoje vejo colegas que ainda saem com essa balela sobre as cores da nossa bandeira.

Bom, muitos não sabem, mas “brasil” é uma tonalidade de cor. Sim, cor brasil! Brasil, que vem de brasa, e vocês que fazem churrasco sabem que cor tem a brasa né? Sim, vermelho! Cor de brasa. Ou esqueceram das aulas sobre o pau-brasil? Que os portugueses vinham pra cá, faziam um escambo com os índios e levavam as toras pra usar o cerne de cor avermelhada como corante de tecidos. Ah, vocês lembraram agora?

Tá, mas por que nossa bandeira é verde amarela e não vermelha como o cara do adesivo acha?

Esqueçam aquela conversa que vocês tiveram na escola de que o verde é a floresta, o amarelo é o ouro, o azul é o céu e o branco são as estrelas. O pior é que tenho muitos colegas professores de História que ainda explicam desse modo…A real do verde e amarelo da nossa bandeira, a bem da verdade, vem das cores das duas casas reais que formaram o país, independente no ano de 1822. Sim, o Brasil como país só existe mesmo dessa data, antes disso éramos apenas um território colonial português.

O certo é que o verde da nossa bandeira é a cor da Casa de Bragança, família a qual pertencia Dom Pedro I. O losango amarelo representa a Casa dos Habsburgos, família de origem austríaca a qual pertencia Dona Leopoldina, a primeira esposa de Dom Pedro I (é um losango por representar uma mulher). Tá, mas e o azul e branco? Bueno, quando nos tornamos uma república, em 1889, decidiram manter o fundo verde e amarelo, e trocar o brasão imperial central por uma série de estrelas vistas no hemisfério sul e um lema positivista no centro, logicamente editado, pois o certo seria, baseado nos princípios de Comte, “Amor, Ordem e Progresso”. Vocês sabem o que está na nossa bandeira…

Tenho um colega, direitista esquizofrênico, que diz que esse papo das cores é coisa de marxista. Bom, pra ele qualquer coisa que não se enquadre no que ele pensa, é marxismo…

Fiz essa postagem pra ajudar alguns a entenderem o quanto a gente não sabe de muita coisa, nem eu sabia disso até pouco mais de 10 anos atrás…

E pra encerrar, não sou favorável a mexer na organização das cores de nossa bandeira, só acrescentaria no lema central, a palavra “amor” ao “ordem e progresso”. Que meigo ficaria, não? Mas acho que é o que realmente falta pra muita gente hoje… já diria aquela canção dos Beatles (banda que eu não curto muito): “All we need is love”…

Deixe um comentário

Arquivado em Crônicas e textos pessoais, Informação, Observações do cotidiano

Deserto Freezer (ou Tempos Estranhos, parte 2)

Esta é somente a terceira postagem no blog neste ano de 2012. A primeira desde junho. Desde que iniciei este espaço em 2005, nunca fiquei tanto tempo em um “deserto de ideias” assim…

Dá pra elencar vários motivos, mas o principal é mesmo a popularização das “redes sociais”. É, tive de rever alguns conceitos e aderir ao Facebook, isso fez com que eu compartilhe muitos textos que antes eu vinha aqui fazia um CTRL+C CTRL+V no assunto e pronto.

O problema que, depois de um tempo observando as atitudes da maioria das pessoas nas redes sociais tu se “emputece” e começa a largar um pouco de mão disso também. É um excesso de exposição nauseante, compartilhamento de correntes (ainda bem que não liberaram os gifs, senão virava um Orkut da vida) mimimi de onde está, o que fez, o que deixa de fazer. Isso sem contar quando vira um verdadeiro Muro das Lamentações. Aí alguém posta algo reclamando que ficam cuidando demais da sua vida, mas daí a mesma pessoa vai lá depois e compartilha cada peido que dá no FB ou Twitter… Vai entender…

A União Europeia receber o Prêmio Nobel da Paz (após os países integrantes deste bloco descer o cacete nos manifestantes que protestavam pela amenização das medidas econômicas adotadas nestes países que se encontram em profunda crise) é o suprassumo destes tempos estranhos que escrevi na última postagem.

Outra coisa que tenho observado muitas vezes é a preguiça que as pessoas têm em pensar. É, pensar, e aí o pensar que me refiro é sobre o compartilhar algo sem saber se aquilo é real ou farsa; neste caso, o pensar é entendido como comprovar, raciocinar, e isso muitas vezes demanda tempo, e este hoje é cada vez mais curto… Ou simplesmente é má vontade mesmo…

Estes dias fiz uma avaliação com uma série, onde especifiquei antes da aplicação os conteúdos que cairiam nela. Pois coloquei uma questão onde constava como alternativa um dos assuntos que avisei que cairia: as outras três não tinham nada a ver, não mencionei que os assuntos que constavam nas alternativas cairiam. A quantidade de erros que vi nesta questão me assustou. Uma geração que já esquece fácil as coisas mais básicas ou com preguiça de pensar um pouco mais quando ainda estão na juventude, o que vai ser quando chegarem à fase adulta?

2012 está sendo esquisito por demais, ainda bem que está próximo do fim (o ano, não o mundo, como tem uns doidos por aí afirmando). Creio que 2013 será bem melhor, é minha esperança e a de muita gente com quem converso.

Vou terminar este texto por aqui mesmo. Só não posso deixar o deserto tomar conta…

1 comentário

Arquivado em Crônicas e textos pessoais, Observações do cotidiano