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A tragédia, a farsa e “a tragédia da farsa”

Tempos atrás, escrevi um texto em que usei uma frase do livro “O 18 Brumário de Luís Bonaparte”, de Karl Marx, creio que a mais conhecida dessa obra, logo no começo do livro: “A História se repete; a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa”. Mas confesso que, quando usei a frase em si, não tinha lido na íntegra todo o livro, tarefa que realizei durante minhas férias (apesar de terem sido um tanto quanto conturbadas, mas isso não é o assunto).

Levei uma semana para lê-lo, e entender o que Marx quis dizer com essa frase, levando em conta principalmente a História da França pós Napoleão. Há outros conceitos abordados no livro, como o famoso lumpen-proletariado, mas que não quero explicar aqui neste ensaio.

Ando analisando os movimentos políticos do Brasil desde muito tempo, venho percebendo que nós também tivemos nossos momentos de História se repetindo, e que estamos sob um sério risco de repetirmos novamente, por isso eu classifico tal como “a tragédia da farsa”.

Historicamente, nós sempre nos deparamos com personagens que, por possuírem certo carisma entre os seus, sempre apareceram como “salvadores da nação” (no caso, suas nações de origem ou próximas). Eu posso, tranquilamente, elencar alguns. Começo por Dom Sebastião I, jovem rei de Portugal que, durante uma batalha contra os mouros no Marrocos em 1578, faleceu e seu corpo jamais foi encontrado. Por não ter sido encontrado, criou-se entre a população mais carente de seu país a ideia de que um dia ele voltaria para salvar a nação. A gente chamou esse fenômeno de “sebastianismo” e tivemos aqui no Brasil, no fim do século XIX, um fenômeno enquadrado como tal, que foi o movimento liderado por Antônio Conselheiro.  Na França, o próprio Napoleão acabou surgindo como um salvador da pátria por liderar seus exércitos contra os inimigos externos da nação e acabou sendo apoiado pela burguesia a praticar o famoso Golpe do 18 Brumário (isso é assunto para outra pauta). E o exemplo mais recente que tivemos, na Itália e Alemanha do séc. XX com Mussolini e Hitler, respectivamente, dos quais temos centenas de publicações relatando os rumos que esses “salvadores” acabaram ocasionando em seus países.

Bem, mas vamos ao caso do Brasil, para que vocês entendam onde quero chegar com a tragédia, a farsa e a tragédia da farsa.

Em 1960, nosso país vivia o final do período JK, enfrentando sérias dificuldades financeiras e outras situações muito comuns a nosso país até hoje, como denúncias de corrupção. Nesse contexto, surge um candidato de um partido pequeno, com um discurso demagógico e moralista, no qual falava inclusive em “varrer a corrupção” do país, um salvador. Lembraram? Ele mesmo, Jânio Quadros. Se elegeu com uma votação esmagadora, assumiu tomando posições bastante contraditórias com seu discurso e, por não ter uma base política grande, acabou renunciando sete meses depois e o resultado disso tudo foi uma espiral de situações que culminaram com o Golpe Militar de 1964 e 21 anos de regime ditatorial. Essa eu classifico como a tragédia

29 anos depois, em 1989, nosso país passava por uma recente redemocratização, que veio acompanhada de uma série de dificuldades especialmente na área econômica, muito em reflexo do que os 21 anos de regime militar legaram. Nesse contexto, novamente um candidato de um partido pequeno, com um discurso demagógico e moralista, se apresentando como salvador, se elege presidente. Lembraram? Ele mesmo, Fernando Collor de Mello! E de forma semelhante a Jânio, toma uma série de medidas polêmicas, somadas a escândalos de corrupção e outras irregularidades, perde boa parte de sua base de apoio e acaba sofrendo um processo de impeachment e acaba saindo do cargo. Esse eu classifico como a farsa.

Pois bem, ano que vem é 2018, e estamos passando por situações socioeconômicas bem complicadas nesse instante e acredito estamos na possibilidade de, 29 anos novamente depois, colocarmos no poder um candidato de um partido pequeno com um discurso moralista e demagógico e se apresentando como salvador no poder. Isso que eu me refiro como a “tragédia da farsa”. Se vai acontecer? Bom, a figura em questão é muito de falar, mas pouco de fazer. Mas como quem muito fala e pouco faz, se achar que não terá condições de concorrer e para não perder a mamata que ocupa há pelo menos seis (!) mandatos consecutivos, pode ser que não venha, ou que seja tolhido da disputa por algo que se apresente como “novidade” no cenário eleitoral nacional.

Os nomes, se vocês que chegaram até aqui forem espertos o bastante, sacarão logo.

Loucura, loucura, loucura…

 

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Dia Zero

31 de agosto de 2016: por 61 votos a 20 no Senado vota a favor do impeachment da presidenta eleita Dilma. Perde em definitivo o cargo e assume seu vice, Temer.

31 de agosto de 1961: João Goulart retornava ao Brasil de uma viagem para a China, 6 dias depois do presidente Jânio Quadros renunciar ao cargo de presidente, numa manobra até hoje mal-explicada, mas que cheira muito a uma tentativa de golpe dele para permanecer no poder. Parte do Exército não apoiava que Jango, o vice, assumisse o cargo. Tentaram o golpe ali, não deu outra vez, como não havia dado em 1954 e 1955.

Jango acabou aceitando a solução parlamentarista, bem a contragosto, para evitar, segundo suas palavras, um derramamento de sangue. Acabou assumindo com plenos poderes o cargo somente em 1963 e pouco mais de um ano depois, foi deposto por um golpe de Estado.

Sim, foi G-O-L-P-E!

Assim como cheira a golpe “envergonhado” o que foi consumado hoje. Sim, pois tudo o que aconteceu hoje estava certo e sólido. O circo armado, as pessoas a interrogar a presidenta, os discursos demagógicos, paranoicos e macarthistas cheirando a naftalina, tudo isso era só pra confirmar o que estava previsto.

E não há como fugir da citação de Karl Marx, em O 18 Brumário de Luís Bonaparte, a respeito disso: “A História se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”.

Digo que é “envergonhado” pois o processo, feito em duas votações, primeiro cassou em definitivo o mandato da presidenta; mas o segundo, que definia sobre a cassação de seus direitos políticos por 8 anos, não obteve êxito. É um resultado diferente do primeiro impeachment ocorrido no Brasil em 1992, onde Collor além do mandato, teve seus direitos políticos suspensos. Significa que, em 2018, se quiser, Dilma poderá concorrer ao cargo que quiser. Já Temer, o vice que assume, ao que parece, enquadrado na Lei da Ficha Limpa, não poderá concorrer. Que belo paradoxo…

Teremos, em tese, agora pela frente, dois anos e quatro meses de governo Temer. E o que vem sendo feito por seu grupo desde que assumiu o poder me assusta. Muito. Me sinto nos anos 90 do século passado, quando eu e minha família (e muitas outras) passamos por vários apertos. E vendo a agenda de governo dos ministros indicados (só homens) e a velha subserviência aos EUA…

Não reconheço esse presidente, não me representa. E não me venham com esse papo de que eu ajudei a votar nele. Votei nela pelo projeto, não por causa dele e de seu partido oportunista de muito tempo. Aqui em Ijuí que o digam… mas acho melhor parar por aqui. Essa coisa toda me deprime, me faz ter náuseas de algumas pessoas. Mas também me faz ter orgulho da posição de alguns amigos e outras pessoas a quem pude manter uma boa relação.

Ah, o título é Dia Zero pois hoje é o dia desse novo tempo temerário. Amanhã é o Dia 1, e não só por ser 01 de setembro, mas o primeiro dia oficial dessa canalha no poder.

Que tenhamos força e garra para resistir ao que virá…

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Ah, as pessoas…

Voltando aqui, como sempre digo, manter uma assiduidade nesse espaço é complicado, esse sábado poderia ter sido inspirado, mas me envolvi nos serviços aqui em casa, e aí não deu…

Mês de novembro iniciando e confesso estar ansioso pra que chegue logo dezembro, estou contando os dias pro encerramento das aulas, esse ano passou rápido (ah, todo mundo, quando chega por novembro, diz isso…) e logo vem Natal e Ano Novo.

Sei que ando de saco cheio de um monte de coisa, hipocrisia, falta de interesse, comodismo, pessoas que têm tudo e só sabem reclamar da vida. Vontade de mandar tomar naquele lugar não me falta, mas… é preciso cautela nas palavras, na maior parte do tempo, pra não ser mal-interpretado, pois já viu, quando tu não se torna incompreendido, sai da frente…

Eu não deveria me preocupar com o que as pessoas fazem, mas há vezes que me “contorço por dentro”. Mas vamos seguindo por aqui, minha intenção pra esse sábado à noite é compartilhar um texto com vocês, bem curto, mas bem direto, pra faze-los pensar um pouco no que fazem e pensam. Aliás, pensar não é algo que as pessoas andam fazendo muito ultimamente, tudo se deixam levar pela onda, muito maria-vai-com-as-outras…

Chega de papo, o texto é de Isaías Almada, intitulado “O inferno são os outros”

O inferno são os outros, por Isaías Almada

Segunda-feira: A Dra.Henriqueta acaba de atender a mais um de seus pacientes. Ela é pediatra e goza de prestígio na profissão. O paciente, um bebê de um ano de idade, deixa a sala no colo da mãe, que com expressão feliz prepara-se para pagar a consulta. “Quanto é?” pergunta a mãe. “A senhora vai precisar de nota?” dispara a secretária com seu ar profissional. “Vou” respondeu a mãe. “Com nota é setecentos reais e sem nota é quatrocentos e cinqüenta” “Nossa! E por quê essa diferença toda?” “É por causa do imposto de renda”… “Ah!”, exclamou a mãe.

Terça-feira: Reimilson é jornalista formado há pouco mais de três anos e conseguiu, até mais cedo do que pensava, trabalhar na redação de uma revista semanal, a Veja. Abriu uma ME em Cotia para pagar menos ISS nas notas fiscais que dava ao empregador pelo que recebia “oficialmente” como salário registrado em carteira. Recebia a diferença por fora.

Quarta-feira: dona Martha era separada do marido e tinha uma filha que se preparava para o vestibular. A pensão do marido não era suficiente para as despesas mensais. A filha ajudava com seu salário de secretária numa empresa de publicidade. Dona Martha, subsíndica do prédio em que morava, acertou com o porteiro fazer um “gato” para usar a internet do prédio sem que precisasse pagar a conta, uma economia de meio salário mínimo.

Quinta-feira: O senhor Robson Altamirano tornou-se comerciante no bairro do Brooklin, onde administra uma papelaria considerada a melhor da redondeza. Conseguiu montar dois esquemas em que tem dois tipos de notas fiscais para clientes que solicitam ou não a Nota Fiscal Paulista. Um deles, com a ajuda de um técnico, é acoplado à máquina registradora. O outro é na emissão de notas frias de um talonário que manda imprimir numa gráfica em Cotia.

Sexta-feira: Pedro é estudante universitário. Invariavelmente, a sexta à noite saía com amigos para uma cervejinha. Na última, já passada a meia-noite, foi surpreendido numa batida policial. Ligeiramente alcoolizado, lembrou-se do truque que aprendera com um dos colegas da faculdade: carregava sempre duas notas de cem reais junto aos documentos do carro. Não deu outra: o policial olhou para Pedro, olhou para o lado e, rápida e discretamente devolveu os documentos ao jovem. “O senhor pode ir embora”.

Domingo: Avenida Paulista, em frente ao Museu de Arte de São Paulo. Um grupo de pouco mais de quinhentas pessoas faz uma manifestação contra a corrupção no país. Cinco deles seguram uma faixa onde se lê: ABAIXO A CORRUPÇÃO NO GOVERNO. São eles exatamente a Dra. Henriqueta, o jornalista Reimilson, dona Martha, o comerciante Robson e o universitário Pedro.

E se combatêssemos também a hipocrisia, a ignorância e a má fé de milhares de cidadãos que repetem como papagaios muitas das mentiras espalhadas pela mídia venal e comprometida com o atraso?

Bom final de semana a todos

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O Paulo Renato Souza de minhas memórias

Quando eu estava em São Borja no último feriado, fiquei sabendo da morte do ex-ministro da Educação dos governos FHC, Paulo Renato Souza. Muito se falou sobre as coisas boas que este fez quando foi ministro, como a questão do ENEM, do Fundef e outras coisas que encheram o noticiário.
O Jornal do Almoço, através do nefasto Lasier Martins (não, eu não gosto desse cara de jeito nenhum) também fez toda uma babação em torno deste personagem, gaúcho de nascimento, mas com vida política atuante em SP. E o cara ainda era gremista (tem uns gremistas que me envergonham…)
Mas minha lembrança dele é a do tempo que ele era ministro, eu estava na adolescência, concluindo o Ensino Médio do CESB lá pelos idos de 2000, 2001.
Lembro que no Ensino Médio os alunos, caso quisessem ter livros, teriam de comprá-los (e o CESB é escola pública). O Fundef era somente pro Ensino Fundamental, o pessoal do Médio que se lascasse a comprar livros, que já não eram muito baratos naquela época. Foi só no tempo do Lula que o pessoal do Ensino Médio também começou a receber livros didáticos e o Fundef virou Fundeb e agregou o Ensino Médio também.
Outra coisa que me lembra este senhor que faleceu na semana passada foi o fato de que, em 2002 eu prestei vestibular para Direito na UFSM. E um tempo antes (pleno neoliberalismo selvagem no Brasil em processo decadente) estavam cogitando a ideia de cobrar mensalidades nas Universidades Federais. Isso fazia parte do processo de sucateamento da Educação Superior no Brasil, para convencer a população de que a educação pública não prestava e que o negócio era privatizar as universidades federais também: defasagem de salários para os professores, falta de investimentos em pesquisa e etc etc etc.
Voltando ao vestibular, me lembro que era um janeiro muito quente, 4 dias de prova e ficar por horas acomodado em cadeiras duras para responder as 23 questões de cada disciplina (!)
Eu não passei no vestibular da UFSM, acabei indo para a Unijuí cursar Direito e depois cursar História e aquilo que já devo ter contado aqui. FHC E PRS saíram do poder e entrou Lula e uma nova equipe que voltou a investir na Educação Superior e criação de novas universidades federais…
Em 2009 retornei a UFSM para prestar um concurso. E quanta diferença nas acomodações: cadeiras acolchoadas, climatizador na sala, multimídia em todas as salas, concursos sendo realizados, coisa que me lembro bem no tempo de FHC e PRS quase não aconteciam…
Claro que o governo Lula teve seus defeitos, mas não tem como se negar que nesse setor ele fez muitíssimo mais que FHC, é só vocês analisarem os dados: para alguns não foi o suficiente, mas é gritante a diferença…
Ah sim, Paulo Renato depois que saiu do MEC foi prestar consultoria para editoras de livros, especialmente para o Grupo Santillana, dono da Editora Moderna. Ganhou muito dinheiro com isso, claro que nem se compara com o que o Palocci ganhou depois que saiu do governo Lula, mas a mídia muy amiga não divulgou muito sobre o outro ramo de PRS pós-ministro.

Bueno, deixo com vocês esse material a mais sobre o ex-ministro publicado na Revista Fórum, escrito por Idelber Avelar. Boa leitura!

Paulo Renato Souza: um legado e tanto
O que você não leu na mídia sobre Paulo Renato (1945-2011)
Revista Fórum – Outro olhar
Por Idelber Avelar

Morreu de infarto, no último dia 25, aos 65 anos, Paulo Renato Souza, fundador do PSDB. Paulo Renato foi Ministro da Educação no governo FHC, Deputado Federal pelo PSDB paulista, Secretário da Educação de São Paulo no governo José Serra e lobista de grupos privados. Exerceu outras atividades menos noticiadas pela mídia brasileira.

Nas hagiografias de Paulo Renato publicadas nos últimos dois dias, faltaram alguns detalhes. A Folha de São Paulo escalou Eliane Cantanhêde para dizer que Paulo Renato deixou um “legado e tanto” como Ministro da Educação. Esqueceu-se de dizer que esse “legado” incluiu o maior êxodo de pesquisadores da história do Brasil, nem uma única universidade ou escola técnica federal criada, nem um único aumento salarial para professores, congelamento do valor e redução do número de bolsas de pesquisa, uma onda de massivas aposentadorias precoces (causadas por medidas que retiravam direitos adquiridos dos docentes), a proliferação do “professor substituto” com salário de R$400,00 e um sucateamento que impôs às universidades federais penúria que lhes impedia até mesmo de pagar contas de luz. No blog de Cynthia Semíramis, é possível ler depoimentos às dezenas sobre o que era a universidade brasileira nos anos 90.

Ainda na Folha de São Paulo, Gilberto Dimenstein lamentou que o tucanato não tenha seguido a sugestão de Paulo Renato Souza de “lançar uma campanha publicitária falando dos programas de complementação de renda”. Dimenstein pareceu desconsolado com o fato de que “o PSDB perdeu a chance de garantir uma marca social”, atribuindo essa ausência a uma mera falha na campanha publicitária. O leitor talvez possa compreender melhor o lamento de Dimenstein ao saber que a sua Associação Cidade Escola Aprendiz recebeu de São Paulo a bagatela de três milhões, setecentos e vinte e cinco mil, duzentos e vinte e dois reais e setenta e quatro centavos, só no período 2006-2008.

Não surpreende que a Folha seja tão generosa com Paulo Renato. Gentileza gera gentileza, como dizemos na internet. A diferença é que a gentileza de Paulo Renato com o Grupo Folha foi sempre feita com dinheiro público. Numa canetada sem licitação, no dia 08 de junho de 2010, a FDE da Secretaria de Educação de São Paulo transfere para os cofres da Empresa Folha da Manhã S.A. a bagatela de R$ 2.581.280,00, referentes a assinaturas da Folha para escolas paulistas. Quatro anos antes, em 2006, a empresa Folha da Manhã havia doado a curiosa quantia–nas imortais palavras do Senhor Cloaca–de R$ 42.354,30 à campanha eleitoral de Paulo Renato. Foi a única doação feita pelo grupo Folha naquela eleição. Gentileza gera gentileza.

Mas que não se acuse Paulo Renato de parcialidade em favor do Grupo Folha. Os grupos Abril, Estado e Globo também receberam seus quinhões, sempre com dinheiro público. Numa única canetada do dia 28 de maio de 2010, a empresa S/A Estado de São Paulo recebeu dos cofres públicos paulistas–sempre sem licitação, claro, porque “sigilo” no fiofó dos outros é refresco–a módica quantia de R$ 2.568.800,00, referente a assinaturas do Estadão para escolas paulistas. No dia 11 de junho de 2010, a Editora Globo S.A. recebe sua parte no bolo, R$ 1.202.968,00, destinadas a pagar assinaturas da Revista Época. No caso do grupo Abril, a matemática é mais complicada. São 5.200 assinaturas da Revista Veja no dia 29 de maio de 2010, totalizando a módica quantia de R$1.202.968,00, logo depois acrescida, no dia 02 de abril, da bagatela de R$ 3.177.400, 00, por Guias do Estudante – Atualidades, material de preparação para o Vestibular de qualidade, digamos, duvidosíssima. O caso de amor entre Paulo Renato e o Grupo de Civita é uma longa história. De 2004 a 2010, a Fundação para o Desenvolvimento da Educação de São Paulo transfere dos cofres públicos para a mídia pelo menos duzentos e cinquenta milhões de reais, boa parte depois da entrada de Paulo Renato na Secretaria de Educação.

Mas que não se acuse Paulo Renato de parcialidade em favor dos grandes grupos de mídia brasileiros. Ele também atuou diligentemente em favor de grupos estrangeiros, muito especialmente a Fundação Santillana, pertencente ao Grupo Prisa, dono do jornal espanhol El País. Trata-se de um jornal que, como sabemos, está disponível para leitura na internet. Isso não impediu que a Secretaria de Educação de São Paulo, sob Paulo Renato, no dia 28 de abril de 2010, transferisse mais dinheiro dos cofres públicos para o Grupo Prisa, referente a assinaturas do El País. O fato já seria curioso por si só, tratando-se de um jornal disponível gratuitamente na internet. Fica mais curioso ainda quando constatamos que o responsável pela compra, Paulo Renato, era Conselheiro Consultivo da própria Fundação Santillana! E as coincidências não param aí. Além de lobista da Santillana, Paulo Renato trabalhou, através de seu escritório PRS Consultores – cujo site misteriosamente desapareceu da internet depois de revelações dos blogs NaMaria News e Cloaca News–, prestando serviços ao … Grupo Santillana!, inclusive com curiosíssima vizinhança, no mesmo prédio. De fato, gentileza gera gentileza. E coincidência gera coincidência: ao mesmo tempo em que El País “denunciava”, junto com grupos de mídia brasileiros, supostos “erros” ou “doutrinações” nos livros didáticos da sua concorrente Geração Editorial, uma das poucas ainda em mãos do capital nacional, Paulo Renato repetia as “denúncias” no Congresso. O fato de a Santillana controlar a Editora Moderna e Paulo Renato ser consultor pago pelo Grupo Santillana deve ter sido, evidentemente, uma mera coincidência.

Mas que não se acuse Paulo Renato de parcialidade em favor dos grupos de mídia, brasileiros e estrangeiros. O ex-Ministro também teve destacada atuação na defesa dos interesses de cursinhos pré-vestibular, conglomerados editoriais e empresas de software. Como noticiado na época pelo Cloaca News, no mesmo dia em que a FDE e a Secretaria de Educação de São Paulo dispensaram de licitação uma compra de mais R$10 milhões da InfoEducacional, mais uma inexigibilidade licitatória era anunciada, para comprar … o mesmíssimo produto!, no caso o software “Tell me more pro”, do Colégio Bandeirantes, cujas doações em dinheiro irrigaram, em 2006, a campanha para Deputado Federal do candidato … Paulo Renato! Tudo isso para não falar, claro, do parque temático de $100 milhões de reais da Microsoft em São Paulo, feito sob os auspícios de Paulo Renato, ou a compra sem licitação, pelo Ministério da Educação de Paulo Renato, em 2001, de 233.000 cópias do sistema operacional Windows. Um dos advogados da Microsoft no Brasil era Marco Antonio Costa Souza, irmão de … Paulo Renato! A tramóia foi tão cabeluda que até a Abril noticiou.

Pelo menos uma vez, portanto, a Revista Fórum terá que concordar com Eliane Cantanhêde. Foi um “legado e tanto”. Que o digam os grupos Folha, Abril, Santillana, Globo, Estado e Microsoft.

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Sistema Capitalista em estado terminal?

Já faz mais de mês de minha última postagem… paciência, às vezes a gente tem que se ausentar mesmo pois tem muita coisa pra ler e estudar.

Claro que a gente nunca deixa de acompanhar e ler o que está a acontecer por aí, mas parar pra escrever algo é coisa que às vezes não sai mesmo…

Um dos vários fatos do momento certamente é a crise econômica na Grécia, mais uma no “Velho Continente” nesses últimos anos: Irlanda, Islândia, Espanha, Portugal e agora os “apatheonas” (uso esse termo pra me referir aos gregos desde uma novela não muito antiga da Globo, Uga-Uga, tinha um personagem de origem grega que usava muito esse termo).

Segundo alguns “especialistas” (ahh, os especialistas que sempre surgem pra comentar sobre algum assunto do momento…), o próximo a cair será a Itália, ma que bella! Inclusive sobre isso comentei na aula de Revisão com um dos Terceirões que dou aula, e que certamente cairá alguma coisa nos vestibulares no fim de ano sobre esse assunto.

Pois bem, um cara que admiro muito, mas que os mais direitosos odeiam é o Frei Leonardo Boff. Pra refrescar a memória de quem não o conhece, um dos defensores da Teologia da Libertação e que acabaram sendo excomungados da Igreja Católica por Joseph Ratzinger, o atual papa Bento XVI… Fato é que este senhor escreve muito bem, e recentemente saiu um artigo seu no site Carta Maior intitulado “Crise terminal do capitalismo?” e que transcrevo logo abaixo para vocês e espero que gostem da leitura.

 

Leonardo Boff: Crise terminal do capitalismo?

Já nos meados do século XIX Karl Marx escreveu profeticamente que a tendência do capital ia na direção de destruir as duas fontes de sua riqueza e reprodução: a natureza e o trabalho. É o que está ocorrendo. A capacidade de o capitalismo adaptar-se a qualquer circunstância chegou ao fim.

por Leonardo Boff, em Carta Maior

Tenho sustentado que a crise atual do capitalismo é mais que conjuntural e estrutural. É terminal. Chegou ao fim o gênio do capitalismo de sempre adaptar-se a qualquer circunstância. Estou consciente de que são poucos que representam esta tese. No entanto, duas razões me levam a esta interpretação.

A primeira é a seguinte: a crise é terminal porque todos nós, mas particularmente, o capitalismo, encostamos nos limites da Terra. Ocupamos, depredando, todo o planeta, desfazendo seu sutil equilíbrio e exaurindo excessivamente seus bens e serviços a ponto de ele não conseguir, sozinho, repor o que lhes foi sequestrado. Já nos meados do século XIX Karl Marx escreveu profeticamente que a tendência do capital ia na direção de destruir as duas fontes de sua riqueza e reprodução: a natureza e o trabalho. É o que está ocorrendo.

A natureza, efetivamente, se encontra sob grave estresse, como nunca esteve antes, pelo menos no último século, abstraindo das 15 grandes dizimações que conheceu em sua história de mais de quatro bilhões de anos. Os eventos extremos verificáveis em todas as regiões e as mudanças climáticas tendendo a um crescente aquecimento global falam em favor da tese de Marx. Como o capitalismo vai se reproduzir sem a natureza? Deu com a cara num limite intransponível.

O trabalho está sendo por ele precarizado ou prescindido. Há grande desenvolvimento sem trabalho. O aparelho produtivo informatizado e robotizado produz mais e melhor, com quase nenhum trabalho. A consequência direta é o desemprego estrutural.

Milhões nunca mais vão ingressar no mundo do trabalho, sequer no exército de reserva. O trabalho, da dependência do capital, passou à prescindência. Na Espanha o desemprego atinge 20% no geral e 40% e entre os jovens. Em Portugal 12% no país e 30% entre os jovens. Isso significa grave crise social, assolando neste momento a Grécia. Sacrifica-se toda uma sociedade em nome de uma economia, feita não para atender as demandas humanas, mas para pagar a dívida com bancos e com o sistema financeiro. Marx tem razão: o trabalho explorado já não é mais fonte de riqueza. É a máquina.

A segunda razão está ligada à crise humanitária que o capitalismo está gerando. Antes se restringia aos países periféricos. Hoje é global e atingiu os países centrais. Não se pode resolver a questão econômica desmontando a sociedade. As vítimas, entrelaças por novas avenidas de comunicação, resistem, se rebelam e ameaçam a ordem vigente. Mais e mais pessoas, especialmente jovens, não estão aceitando a lógica perversa da economia política capitalista: a ditadura das finanças que via mercado submete os Estados aos seus interesses e o rentismo dos capitais especulativos que circulam de bolsas em bolsas, auferindo ganhos sem produzir absolutamente nada a não ser mais dinheiro para seus rentistas.

Mas foi o próprio sistema do capital que criou o veneno que o pode matar: ao exigir dos trabalhadores uma formação técnica cada vez mais aprimorada para estar à altura do crescimento acelerado e de maior competitividade, involuntariamente criou pessoas que pensam. Estas, lentamente, vão descobrindo a perversidade do sistema que esfola as pessoas em nome da acumulação meramente material, que se mostra sem coração ao exigir mais e mais eficiência a ponto de levar os trabalhadores ao estresse profundo, ao desespero e, não raro, ao suicídio, como ocorre em vários países e também no Brasil.

As ruas de vários países europeus e árabes, os “indignados” que enchem as praças de Espanha e da Grécia são manifestação de revolta contra o sistema político vigente a reboque do mercado e da lógica do capital. Os jovens espanhóis gritam: “não é crise, é ladroagem”. Os ladrões estão refestelados em Wall Street, no FMI e no Banco Central Europeu, quer dizer, são os sumossacerdotes do capital globalizado e explorador.

Ao agravar-se a crise, crescerão as multidões, pelo mundo afora, que não aguentam mais as consequências da superexploracão de suas vidas e da vida da Terra e se rebelam contra este sistema econômico que faz o que bem entende e que agora agoniza, não por envelhecimento, mas por força do veneno e das contradições que criou, castigando a Mãe Terra e penalizando a vida de seus filhos e filhas.

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Até mais ver!

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O cinismo e a guerra

“A Líbia bombardeada, a libido e o vírus” (Alívio Imediato, EngHaw)

“Enquanto as bombas caem do avião, deixando de recordação a cidade em chamas/Já ouvimos esta história, sabemos como acaba/Acontece quase tudo, não muda quase nada/Já vimos este filme, sabemos como acaba/Explodem quase tudo, não sobra quase nada” (Cidade em Chamas, idem.)

Humberto Gessinger escreveu estas canções nos anos 80, mas agora elas parecem tão atuais pelo que está acontecendo no mundo…

Começaram no domingo passado os ataques aéreos na Líbia. Sempre achei muito estranha essa mudança de rumos da política externa das potências mundiais em relação ao governo de Kaddafi, pos saber que, até há pouco tempo atrás, este era um aliado dos mencionados aqui (inclusive, José Serra também saiu criticando-o, dizendo que este era amigo do Lula e do PT… vasculhando um pouco na net, este mesmo Kaddafi tinha feito uma parceria com o governo paulista há pouco tempo atrás, onde coincidentemente quem era o governador? Sim, o Mr. Serra Burns!! Memória seletiva é algo muito comum entre os hipócritas…).

Brizola Neto, de volta ao seu excelente blog, “Tijolaço” (link pro blog, no lado direito deste blog) descreve, em poucas linhas o que penso sobre este assunto. Lá vai:

O cinismo e a guerra

Até pouco tempo atrás,  Muammar Kaddafi (grifo meu, muitos sites usam Gadaffi) era cortejado pelos governantes dos países que, agora, despejam bombas e mísseis sobre a Líbia.

Obama, Berlusconi, o conservadoríssimo Jose Maria Aznar, Nicolas Sarkozy e Tony Blair estavam longe de tratá-lo como um tirano abominável, um “cachorro louco” como a ele se referiu Ronald Reagan, depois de bombardear o palácio presidencial de Trípoli (nos anos 80), numa ação que deixou morta a filha (adotiva) de Gaddafi.

Se o objetivo fosse impedir o uso da aviação líbia contra os grupos rebeldes em Benghazi, e a força aérea líbia está totalmente destruída – como afirma o comando militar inglês – por que os ataques prosseguem?

A posição brasileira de não endossar os ataques e pedir a cessação das hostilidades está corretíssima.

Mas o cinismo da guerra pouco quer saber de razões e lógica. Petróleo é mais importante que isso.

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É isso por hoje

Abraço a todos

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Pelo direito de discordar e continuar amigo

Hoje em dia, nesse mundo rodeado de interesses, amizades verdadeiras são cada vez mais difíceis de manter, principalmente quando há disparidades de opiniões.

Conheço pessoas que não se relacionam com outras pelo simples fato de ter uma opinião, principalmente ideológica, contrária a sua. Sinceramente eu digo que a estas só restará o exílio numa caverna ou algo assim…

No meu caso, especificamente, me relaciono com pessoas de diversas ideologias. No meu grupo de amigos de São Borja, há várias ideologias mas a amizade sempre se sobressaiu, deve ser por isso que temos amizade de mais de décadas, e esta sempre segue sólida e firme, seja nos bons e maus momentos (hoje faz 9 meses que perdemos um desses nossos amigos… passa muito rápido, daqui a pouco já faz um ano).

Já na universidade, eu tinha colegas também com essas diferenças ideológicas, alguns mais, outros menos próximos ideologicamente. O fato é que minha ideologia é de esquerda sim, mas nunca me impediu de manter bons relacionamentos profissionais e pessoais com várias pessoas com opinião extremamente oposta a minha. Isso talvez pudesse “me queimar” com alguns próximos, mas sempre deixei sobrepor o meu “lado diplomático”, rsrsrs

O que quero postar hoje é um artigo de Leonardo Sakamoto, cujo título é o que encabeça este post.

Aí vai ele, espero que gostem…

Pelo direito de discordar e continuar amigo

“Por que você é amigo de fulano de tal?”

Certas frases soam para mim como um estalar de martelo em uma bigorna. “Porque sim, ué” é o que me vem à cabeça como resposta, uma vez que o meu estoque de respostas cretinas para perguntas imbecis anda em baixa desde que deixei de ser leitor da revista MAD. Aí sou obrigado a escutar um rosário de argumentos do porquê de uma pessoa X, Y ou Z ser inapropriada para o convívio social, dado os seus posicionamentos políticos. Talvez o sobressalto e a tentativa de me convencer a largar mão de almoçar com alguém que considero agradável sejam até maior pelo fato de me enxergarem como uma pessoa progressista (o que, o Sakamoto é de esquerda? Por Alá! Vou abandonar este blog já! Sakamoto já pra Cuba, que é seu lugar! Ah, eu me divirto com meus leitores…)

Quando dou risada da situação ou insisto na perda de tempo dessa discussão, surgem teorias para explicar o comportamento humano – afinal, muitos acham que são PhD em comportamento só por terem lido Sabrina: então, são amigos desde o colégio; não, o cara salvou ele de ser devorado por uma morsa mutante e, desde então, rola uma dívida de gratidão; transplante de rim, sabe? Doação…; imagina, só é amigo porque o outro lhe emprestou dinheiro; ah, ele faz isso para provocar e mostrar que é plural, um pedante.

Acredito que meu ponto de vista está correto, mas isso não faz dele uma Verdade Absoluta – até porque verdades absolutas não existem. Não mais. Uma outra pessoa pode defender que a forma mais correta de acabar com a fome, a violência, as guerras, a injustiça seja por outro caminho. Desse enfrentamento de idéias e de propostas sairá um vetor resultante que apontará para uma direção, dependendo da correlação de forças envolvidas, dos atores dedicados a isso, da aceitação dessas idéias pelo restante de uma sociedade. Não acredito que o livre mercado seja a panacéia para tudo, mas há quem diga que sim. Ótimo, vamos discutir os argumentos que embasam as diferentes posições e não chamar o outro de canalha ou burro, esquerdista idiota ou direita fascista, e travar por aí a discussão. Ou pior, defender o fechamento de um veículo de comunicação. Discordo visceralmente de muitas reportagens que leio, mas nem por isso acho que elas não tenham o direito de vir a público. Pelo contrário, repetindo Voltaire, discordo, mas defendo o direito de que seja dito. A saída para contrapor uma voz não é o silêncio, mas sim outra voz (o fato de pessoas que defendem um ponto de vista semelhante ao meu não terem conseguido construir uma alternativa – ainda – diz tanto sobre a nossa incapacidade quanto sobre o poder do outro).

Muitos simplesmente repetem mantras que lêem na internet, ouvem em bares ou vêem na igreja e não param para pensar se concordam ou não realmente com aquilo. É um Fla-Flu, um nós contra eles cego, que utiliza técnica de desumanização, tornando esse outro uma coisa sem sentimentos. Isso é muito útil durante eleições polarizadas, mas péssimo para o cotidiano.

Somos seres complexos com múltiplos níveis de relações. Tenho colegas conservadores politicamente, mas liberais em comportamento que guardo em muito mais estima do que colegas progressistas politicamente, mas com um discurso e prática comportamentais bisonhos. Não é possível defender a liberdade dos povos e transbordar machismo, tratando a esposa como uma serva em casa, não é? Crimes são cometidos e escondidos sob a justificativa de que determinado membro defende os ideais do grupo e, portanto, deve ser protegido. Seja em uma associação de produtores rurais, seja em um sindicato de trabalhadores.

É mais fácil pensar de forma contrária, preto no branco, os de lá, os de cá. Mas, dessa forma, a vida vai ficando mais pobre. Sem o direito ao convívio diário com aqueles que pensam de forma diferente, estancamos em nossas posições, paramos de evoluir como humanidade. Do outro lado sempre estará um monstro e do lado de cá os santos. Isso sem contar a impossibilidade de apreciar tudo o que o outro tem de melhor – do ombro amigo à conversa inflamada em uma mesa de bar.

De uns tempos para cá, tornou-se mais freqüente ter que defender minhas amizades publicamente. Nunca pensei que seria necessário dizer isso, mas peço a cada um buscar seu quinhão de felicidade à sua maneira e deixe que os outros façam o mesmo, considerando o quão contraditória é nossa sociedade capitalista. Humildemente, sugiro que busquem a tolerância no diálogo, mesmo que firme e duro, e se perguntem se acham que estão certos a todo o momento, uma vez que nossa natureza é de dúvidas e falhas que só conseguem ser melhor percebidas no tempo histórico, não de certezas.

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