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Belchior

No início do mês passado, escrevi um pequeno ensaio em que falei que minha vida anda parecendo várias músicas do Belchior.

E hoje pela manhã, fico sabendo da triste notícia de seu falecimento, aos 70 anos, provavelmente de causas naturais, na cidade de Santa Cruz do Sul – RS, onde estava vivendo no anonimato há poucos anos.

Não vou aqui falar sobre os porquês dele ter escolhido sumir da exposição midiática, de não realizar shows, de se “exilar” por estas bandas daqui do Sul. Isso eu deixo para aqueles que conseguiram manter algum contato com ele nesse anos.

Vou aqui é engrandecer um dos maiores cantores e compositores que este país já conheceu. De canções que até hoje fazem sentido na vida de muitas pessoas que se identificam com as mesmas.

Na verdade, sempre ouvia suas músicas eventualmente nas rádios e em algumas trilhas de programas televisivos. Mas muito pouco, perto do que viria a conhecer depois que saí de São Borja para estudar, há 15 anos. E aí que pude entender o sentido de suas letras. Digo isso, pois Belchior, para fazer sucesso, saiu de sua terra, o Ceará, e veio para a região Sudeste, onde era o centro de difusão musical do Brasil. E muitas de suas letras falam justamente sobre a vida longe de seu local de origem.

Os discos “Alucinação” (1976) e “Coração Selvagem” (1977) eu os considero como os seus melhores, no final eu coloco um link aqui pra vocês escutarem. Há outras canções que, só de ouvir a introdução, já transmite muita emoção, como “Tudo Outra Vez”, “Paralelas”, dentre outras inúmeras, que fazem a gente refletir sobre a vida e o cotidiano.

Vale a penas vocês darem uma pesquisada na obra desse genial cantor e compositor. Vou parar por aqui, pois a emoção toma conta deste que vos escreve.

Disco “Alucinação” https://www.youtube.com/watch?v=4ppq20oqW9c

Disco “Coração Selvagem” https://www.youtube.com/watch?v=dGzXuHr9uf0

 

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Obsolescência Programada

TV de Plasma > TV de LCD > TV de LED > TV 3D

Tá, por que eu coloquei essa sequencia na introdução do texto que posto hoje, depois de tanto tempo?

Para lembra-los que, da TV de Plasma até a TV 3D, atual objeto de desejo de muita gente, especialmente da classe média, não se passaram mais do que 10 anos. Aí fico me questionando: o que virá depois da 3D? E quem gastou uma nota preta pra comprar a “moderna TV de Plasma” há 10 anos atrás (lembro que valia uns 6 mil a mais barata)?

Outro exemplo que posso citar aqui são os telefones celulares. Há no máximo 4 anos atrás, o ápice dos celulares era o Nokia N95. Hoje o “top top” é o iPhone, seja lá qual for sua versão (3G, 3GS, 4, 5 ou o escambal). Tá bom, eu tenho um N95, mas comprei usado, afinal, quando lançaram ele, era só um objeto de desejo, um preço astronômico na época de seu lançamento. Ele não deve nada pra muito celular mais moderno que existe hoje, mas já não é topo de linha…

Analisando os dois exemplos acima, pode-se chegar a uma conclusão interessante: vivemos a pleno vapor a era da Obsolescência Programada. Como assim? Simples, meus caros: tudo tem um tempo de vida útil, um tempo pré-estabelecido de existir, de ser o mais moderno, para depois vir outra versão um pouco melhorada e a primeira versão se tornar “ultrapassada, obsoleta, que tem que jogar fora”.

Mas aí surge a questão ambiental da coisa toda: onde vai parar todo esse equipamento que foi descartado por não ser mais “o mais moderno”? Claro que aí tem de se acrescentar a questão dos computadores também, mas isso vocês veem todo o tempo acontecendo. Enfim, o planeta já está bem saturado de tanto lixo. E tem a questão populacional. Já estamos ali assim para chegarmos aos 7 bilhões de habitantes. Haja planeta!

Saindo um pouco da questão tecnológica, antes que saia algo mais moderno que o notebook o qual estou usando para escrever esse post (mas já existe algo mais moderno: o netbook e o iPad. Ai meu Deus, preciso comprar um iPad urgente #ironiaOn), eu pulo para uma questão da obsolescência programada que também acho interessante: os sucessos musicais.

“Ih, lá vem o Italo criticar os hits do momento!” Ok, no momento são os hits, mas em no máximo 10 anos vocês nem vão lembrar dos hits, ou então pensarem: “Putamerda, eu ouvia essa porcaria e achava o máximo!”.

Dias atrás, num exercício de puxar da lembrança coisas que ouvia há 10 anos me veio dois exemplos que eram sucessos. Alguns lembrarão: P.O. Box, grupo pop brasileiro, que fez relativo sucesso, aparecia em tudo quanto era programa de TV dominical e depois sumiram. Outro exemplo, dessa vez estrangeiro: os Hanson, três irmãos cabeludos, loiros, dos EUA.

O primeiro exemplo tocava seguido nas rádios. Quem aqui lembra de “Papo de Jacaré”? Lembro até que assisti ao show desses caras em 2000, no Recreativo São-borjense, lembro do chão do clube tremendo de tanto a multidão que lotava o salão pular no início do show. E eu lá, bem contente da vida. Putz, como pude? Mas fazer o quê, era o que tinha pra se curtir na época… Que fim deu esse grupo?

Já o segundo exemplo, as “loirinhas cabeludas” dos Hanson. Seu mais famoso hit chamava-se Mmmbop (ou coisa parecida com isso): “Umba, dip dap dap diuba, dirapa diuba, dip dapa diu, yê yé”, dizia o refrão, mais ou menos assim (Estou explodindo de rir enquanto faço essa “tradução” do refrão). Que fim deu? Pelo que sei, parece que um ainda segue cantando, os outros dois irmãos casaram e são pais de família hoje em dia… Não, eu nunca gostei dos Hanson, só estou usando como exemplo mesmo…

Tá, mas o que isso tem a ver com o que está aí hoje? Hoje vejo fazendo sucesso entre algumas adolescentes 3 irmãos também dos EUA, os Jonas Brothers (algumas alunas minhas odiarão isso). Caso bem semelhante aos Hanson: três irmãos, fazem sucesso entre as adolescentes e depois somem, casam, tem filhos e nunca mais tu ouve falar nada. Eu enquadro, sem temor, de no máximo 10 anos acontecerá isso com eles também. E quando forem adultas, as meninas pensarão igualmente assim: “Putamerda, eu ouvia essa porcaria e achava o máximo!”. Sei, exercício de futurologia num sábado é meio esquisito, mas aguardem isso. Ou o que foi feito do KLB, 3 irmãos, filhos do empresário da dupla Zezé e Luciano? Viraram candidatos a cargos políticos pelo DEM… E aí? Como faz?

Dias atrás eu assistia a uma entrevista do cantor Byafra (“voar, voar, subir, subir”) no programa da Marília Gabriela, no GNT. E o cara coloca uma questão interessante que também dá para enquadrar dentro da obsolescência programada: as “ondas do momento” na música brasileira. Dizia ele que, depois da morte do Chacrinha (para os mais jovens. Chacrinha tinha um programa de auditório que trazia e lançava muita coisa boa que existia nos anos 80: Ultraje a Rigor, Garotos da Rua, Byafra, dentre outros cantores e grupos de sucesso nos 80), a homogeneidade da música brasileira, que o Chacrinha conseguia harmonizar no seu programa, foi pro espaço. E aí começaram as “ondas do momento” na música brasileira: axé, depois o sertanejo, depois o pagode, depois o funk pornô, depois o forró “universitário” e a onda do momento é o sertanejo “universitário” (o agrobrega). Ou seja, toca só um ritmo nas rádios o tempo todo, o povo enjoa, some, daí vem outra onda e a sequencia é a mesma: toca, enjoa, some e vem outra… O que virá depois do agrobrega? Tenho medo…

Eu poderia ficar o resto do dia divagando aqui sobre outras coisas que se enquadram na teoria da obsolescência programada, mas a fome apertou, e ainda tenho o resto do fim de semana pela frente. Espero ter contribuído para a reflexão de vocês.

Fraterno abraço.

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A “babaquização” do brasileiro

Boa tarde a todos!

Ando há muitos tempos sem postar nada aqui no blog, eu sei, mas ultimamente o fato de dormir pouco, por mais que eu tente dormir mais, me deixa totalmente sem inspiração para escrever qualquer coisa. Hoje, como não tinha nenhum compromisso cedo, pude dormir umas boas horas a mais e acordei “inspirado”…

A verdade é que ultimamente tenho visto e acompanhado tantas coisas acontecendo com as pessoas pelo Brasil e ao meu redor que só posso chegar a uma conclusão bem preocupante: há um fenômeno em franca ascensão, especialmente influenciável pelas mídias “de massas” que eu chamo de “babaquização” do brasileiro.

Como assim?

É tudo muito simples: apareceu na TV algo babaca, que eles julgam ser “engraçado”, inúmeras pessoas já estão fazendo igual. Quer um exemplo bem recente? O tal “João Sorrisão”, boneco do tipo “joão-bobo” criado no programa “Esporte Espetacular” da TV Globo (aliás, a grande responsável por este processo de “babaquização” do brasileiro”). Os apresentadores (se é que dá pra chamar o Tande de apresentador) fizeram uma campanha onde, o jogador de futebol que ao comemorar um gol imitasse um joão-bobo, receberia em casa depois disso um boneco ao qual me referi. Pronto, já foi o início de uma febre de comemorações de gols imitadas da mesma forma. Babaquice modo 5.0!

Aí, para tornar a “babaquização” do joão-bobo completa logo algum cara muito “criativo” inventa um “Funk do João Sorrisão” e ontem vi algo que é pra jogar uma pá de cal nesta coisa toda: a bateria de uma Escola de Samba do Rio de Janeiro ensaiando para o Carnaval de 2012 uma coreografia imitando um joão-bobo…

Mas há quem nade contra essa corrente de “babaquização”. Exemplo mais notável disso se chama Leandro Damião, centroavante do Internacional de Porto Alegre, atualmente o maior goleador do futebol brasileiro e o melhor atacante surgido nos últimos tempos no país (e olhem que sou gremista, mas não há como lutar contra esse fato). Cada gol ele comemora de modo diferente, mas nunca (pelo menos que eu tenha visto) imitando um joão-bobo besta. (Alguém me corrija neste ponto se eu estiver errado)

Aliás, o funk (entenda-se o funk carioca), que no início de sua popularização no Brasil possuía muitas letras retratando a realidade das favelas, para não “sumir da mídia”, teve de apelar para letras com muito teor erótico ou também, e isso é fenômeno recente, com letras que contém falas bestas de programas de humor mais bestas ainda, ou de comerciais de sucesso, como o recente “Pôneis Malditos”, de uma marca de automóveis.

No entanto, o grande baluarte da “babaquização” está presente nas novelas, em especial as da Globo. As da Record também não ficam muito para trás, vide a versão da mexicana “Rebelde”, onde os alunos fazem o que bem entendem com os professores e quem acaba se ferrando no final de tudo isso são os próprios professores. Algo que em muitas escolas hoje se torna realidade, tirando, às vezes, a parte em que os professores se ferram. Mas as novelas da Globo são campeãs disparadas nessa onda de nos tornas uns babacas…

Cito aí dois exemplos: as novelas de sotaque italiano “macarrônico” que surgiram nos últimos anos, onde as pessoas que as assistem saem reproduzindo depois os chavões mais corriqueiros delas: schiffosa, fragolone, caspita, boiolone, porpettone (não pesquisei como é a escrita correta das palavras citadas aqui) e por aí segue… O outro exemplo são as novelas da escritora Glória Perez, sempre com suas histórias se baseando no alegre e imundo bairro da Lapa, no Rio de Janeiro (eu conheci a Lapa em 2007 e sei o que estou falando), misturando povos orientais de sotaques e expressões exóticas: “mármore do inferno”, inshalla (ou algo parecido) da novela com árabes e hare baba, tic tic e outras coisas que não me vem à cabeça neste instante, das de novelas com indianos. Sem contar das trilhas sonoras dessas novelas todas que depois ficam nos topos das paradas de sucessos da grande maioria das rádio…

Música, que ultimamente anda na sua pior fase criativa de todos os tempos: sertanejo “universitário”, bandas “coloridas”, cantores surgidos em programas enlatados do Disney Channel ou do Nickelodeon. Não sei se é impressão só minha, mas as “músicas” do sertanejo universitário me parecem todas iguais: aquela letrinha dor de corno básica e a batida musical sempre a mesma, com aquela quebrada do bumbo da bateria sempre que começa ou termina o refrão da canção. As bandas “coloridas” nada mais são que uma nova velha versão piorada do estilo que algumas bandas adotaram nos anos 80, vide exemplos do Yes (uma de minhas bandas de rock progressivo favoritas, mas que nos anos 80 teve uma fase pop colorida), do Twisted Sisters (do divertido rock farofa) ou dos próprios Menudos mesmo. Aliás, o sempre polêmico Lobão definiu uma banda “colorida” da atualidade como uns “Menudos metidos a roqueiro”.

Outra coisa muito babaca ultimamente são determinados programas de televisão ou, mais precisamente algumas pessoas que aparecem neles. Essa semana assistindo Jornal do Almoço na RBS (que por ser afiliada da TV Globo também anda numas ondas de “babaquização” muito irritantes) o Fabrício Carpinejar, um bom escritor, mas que agora que foi contratado como colunista do jornal desta rede, apareceu no programa vestido de uma forma tão ridícula que me deu medo. Eu poderia citar também o Marcos Piangers, mas esse já é babaca a nível executivo e seus gestos falam por si.

Há muitas babaquices mais rolando por aí, mas acho que o que escrevi aqui hoje já é mais do que suficiente para vocês entenderem…

O mundo anda muito babaca ultimamente, o que me leva, de certa a forma a acreditar que 2012 é realmente o final dos tempos… Tomara que não, mas do jeito que vai…

Abraço a todos!

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O cinismo e a guerra

“A Líbia bombardeada, a libido e o vírus” (Alívio Imediato, EngHaw)

“Enquanto as bombas caem do avião, deixando de recordação a cidade em chamas/Já ouvimos esta história, sabemos como acaba/Acontece quase tudo, não muda quase nada/Já vimos este filme, sabemos como acaba/Explodem quase tudo, não sobra quase nada” (Cidade em Chamas, idem.)

Humberto Gessinger escreveu estas canções nos anos 80, mas agora elas parecem tão atuais pelo que está acontecendo no mundo…

Começaram no domingo passado os ataques aéreos na Líbia. Sempre achei muito estranha essa mudança de rumos da política externa das potências mundiais em relação ao governo de Kaddafi, pos saber que, até há pouco tempo atrás, este era um aliado dos mencionados aqui (inclusive, José Serra também saiu criticando-o, dizendo que este era amigo do Lula e do PT… vasculhando um pouco na net, este mesmo Kaddafi tinha feito uma parceria com o governo paulista há pouco tempo atrás, onde coincidentemente quem era o governador? Sim, o Mr. Serra Burns!! Memória seletiva é algo muito comum entre os hipócritas…).

Brizola Neto, de volta ao seu excelente blog, “Tijolaço” (link pro blog, no lado direito deste blog) descreve, em poucas linhas o que penso sobre este assunto. Lá vai:

O cinismo e a guerra

Até pouco tempo atrás,  Muammar Kaddafi (grifo meu, muitos sites usam Gadaffi) era cortejado pelos governantes dos países que, agora, despejam bombas e mísseis sobre a Líbia.

Obama, Berlusconi, o conservadoríssimo Jose Maria Aznar, Nicolas Sarkozy e Tony Blair estavam longe de tratá-lo como um tirano abominável, um “cachorro louco” como a ele se referiu Ronald Reagan, depois de bombardear o palácio presidencial de Trípoli (nos anos 80), numa ação que deixou morta a filha (adotiva) de Gaddafi.

Se o objetivo fosse impedir o uso da aviação líbia contra os grupos rebeldes em Benghazi, e a força aérea líbia está totalmente destruída – como afirma o comando militar inglês – por que os ataques prosseguem?

A posição brasileira de não endossar os ataques e pedir a cessação das hostilidades está corretíssima.

Mas o cinismo da guerra pouco quer saber de razões e lógica. Petróleo é mais importante que isso.

———-

É isso por hoje

Abraço a todos

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Kraftwerk

Um pouco de música pra mudar um pouco de assunto…

Como já comentei aqui, eu sou um fã de rock progressivo. Emerson, Lake and Palmer, Yes, Rush, Gentle Giant, King Crimson, dentre outros… Mas meu universo musical não se resume só a isso (como alguns metaleiros que só escutam heavy metal, suas vertentes e nada mais ou a seratnejos que só ouvem este gênero). Eu curto umas MPB, rock rural e vários outros sons.

Música eletrônica eu não curto, não gosto de rave (que, segundo o Zé Simão, é coletivo de bicha :p); a exceção se chama Kraftwerk. A Usina de Força é um quarteto alemão, que este ano completam 40 anos do lançamento do seu primeiro disco oficial (o primeiro, ainda sobre o nome de ‘Organization’ é de 1970). No começo do grupo, eles tinham um som que puxava para o lado progressivo mesmo, vide a música “Autobahn” do álbum de mesmo nome, lançado em 1974 e cuja música tinha mais de 22 minutos, simulando uma viagem de Fusca por uma autoestrada alemã. Eu acho esse som muito viagem, mas é legal pra ouvir. Após isto é que começam a se puxar de vez pro lado mais eletrônico mesmo, tanto que seus maiores sucessos são após o “Autobahn”: Radioactivity, Hall of Mirrors, The Robots, The Model, Pocket Calculator, Musique non Stop dentre outros. Tempinho atrás eles estiveram no Brasil fazendo a abertura do show do Radiohead, mas acabei não assistindo pelo Multishow, que parece que passou…

Bueno, eu deixo pra vocês três clipes desses caras que são considerados os pais da música eletrônica: primeiro “The Robots”, meio tosco mas interessante como eles fazem uma menção futurista com os androides. Depois “The Model” (que assim como ‘The Robots’ estão no disco “The Man-Machine, de 1978), que acredito ser o seu maior sucesso e que, quando eu era adolescente e ia seguido ao CRS em São Borja, tocava essa música direto… E pra encerrar. “Tour de France”, de 2003, do álbum homônimo, produzido para a famosa volta ciclística que ocorre todo ano na França.

Espero que curtam.

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E a Revolução – Nei Lisboa

Sábado à tarde, mesmo com toda a chuva que se deu em Ijuí, fui ministrar um curso sobre Movimento Estudantil Secundarista para alguns jovens que irão participar na semana que vem da Etapa Estadual ao Congresso da UBES e do Congresso da UGES em Tramandaí.

Preparando o curso durante a semana, fui atrás de fontes pra poder ministrar o curso e cheguei ao site da UGES. Lá descubro que Luis Eurico Tejera Lisboa, irmão desaparecido do cantor Nei Lisboa, era militante estudantil, um dos mais importantes da história da UGES.

Luis Eurico Tejera Lisboa, ou Mário (nome de guerra), militou na Aliança Libertadora Nacional (ALN), no Partido Comunista Brasileiro (PCB) e na Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares) até ser preso pela Ditadura Militar em 1972.

Seu corpo foi um dos primeiros a serem encontrados pela Anistia em 1979, no cemitério clandestino de Perus, em São Paulo – SP. Segundo os laudos da repressão, ele teria cometido suicídio(versão normalmente dada quando a repressão assassinava algum preso político).

Em 2001, Nei Lisboa, no seu álbum "Cena Beatnik" gravou uma música feita em homenagem a seu irmão, cuja letra transcrevo abaixo:
—–

E a Revolução

Nei Lisboa

68 foi barra

Plena ditadura

Plena resistência

Plena tropicália

Plena confusão

Foi um rebuliço lá em casa

Manifestos, passeatas

Festivais de minissaias

Meu irmão limpando a arma

Meu irmão,

E a revolução?

Que estava por chegar

Tão certo quanto o bem

Sempre vem e vence

Nas histórias infantis

Difícil de aceitar

Que o mal tenha o poder

De escrever na história

Um final tão infeliz

68 foi bala

E mais bala foi setenta e um, e dois, e…

Mais bala foi depois

Sempre alguém sumido de casa

Torturado, morto,

Mutilado pelo Estado ao bel-prazer

Boiando no Rio da Prata

Guerrilheiros, jornalistas,

Marinheiros, padres e bebês

Boiando no Rio da Prata

Visto num jazigo vago

Ou num muro de Santiago

Ou jogado numa vala comum

68 foi bala

Sempre alguém sumido de casa

Meu irmão

E a revolução

Difícil de contar

Mas fácil de entender

A razão e a hora

De quem vive um ideal

Se eu fosse te dizer

O que há em mim de teu

Meu irmão, a glória

É uma história sem final

Mais duro é perceber

Se eu fosse te falar

Do Brasil de agora

Que seria tão igual

Miséria

Doença

Polícia brutal

Luxúria

Mentira

Autoridade sem moral

Viu? Hum, hum

68 foi barra

Como é 2001

——

A gente sabe que tem muito lixo na atual música brasileira, isso nem preciso tecer mais comentários, por isso é sempre bom existir compositores como o Nei, que sempre trazem algum sentido para a boa música.
Bom começo de semana a todos!

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Hurricane – Bob Dylan

Moro longe do meu local de trabalho atualmente. Para me deslocar de casa até lá uso do transporte coletivo urbano.
Aqui em Ijuí uma empresa possui a concessão de explorar esse serviço, a Medianeira Transportes, cuja matriz fica em Santa Maria e cujo gerente local daqui é meu amigo.
Mas tem uma coisa que me deixa muito irritado em andar de ônibus aqui: só se escuta uma rádio nestes veículos, a Iguatemi FM, pertencente ao Grupo Mânica de Comunicação. É sem dúvidas, a FM mais ouvida no município. O problema é que essa rádio só toca sons do "momento", ou seja, o tipo de som que eu detesto, como "sertanejo universitário", bandas emo, pop’s em geral e outras tosqueiras "kit conquista". Chegou ao cúmulo de, durante três noite consecutivas em que me deslocava para casa que a mesma música (no caso aqui, uma versão abrasileirada em forró de um "sucesso" da cantora Beyoncé) tocava no horário em que eu estava dentro dos ônibus. E o que é pior, eu não tinha comigo meus fones de ouvido para ouvir música no deu telefone. Confesso que tive um "momento rage" nesse momento…
Desde esse dia, sempre que vou pegar ônibus para trabalhar, coloco meus fones de ouvido antes de entrar e só tiro depois de sair do ônibus.
E volta e meia troco as músicas, faço uma seleção nova pra não enjoar também das mesmas músicas.
E nessa última seleção, coloquei um som do Bob Dylan chamado "Hurricane" (álbum "Desire", de 1991), que muito me agrada. Mas não tinha ideia do que se tratava a letra desse som. Então fui pros sites de músicas do Terra e do Uol e achei a tradução e achei muito interessante o sentido da letra.
Rubin Carter, boxeador, conhecido como Hurricane ( Furacão) foi preso
em 66, acusado de assassinato em primeiro grau. Foi libertado, após 19
anos de prisão, em 85. Recentemente sua história foi contada no filme Hurricane, sendo interpretado brilhantemente por Denzel Washington e Bob Dylan foi processado por Patty Valentine por ter usado seu nome da música.
Buenas, sem mais delongas aí vai a tradução dessa música:

Hurricane (Bob Dylan)

Tiros de pistola ouvidos no bar
Patty Valentine entra pelo corredor de cima
Ela ve o bartender em uma poça de sangue
Grita, ‘Meu Deus, eles mataram todos eles!’
Aqui vem a história do Hurricane,
O homem que a policia veio culpar
Por algo que ele não fez
Colocado em uma cela, mas um dia ele poderia ter sido
O campeão do mundo

Três corpos deitados, Patty vê
E outro homem chamado Bello, se movendo misteriosamente
‘Não fui eu,’ ele diz, e levanta as mãos
‘Eu só estava roubando o caixa, espero que você entenda.
Eu os vi saindo,’ ele diz e para
‘Acho melhor um de nós chamar a policia.’
E então Patty chama a policia
E eles chegam no local com suas luzes vermelhas piscando
Na noite quente de New Jersey

Enquanto isso, em outra parte da cidade
Rubin Carter e alguns amigos estão dirigindo
Primeiro concorrente para a coroa de peso-médio
Não tinha idéia da merda que estava pra acontecer
Quando um policial o parou na estrada
Igual a outra vez, e antes disso
Em Paterson, é assim que as coisas são
Se você é negro, é melhor nem aparecer na rua
A não ser que queira chamar atenção

Alfred Bello tinha um parceiro e ele tinha informações pra policia
Ele e Arthur Dexter Bradley estavam xeretando
Ele disse, ‘Eu vi dois homens correndo, eles pareciam pesos-médios
Eles entraram num carro branco com placa de outra cidade.’
E a senhorita Patty Valentine concordava com a cabeça
O policiail disse, ‘Espere um minuto, meninos, esse aqui não está morto’
E eles os levaram para a enfermaria
E apesar do homem mal conseguir ver
Eles disseram que ele poderia identificar os culpados

4 da manhã e eles entram com Rubin
Eles estão nos hospital e o levam la pra cima
O homem machucado olha atraves de seu unico olho
Diz, ‘Pq vocês o trouxeram aqui? Ele não é o cara!’
Sim, aqui está a historia do Hurricane,
O homem que a policia veio culpar
Por algo que ele não fez
Colocado em uma cela, mas um dia ele poderia ter sido
O campeão do mundo

4 meses depois, os guetos estão em chamas
Rubin está na América do Sul, lutando por seu nome
Enquanto Arthur Dexter Bradley ainda está no jogo de roubar
E os policiais estão o pressionando, procurando por alguem pra culpar
‘Lembra daquele assassinato que aconteceu no bar?’
‘Lembra que você disse que viu o carro fugir?’
‘Você acha que gostaria de jogar com a lei?’
‘Você acha que pode ter sido um lutador que você viu correndo aquela noite?’
‘Não se esqueça que você é branco.’

Arthur Dexter Bradley disse, ‘Eu não tenho certeza.’
A policia disse, ‘Um garoto pobre como você precisa de um descanso
Nós vamos o culpar pelo trabalho no motel e estamos falando com seu amigo Bello
Se você nao quer voltar pra prisão, seja um bom menino
Você estará fazendo um favor a sociedade
Aquele filho da puta é valente e está ficando mais valente
Nós queremos pega-lo
Queremos o culpar pelo triplo assassinato
Ele não é nenhum cavalheiro.’

Rubin pode derrubar um homem com um soco só
Mas ele nunca gostou de falar sobre isso
É meu trabalho, ele dizia, e eu faço por dinheiro
E quando acaba, eu saio fora
Pra algum paraiso
Onde as trutas nadam e o ar é bom
E ando de cavalo por um trilho
Mas então o levaram para a cadeia
Onde tentam transformar um homem em um rato

O destino de Rubin já estava marcado há muito tempo
O julgamento foi um circo, ele nunca teve chance
O juiz fez as testemunhas de Rubin parecerem bebadas da favela
Para os brancos que assistiram, ele era um mendigo revolucionario
E para os negros, ele era só um preto louco
Ninguem duvidou que ele puxou o gatilho
E apesar de não terem achado a arma
O promotor disse que foi ele que atirou
E o juri de brancos concordou

Rubin Carter foi falsamente julgado
O crime era assassinato ‘um’, adivinha quem testemunhou?
Bello e Bradley mentiram descaradamente
E os jornais, seguiram a onda
Como pode a vida de um homem assim
Estar nas mãos de um tolo?
O vendo incriminado
Não pude evitar sentir vergonha de viver em uma terra
Onde a justiça é um jogo

Agora todos os criminosos de terno e gravata
Estão livres pra beber martinis e ver o sol nascer
Enquanto Rubin senta como um Buda em uma cela minuscula
Um homem inocente no inferno
Essa é a historia do Hurricane
Mas não vai acabar até que limpem seu nome
E devolvam o tempo perdido
Colocado em uma cela, mas um dia poderia ter sido
O campeão do mundo

Bom começo de semana para todos!

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