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A tragédia, a farsa e “a tragédia da farsa”

Tempos atrás, escrevi um texto em que usei uma frase do livro “O 18 Brumário de Luís Bonaparte”, de Karl Marx, creio que a mais conhecida dessa obra, logo no começo do livro: “A História se repete; a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa”. Mas confesso que, quando usei a frase em si, não tinha lido na íntegra todo o livro, tarefa que realizei durante minhas férias (apesar de terem sido um tanto quanto conturbadas, mas isso não é o assunto).

Levei uma semana para lê-lo, e entender o que Marx quis dizer com essa frase, levando em conta principalmente a História da França pós Napoleão. Há outros conceitos abordados no livro, como o famoso lumpen-proletariado, mas que não quero explicar aqui neste ensaio.

Ando analisando os movimentos políticos do Brasil desde muito tempo, venho percebendo que nós também tivemos nossos momentos de História se repetindo, e que estamos sob um sério risco de repetirmos novamente, por isso eu classifico tal como “a tragédia da farsa”.

Historicamente, nós sempre nos deparamos com personagens que, por possuírem certo carisma entre os seus, sempre apareceram como “salvadores da nação” (no caso, suas nações de origem ou próximas). Eu posso, tranquilamente, elencar alguns. Começo por Dom Sebastião I, jovem rei de Portugal que, durante uma batalha contra os mouros no Marrocos em 1578, faleceu e seu corpo jamais foi encontrado. Por não ter sido encontrado, criou-se entre a população mais carente de seu país a ideia de que um dia ele voltaria para salvar a nação. A gente chamou esse fenômeno de “sebastianismo” e tivemos aqui no Brasil, no fim do século XIX, um fenômeno enquadrado como tal, que foi o movimento liderado por Antônio Conselheiro.  Na França, o próprio Napoleão acabou surgindo como um salvador da pátria por liderar seus exércitos contra os inimigos externos da nação e acabou sendo apoiado pela burguesia a praticar o famoso Golpe do 18 Brumário (isso é assunto para outra pauta). E o exemplo mais recente que tivemos, na Itália e Alemanha do séc. XX com Mussolini e Hitler, respectivamente, dos quais temos centenas de publicações relatando os rumos que esses “salvadores” acabaram ocasionando em seus países.

Bem, mas vamos ao caso do Brasil, para que vocês entendam onde quero chegar com a tragédia, a farsa e a tragédia da farsa.

Em 1960, nosso país vivia o final do período JK, enfrentando sérias dificuldades financeiras e outras situações muito comuns a nosso país até hoje, como denúncias de corrupção. Nesse contexto, surge um candidato de um partido pequeno, com um discurso demagógico e moralista, no qual falava inclusive em “varrer a corrupção” do país, um salvador. Lembraram? Ele mesmo, Jânio Quadros. Se elegeu com uma votação esmagadora, assumiu tomando posições bastante contraditórias com seu discurso e, por não ter uma base política grande, acabou renunciando sete meses depois e o resultado disso tudo foi uma espiral de situações que culminaram com o Golpe Militar de 1964 e 21 anos de regime ditatorial. Essa eu classifico como a tragédia

29 anos depois, em 1989, nosso país passava por uma recente redemocratização, que veio acompanhada de uma série de dificuldades especialmente na área econômica, muito em reflexo do que os 21 anos de regime militar legaram. Nesse contexto, novamente um candidato de um partido pequeno, com um discurso demagógico e moralista, se apresentando como salvador, se elege presidente. Lembraram? Ele mesmo, Fernando Collor de Mello! E de forma semelhante a Jânio, toma uma série de medidas polêmicas, somadas a escândalos de corrupção e outras irregularidades, perde boa parte de sua base de apoio e acaba sofrendo um processo de impeachment e acaba saindo do cargo. Esse eu classifico como a farsa.

Pois bem, ano que vem é 2018, e estamos passando por situações socioeconômicas bem complicadas nesse instante e acredito estamos na possibilidade de, 29 anos novamente depois, colocarmos no poder um candidato de um partido pequeno com um discurso moralista e demagógico e se apresentando como salvador no poder. Isso que eu me refiro como a “tragédia da farsa”. Se vai acontecer? Bom, a figura em questão é muito de falar, mas pouco de fazer. Mas como quem muito fala e pouco faz, se achar que não terá condições de concorrer e para não perder a mamata que ocupa há pelo menos seis (!) mandatos consecutivos, pode ser que não venha, ou que seja tolhido da disputa por algo que se apresente como “novidade” no cenário eleitoral nacional.

Os nomes, se vocês que chegaram até aqui forem espertos o bastante, sacarão logo.

Loucura, loucura, loucura…

 

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História Regional da Infâmia

Fiz esse texto há 3 anos mas sempre fui meio receoso em publicar. Bom, enchi o saco de ver pessoas fazendo a manutenção de mentiras históricas… lá vai…

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Todo imaginário é real. Todo real é imaginário.

Sempre falo para meus alunos que a História não é uma ciência exata: aquilo que foi escrito por alguém há alguns anos atrás pode ser desconstruído futuramente por outro.

Mas existem assuntos que parecem intocáveis, que não podem ser mexidos, “Deus o livre” falar mal sobre este. O mais conhecido desses assuntos na História do Brasil é a Revolução Farroupilha, que durou de 1835 a 1845 no sul do país. Especialmente após a proclamação da República em 1889 e fortalecido com o Golpe Militar de 1964, o imaginário sobre este evento histórico se mantem, meio a fórceps, na mentalidade de muitos dos habitantes do RS.

Eu confesso que, quando mais jovem, antes de entrar para o curso de História (no primeiro ano do curso ainda mantive), fazia parte dessa “geleia ideológica” que envolvia esse assunto. Essa ideia do “orgulho gaúcho” e toda essa arrogância que muitos daqui possuem por terem nascido aqui e se acharem melhor que os outros por causa disso.

Mas eis que o tempo foi passando e fui tomando conhecimento de outros historiadores que começaram a desmistificar o que parecia “indesmitificável”, como Tau Golin, especialmente no seu “Manifesto contra o Tradicionalismo” (que pode ser encontrado na web facilmente) e em um livro didático intitulado “Nova História Crítica” (que por conter em um dos seus volumes críticas a Globo, foi execrado por um dos diretores desta, o nefasto Ali Kamel e foi escanteado na sutileza dos meios didáticos), especialmente quando dizia que Duque de Caxias só aceitou fazer acordo com os líderes do movimento por estes serem proprietários de terras e não negros pobres do Maranhão, como foi na Balaiada e que Caxias ordenou exterminar…

E eis que em 2010 o escritor e colunista do jornal Correio do Povo, Juremir Machado da Silva, após seis anos de pesquisa e consulta a 15 mil documentos lança o bombástico “História Regional da Infâmia: o destino dos negros farrapos e outras iniquidades brasileiras (ou como se produzem os imaginários)”.

Seria lógico que nos grandes meios de comunicação, especialmente nos ligados ao Grupo RBS, não mereceu uma linha sequer este assunto, afinal, quem mais coloca em evidência o assunto todo mês de setembro são eles. A consequência foi que muitos (inclusive eu) não ficaram sabendo da existência do livro, somente assistiu a um documentário na TVE sobre os negros de batalha de Porongos, onde o escritor dava seu ponto de vista e um historiador ligado ao MTG dava uma visão bem diferente sobre o assunto. Aliás, era visível o desconforto e a fúria deste último ao saber da opinião do Juremir Machado.

Bom, falando sobre o livro, eu havia lido as 30 páginas iniciais em um site. Mas a leitura dele é tão motivadora, tão fácil de compreender que acabei comprando a versão digital numa quarta-feira e na terça-feira seguinte terminei de ler. Pra resumi-lo um pouco pra vocês, ele desmistifica toda a Revolução Farroupilha, desde suas causas até sobre aqueles que o movimento endeusou ou condenou ao ostracismo. Além disso, compara o que outros pesquisadores escreveram sobre o assunto e as contradições que estes se colocavam ao argumentar, especialmente os defensores da Farroupilha.

No final, o autor cita outros fatos históricos brasileiros que mereceram uma parte muito elucidativa, como a Guerra do Paraguai, a Revolução Federalista de 1893-95 (que também ocorreu no RS e matou quase o triplo de gente que a Farroupilha, mas que é muito pouco divulgada nos livros didáticos), a Guerra de Canudos e a Revolta da Chibata.

Acredito que muitos que lerem este livro certamente irão odiá-lo e os motivos nem preciso dizer por quê…

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American Way of Life

Diante da possibilidade dos EUA invadirem a Líbia, apresento a vocês um breve histórico de INVASÕES das Forças Armadas dos EUA desde o século XIX. E não é pouco, vale ler até o fim

INVASÕES AMERICANAS NO MUNDO
Organizado por Alberto da Silva Jones (professor da UFSC):

Entre as várias INVASÕES das forças armadas dos Estados Unidos fizeram nos séculos XIX, XX e XXI, podemos citar:

1846 – 1848 – MÉXICO – Por causa da anexação, pelos EUA, da República do Texas
1890 – ARGENTINA – Tropas americanas desembarcam em Buenos Aires para
defender interesses econômicos americanos.
1891 – CHILE – Fuzileiros Navais esmagam forças rebeldes
nacionalistas.
1891 – HAITI – Tropas americanas debelam a revolta de operários
negros na ilha de Navassa, reclamada pelos EUA.
1893 – HAWAI – Marinha enviada para suprimir o reinado independente anexar o Hawaí aos EUA.
1894 – NICARÁGUA – Tropas ocupam Bluefields, cidade do mar do Caribe, durante um mês.
1894 – 1895 – CHINA – Marinha, Exército e Fuzileiros desembarcam no país durante a guerra sino-japonesa.
1894 – 1896 – CORÉIA – Tropas permanecem em Seul durante a guerra.
1895 – PANAMÁ – Tropas desembarcam no porto de Corinto, província Colombiana.
1898 – 1900 – CHINA – Tropas dos Estados Unidos ocupam a China durante a Rebelião Boxer.
1898 – 1910 – FILIPINAS – As Filipinas lutam pela independência do país, dominado pelos EUA (Massacres realizados por tropas americanas em Balangica, Samar, Filipinas – 27/09/1901 e Bud Bagsak, Sulu, Filipinas
11/15/1913) – 600.000 filipinos mortos.
1898 – 1902 – CUBA – Tropas sitiaram Cuba durante a guerra hispano-americana.
1898 – Presente – PORTO RICO – Tropas sitiaram Porto Rico na guerra hispano-americana, hoje ‘Estado Livre Associado’ dos Estados Unidos.
1898 – ILHA DE GUAM – Marinha americana desembarca na ilha e a mantêm como base naval até hoje.
1898 – ESPANHA – Guerra Hispano-Americana – Desencadeada pela misteriosa explosão do encouraçado Maine, em 15 de fevereiro, na Baía de Havana. Esta guerra marca o surgimento dos EUA como potência capitalista e militar mundial.
1898 – NICARÁGUA – Fuzileiros Navais invadem o porto de San Juan del Sur.
1899 – ILHA DE SAMOA – Tropas desembarcam e invadem a Ilha em conseqüência de conflito pela sucessão do trono de Samoa.
1899 – NICARÁGUA – Tropas desembarcam no porto de Bluefields e invadem a Nicarágua (2ª vez).
1901 – 1914 – PANAMÁ – Marinha apóia a revolução quando o Panamá reclamou independência da Colômbia; tropas americanas ocupam o canal em 1901, quando teve início sua construção.
1903 – HONDURAS – Fuzileiros Navais americanos desembarcam em Honduras e intervêm na revolução do povo hondurenho.
1903 – 1904 – REPÚBLICA DOMINICANA – Tropas norte americanas atacaram e invadiram o território dominicano para proteger interesses do capital americano durante a revolução.
1904 – 1905 – CORÉIA – Fuzileiros Navais dos Estados Unidos desembarcaram no território coreano durante a guerra russo-japonesa.
1906 – 1909 – CUBA -Tropas dos Estados Unidos invadem Cuba e lutam contra o povo cubano durante período de eleições.
1907 – NICARÁGUA – Tropas americanas invadem e impõem a criação de um protetorado, sobre o território livre da Nicarágua.
1907 – HONDURAS – Fuzileiros Navais americanos desembarcam e ocupam Honduras durante a guerra de Honduras com a Nicarágua.
1908 – PANAMÁ – Fuzileiros Navais dos Estados Unidos invadem o Panamá durante período de eleições.
1910 – NICARÁGUA – Fuzileiros navais norte americanos desembarcam e invadem pela 3ª vez Bluefields e Corinto, na Nicarágua.
1911 – HONDURAS – Tropas americanas enviadas para proteger interesses americanos durante a guerra civil, invadem Honduras.
1911 – 1941 – CHINA – Forças do exército e marinha dos Estados Unidos invadem mais uma vez a China durante período de lutas internas repetidas.
1912 – CUBA – Tropas americanas invadem Cuba com a desculpa de proteger interesses americanos em Havana.
1912 – PANAMÁ – Fuzileiros navais americanos invadem novamente o Panamá e ocupam o país durante eleições presidenciais.
1912 – HONDURAS – Tropas norte americanas mais uma vez invadem Honduras para proteger interesses do capital americano.
1912 – 1933 – NICARÁGUA – Tropas dos Estados Unidos com a desculpa de combaterem guerrilheiros invadem e ocupam o país durante 20 anos.
1913 – MÉXICO – Fuzileiros da Marinha americana invadem o México com a desculpa de evacuar cidadãos americanos durante a revolução.
1913 – MÉXICO – Durante a Revolução mexicana, os Estados Unidos bloqueiam as fronteiras mexicanas em apoio aos revolucionários.
1914 – 1918 – PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL – Os EUA entram no conflito em 6 de abril de 1917 declarando guerra à Alemanha. As perdas americanas chegaram a 114 mil homens.
1914 – REPÚBLICA DOMINICANA – Fuzileiros navais da Marinha dos Estados invadem o solo dominicano e interferem na revolução do povo dominicano em Santo Domingo.
1914 – 1918 – MÉXICO – Marinha e exército dos Estados Unidos invadem o território mexicano e interferem na luta contra nacionalistas.
1915 – 1934 – HAITI– Tropas americanas desembarcam no Haiti, em 28 de julho, e transformam o país numa colônia americana, permanecendo lá durante 19 anos.
1916 – 1924 – REPÚBLICA DOMINICANA – Os EUA invadem e estabelecem um governo militar na República Dominicana, em 29 de novembro, ocupando o país durante oito anos.
1917 – 1933 – CUBA – Tropas americanas desembarcam em Cuba, e transformam o país num protetorado econômico americano, permanecendo essa ocupação por 16 anos.
1918 – 1922 – RÚSSIA – Marinha e tropas americanas enviadas para combater a revolução Bolchevista. O Exército realizou cinco desembarques, sendo derrotado pelos russos em todos eles.
1919 – HONDURAS – Fuzileiros norte americanos desembarcam e invadem mais uma vez o país durante eleições, colocando no poder um governo a seu serviço.
1918 – IUGOSLÁVIA – Tropas dos Estados Unidos invadem a Iugoslávia e intervêm ao lado da Itália contra os sérvios na Dalmácia.
1920 – GUATEMALA – Tropas americanas invadem e ocupam o país durante greve operária do povo da Guatemala.
1922 – TURQUIA – Tropas norte americanas invadem e combatem nacionalistas turcos em Smirna.
1922 – 1927 – CHINA – Marinha e Exército americano mais uma vez invadem a China durante revolta nacionalista.
1924 – 1925 – HONDURAS – Tropas dos Estados Unidos desembarcam e invadem Honduras duas vezes durante eleição nacional.
1925 – PANAMÁ – Tropas americanas invadem o Panamá para debelar greve geral dos trabalhadores panamenhos.
1927 – 1934 – CHINA – Mil fuzileiros americanos desembarcam na China durante a guerra civil local e permanecem durante sete anos, ocupando o território chinês.
1932 – EL SALVADOR – Navios de Guerra dos Estados Unidos são deslocados durante a revolução das Forças do Movimento de Libertação Nacional – FMLN –
comandadas por Marti.
1939 – 1945 – SEGUNDA GUERRA MUNDIAL – Os EUA declaram guerra ao Japão em 8 de dezembro de 1941 e depois a Alemanha e Itália, invadindo o Norte da África, a Ásia e a Europa, culminando com o lançamento das bombas atômicas sobre as cidades desmilitarizadas de Iroshima e Nagasaki.
1946 – IRÃ – Marinha americana ameaça usar artefatos nucleares contra tropas soviéticas caso as mesmas não abandonem a fronteira norte do Irã.
1946 – IUGOSLÁVIA – Presença da marinha americana ameaçando invadir a zona costeira da Iugoslávia em resposta a um avião espião dos Estados Unidos abatido pelos soviéticos.
1947 – 1949 – GRÉCIA – Operação de invasão de Comandos dos EUA garantem vitória da extrema direita nas “eleições” do povo grego.
1947 – VENEZUELA – Em um acordo feito com militares locais, os EUA invadem e derrubam o presidente eleito Rómulo Gallegos, como castigo por ter aumentado o preço do petróleo exportado, colocando um ditador no poder.
1948 – 1949 – CHINA – Fuzileiros americanos invadem pela ultima vez o território chinês para evacuar cidadãos americanos antes da vitória comunista.
1950 – PORTO RICO – Comandos militares dos Estados Unidos ajudam a esmagar a revolução pela independência de Porto Rico, em Ponce.
1951 – 1953 – CORÉIA – Início do conflito entre a República Democrática da Coréia (Norte) e República da Coréia (Sul), na qual cerca de 3 milhões de pessoas morreram. Os Estados Unidos são um dos principais
protagonistas da invasão usando como pano de fundo a recém criada Nações Unidas, ao lado dos sul-coreanos. A guerra termina em julho de 1953 sem vencedores e com dois estados polarizados: comunistas ao norte e um governo pró-americano no sul. Os EUA perderam 33 mil homens e mantém até hoje base militar e aero-naval na Coréia do Sul.
1954 – GUATEMALA – Comandos americanos, sob controle da CIA, derrubam o presidente Arbenz, democraticamente eleito, e impõem uma ditadura militar no país. Jacobo Arbenz havia nacionalizado a empresa United Fruit e impulsionado a Reforma Agrária.
1956 – EGITO – O presidente Nasser nacionaliza o canal de Suez. Tropas americanas se envolvem durante os combates no Canal de Suez sustentados pela Sexta Frota dos EUA. As forças egípcias obrigam a coalizão franco-israelense-britânica, a retirar-se do canal.
1958 – LÍBANO – Forças da Marinha americana invadem apóiam o exército de ocupação do Líbano durante sua guerra civil.
1958 – PANAMÁ – Tropas dos Estados Unidos invadem e combatem manifestantes nacionalistas panamenhos.
1961 – 1975 – VIETNÃ. Aliados ao sul-vietnamitas, o governo americano invade o Vietnã e tenta impedir, sem sucesso, a formação de um estado comunista, unindo o sul e o norte do país. Inicialmente a participação americana se restringe a ajuda econômica e militar (conselheiros e material bélico). Em agosto de 1964, o congresso americano autoriza o presidente a lançar os EUA em guerra. Os Estados Unidos deixam de ser simples consultores do exército do Vietnã do Sul e entram num conflito traumático,
que afetaria toda a política militar dali para frente. A morte de quase 60 mil jovens americanos e a humilhação imposta pela derrota do Sul em 1975, dois anos depois da retirada dos Estados Unidos, moldou a estratégia futura de evitar guerras que impusessem um custo muito alto de vidas americanas e nas quais houvesse inimigos difíceis de derrotar de forma convencional, como os vietcongues e suas táticas de guerrilhas.
1962 – LAOS – Militares americanos invadem e ocupam o Laos durante guerra civil contra guerrilhas do Pathet Lao.
1964 – PANAMÁ – Militares americanos invadiram mais uma vez o Panamá e mataram 20 estudantes, ao reprimirem a manifestação em que os jovens queriam trocar, na zona do canal, a bandeira americana pela bandeira e seu país.
1965 – 1966 – REPÚBLICA DOMINICANA – Trinta mil fuzileiros e pára-quedistas norte americanos desembarcaram na capital do país São Domingo para impedir a nacionalistas panamenhos de chegarem ao poder. A CIA conduz Joaquín Balaguer à presidência, consumando um golpe de estado que depôs o presidente eleito Juan Bosch. O país já fora ocupado pelos americanos de 1916 a 1924.
1966 – 1967 – GUATEMALA – Boinas Verdes e marines americanos invadem o país para combater movimento revolucionário contrario aos interesses econômicos do capital americano.
1969 – 1975 – CAMBOJA – Militares americanos enviados depois que a Guerra do Vietnã invadem e ocupam o Camboja.
1971 – 1975 – LAOS – EUA dirigem a invasão sul-vietnamita bombardeando o território do vizinho Laos, justificando que o país apoiava o povo vietnamita em sua luta contra a invasão americana.
1975 – CAMBOJA – 28 marines americanos são mortos na tentativa de resgatar a tripulação do petroleiro estadunidense Mayaquez.
1980 – IRÃ – Na inauguração do estado islâmico formado pelo Aiatolá Khomeini, estudantes que haviam participado da Revolução Islâmica do Irã ocuparam a embaixada americana em Teerã e fizeram 60 reféns. O governo americano preparou uma operação militar surpresa para executar o resgate, frustrada por tempestades de areia e falhas em equipamentos. Em meio à frustrada operação, oito militares americanos morreram no choque entre um helicóptero e um avião. Os reféns só seriam libertados um ano depois do seqüestro, o que enfraqueceu o então presidente Jimmy Carter e elegeu Ronald Reagan, que conseguiu aprovar o maior orçamento militar em época de paz até então.*
1982 – 1984 – LÍBANO – Os Estados Unidos invadiram o Líbano e se envolveram nos conflitos do Líbano logo após a invasão do país por Israel – e acabaram envolvidos na guerra civil que dividiu o país. Em 1980, os americanos supervisionaram a retirada da Organização pela Libertação da Palestina de Beirute. Na segunda intervenção, 1.800 soldados integraram uma força conjunta de vários países, que deveriam restaurar a ordem após o massacre de refugiados palestinos por libaneses aliados a Israel. O custo para os americanos foi a morte 241 fuzileiros navais, quando os libaneses explodiram um carro bomba perto de um quartel das forças americanas.
1983 – 1984 – ILHA DE GRANADA – Após um bloqueio econômico de quatro anos a CIA coordena esforços que resultam no assassinato do 1º Ministro Maurice Bishop. Seguindo a política de intervenção externa de Ronald Reagan, os Estados Unidos invadiram a ilha caribenha de Granada alegando prestar proteção a 600 estudantes americanos que estavam no país, as tropas eliminaram a influência de Cuba e da União Soviética sobre a política da ilha.
1983 – 1989 – HONDURAS – Tropas americanas enviadas para construir bases em regiões próximas à fronteira, invadem o Honduras
1986 – BOLÍVIA – Exército americano invade o território boliviano na justificativa de auxiliar tropas bolivianas em incursões nas áreas de cocaína.
1989 – ILHAS VIRGENS – Tropas americanas desembarcam e invadem as ilhas durante revolta do povo do país contra o governo pró-americano.
1989 – PANAMÁ – Batizada de Operação Causa Justa, a intervenção americana no Panamá foi provavelmente a maior batida policial de todos os tempos: 27 mil soldados ocuparam a ilha para prender o presidente panamenho, Manuel Noriega, antigo ditador aliado do governo americano. Os Estados Unidos justificaram a operação como sendo fundamental para proteger o Canal do Panamá, defender 35 mil americanos que viviam no país, promover a democracia e interromper o tráfico de drogas, que teria em Noriega seu líder na América Central. O ex-presidente cumpre prisão perpétua nos Estados Unidos.
1990 – LIBÉRIA – Tropas americanas invadem a Libéria justificando a evacuação de estrangeiros durante guerra civil.
1990 – 1991 – IRAQUE – Após a invasão do Iraque ao Kuwait, em 2 de agosto de 1990, os Estados Unidos com o apoio de seus aliados da Otan, decidem impor um embargo econômico ao país, seguido de uma coalizão anti-Iraque (reunindo além dos países europeus membros da Otan, o Egito e outros países árabes) que ganhou o título de “Operação Tempestade no Deserto”. As hostilidades começaram em 16 de janeiro de 1991, um dia depois do fim do prazo dado ao Iraque para retirar tropas do Kuwait. Para expulsar as forças iraquianas do Kuwait, o então presidente George Bush destacou mais de 500 mil soldados americanos para a Guerra do Golfo.
1990 – 1991 – ARÁBIA** SAUDITA – Tropas americanas destacadas para ocupar a Arábia Saudita que era base militar na guerra contra Iraque.
1992 – 1994 – SOMÁLIA – Tropas americanas, num total de 25 mil soldados, invadem a Somália como parte de uma missão da ONU para distribuir mantimentos para a população esfomeada. Em dezembro, forças militares norte-americanas (comando Delta e Rangers) chegam a Somália para intervir numa guerra entre as facções do então presidente Ali Mahdi Muhammad e tropas do general rebelde Farah Aidib. Sofrem uma fragorosa derrota militar nas ruas da capital do país.
1993 – IRAQUE -No início do governo Clinton, é lançado um ataque contra instalações militares iraquianas, em retaliação a um suposto atentado, não concretizado, contra o ex-presidente Bush, em visita ao Kuwait.
1994 – 1999 – HAITI – Enviadas pelo presidente Bill Clinton, tropas americanas ocuparam o Haiti na justificativa de devolver o poder ao presidente eleito Jean-Betrand Aristide, derrubado por um golpe, mas o
que a operação visava era evitar que o conflito interno provocasse uma onda de refugiados haitianos nos Estados Unidos.
1996 – 1997 – ZAIRE (EX REPÚBLICA DO CONGO) – Fuzileiros Navais americanos são enviados para invadir a área dos campos de refugiados Hutus onde a revolução congolesa ?Marines evacuam civis? iniciou.
1997 – LIBÉRIA – Tropas dos Estados Unidos invadem a Libéria justificando a necessidade de evacuar estrangeiros durante guerra civil sob fogo dos rebeldes.
1997 – ALBÂNIA – Tropas americanas invadem a Albânia para evacuarem estrangeiros.
2000 – COLÔMBIA – Marines e “assessores especiais” dos EUA iniciam o Plano Colômbia, que inclui o bombardeamento da floresta com um fungo transgênico fusarium axyporum (o “gás verde”).
2001 – AFEGANISTÃO – Os EUA bombardeiam várias cidades afegãs, em resposta ao ataque terrorista ao World Trade Center em 11 de setembro de 2001. Invadem depois o Afeganistão onde estão até hoje.
2003 – IRAQUE – Sob a alegação de Saddam Hussein esconder armas de destruição e financiar terroristas, os EUA iniciam intensos ataques ao Iraque. É batizada pelos EUA de “Operação Liberdade do Iraque” e por Saddam de “A Última Batalha”, a guerra começa com o apoio apenas da Grã-Bretanha, sem o endosso da ONU e sob protestos de manifestantes e de governos no mundo inteiro. As forças invasoras americanas até hoje estão no território iraquiano, onde a violência aumentou mais do que nunca.

Na América Latina, África e Ásia, os Estados Unidos invadiam países ou para depor governos democraticamente eleitos pelo povo, ou para dar apoio a ditaduras criadas e montadas pelos Estados Unidos, tudo em nome da “democracia” (deles).

 

Fonte: http://www.midiaindependente.org/pt/red/2007/09/392656.shtml?comment=on

Abraços

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Conceitos…

Essa semana comecei a preparar as aulas do 1° trimestre, que como comentei no post anterior, foram conteúdos que eu não havia lecionado ainda…

Pra 6a série foi tranquilo, tudo nos livros que tenho aqui comigo, conceitos básicos de História, fontes, calendários. Já pra 7a está sendo bem mais puxado: política, democracia, cidadania, ética, corrupção, ata, participação política, analfabeto político e por aí vai. Essa parte eu tive que recorrer à internet mesmo pra me salvar, está indo tudo bem até agora.

Esta terça eu vou começar a planejar o conteúdo da 8a série… E essa parte é bem marxista o conteúdo: modo de produção capitalista e socialista, com suas características e realidades socioeconômicas e todos os modos de produção desde a pré-história até hoje… Pra daí entrar nas condições para a formação do capitalismo.

Vai dar trabalho sim, mas é ótimo até, assim eu também aprendo essa parte, que não tive muito contato por falta de tempo e também, de certa forma, interesse mesmo…

Seguimos

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Carta a Geraldo Vandré

Bom , o que eu vou postar agora eu retirei do Jornal Correio Serrano de 14 de Dezembro de 1968, página 6.
Achei muito interessante para a disciplina de História do Brasil V, da profe Ana Colling.
Trata a respeito da resposta de um oficial do Exército Brasileiro à canção composta por Geraldo Vandré, "Pra dizer que não falei das flores".
Leiam e dêem a sua opinião.
 

Carta a Geraldo Vandré

            Do Cadete Basto. Forte Coimbra, 1° de Outubro de 1968.

 

            Caro Geraldo Vandré

            Achei muito interessante a sua música, deste último festival. Mesmo aqui, tão longe, soube da enorme publicidade em torno da melodia.

            Discordei, porém, da letra em alguns pontos e resolvi, por bem, escrever-lhe esta carta, para quando respondidas minhas dúvidas, melhor aprecia-las e compreende-las.

            Em primeiro lugar, o que você entende de Pátria, para dizer que nos quartéis se vive sem razão? Que mais você já fez nessa vida sem ser em troca de lucro, alguma coisa que o beneficiaria? O que é viver sem razão?

            Andar sertão adentro, sabendo que seu esforço é anônimo? E fazer isso por saber que é necessário, embora não se ganhe nada a mais?

            Será uma vida sem razão a dos homens que neste momento, como eu, em terras longínquas, ensinam sobre a cor da bandeira brasileira?

            Não será inútil a esse colosso se nesse momento, enquanto você canta a desordem, a anarquia e o derramamento de sangue de irmãos, alguém ensina a esses mesmos irmãos que – este lado do rio é nosso, não deixaremos ninguém atravessa-lo – perdido na imensidão da Selva Amazônica?

            E que há anos abrem estradas, seguindo em barracas e prosseguindo a obra, sacrificando suas vidas em meio ao terreno hostil, às doenças? Esses que ensinam os homens a ler, onde nenhum professor quer lecionar, vivem sem razão?

            Todos que passam uma, duas, três noites em claro, muitas vezes com o risco de vida, visando ao bem-estar comum, sem nada receberem a não ser o justo soldo, sem nenhum acréscimo a não ser o sentimento do dever cumprido, viverão também sem razão?

             Fazer do adolescente um homem útil à Pátria: transforma-lo de um contraído, muitas vezes subnutrido em um homem convicto de suas possibilidades. Faze-lo cidadão, em verdadeiro patriota, um guerreiro se for o caso – armas da paz e da ordem sob o sol escaldante, sob chuva torrencial, no frio das noites, das madrugadas, enfim, de todos os lugares onde a presença do Exército Brasileiro se fizer necessária. Fazer isso é viver sem razão?

            Aqui estou em Forte Coimbra, acho que você nunca ouviu falar deste lugar: mas certamente conhece Guarujá, Castelinho, Arpoador e vários bares onde você se inspira para dizer que o povo passa fome.

            Quero só pedir-lhe um favor: cante o que quiser, mas não coloque nada de Pátria no meio. Você não sabe o que é isso.

            A sua Pátria deve ser um copo de cerveja servida enquanto “bola” uma nova música, tentando desmoralizar os que, em silêncio, criam a tranqüilidade, a liberdade, mantém a democracia onde você fala o que quer.

            Num outro regime, você estaria, talvez, numa pedreira “dando duro” porque lá ninguém fica à toa cantando e vivendo na madrugada, na boêmia, sem nada produzir a não ser para si próprio.

            Você passará. O povo esquece depressa. Sua música causa sensação, mas está esquecida. Duvido, porém, que meus soldados me esqueçam. Duvido que esqueçam, as horas duras que passamos eu e eles, produzindo juntos para o Brasil.

            Você é a cigarra e eu sou a formiga. Creio que isso dispensa comentários.

            Voltando ao começo, seria melhor que você se explicasse, pois assim entenderei melhor sua composição musical.

            Por enquanto, parece-me que existe alguém entre nós dois que vive sem razão, e este alguém é você.

            Agora, despeço-me, pois tenho muito o que fazer.

            Continuaremos a formar homens para o Brasil. Homens que como eu, se for preciso, verterão seu sangue, pelos ideais que muitos, pelos séculos, desse mesmo Exército, verteram, sob os lemas de: Liberdade, Integridade e Paz.

            E, em nossos quartéis, continuaremos ensinando, se preciso, morrer pela Pátria, porque assim não viveremos sem razão.

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Algumas notícias bem tendenciosas do Correio Serrano

Existiu em Ijuí, até meados da década de 1980, um jornal de nome "Correio Serrano". O Museu Antropológico Diretor Pestana da Unijuí possui edições desse jornal desde o início de sua publicação, no início do século XX até seu fechamento.
Esse jornal, que possuía inclusive edições exclusivamente em alemão (Die Serra Post), possuía um posicionamento político anti-comunista bem forte e bem visível aos olhos de um historiador atual.
Bom, esse acervo foi completamente digitalizado e hoje se encontra a disposição de interessados em fazer pesquisa histórica neste museu.
No 1° semestre de 2005, realizei uma pesquisa juntamente com o colega Nilo de notícias que falavam mal sobre atividades comunistas durante o período da Guera Fria, para um trabalho da disciplina de História Contemporânea II, com o Prof. Luis Carlos Boff.
Duas em especial achei mais interessantes: a primeira, é uma mensagem de ano-novo do Presidente JK ao povo brasileiro de 06/01/1960. Há poucos dias acabou uma minissérie da Globo, JK, onde mostrava uma visão romântica do Juscelino, onde tudo dava certo, que ele era uma pessoa exemplar, enfim…
A outra, de 23/01/1960, escrita por Al Neto, mostra um pouco da paranóia que foi feita na cabeça de muitos brasileiros no início dessa década, como a ameaça de uma revolução comunista no Brasil, coisa que a meu ver, jamais iria acontecer, apesar de eu ser um militante do Partido Comunista do Brasil, eu estou tendo uma visão histórica dos acontecimentos.
Bom, aí vão elas para que vocês tenham suas próprias opiniões.
 

            Mensagem de Ano Novo do Presidente JK

            Apesar de gripado, o presidente não deixou de enviar uma mensagem de Ano-Novo ao povo brasileiro. JK afirmou: “Estamos construindo uma nação grande e forte e rasgando novos horizontes para o Brasil”.

“Esse Brasil já não é o Brasil de quatro anos atrás. Graças aos esforços heróicos dos homens de boa vontade, dos que amam o trabalho e tanto me ajudaram.”

E arrematando, após citar as atividades subversivas do credo vermelho, sempre interessados em perturbar a ordem no país, disse em tom categórico: “Chegou a hora em que não mais se justifica tolerância para os promotores da desordem”. “Efetivamente o Brasil necessita de tranqüilidade de trabalho para fomentar a produção, fator indispensável para a solução dos problemas que afligem o povo.”

            (Correio Serrano, 06/01/1960)

 

            Sem Peneira, por Al Neto

Não é possível, nem prudente, tentar tapar o sol com uma peneira.

Por isso nós, latino-americanos, devemos reconhecer que o perigo comunista é um fato na América Latina.

Seria muito bom se pudéssemos simplesmente ignorar a existência da Rússia Soviética.

Ou se pudéssemos por um passe de mágica, cerrar nossas fronteiras à infiltração vermelha.

Mas isto não é possível.

A Rússia Soviética existe e não é provável que desapareça do mapa em futuro próximo.

Mais do que isto. A Rússia Soviética existe e está empenhada na conquista do mundo, inclusive a América Latina.

Os líderes comunistas de todos os tempos têm dito e reafirmado que o objetivo da política internacional russa deve ser a da expansão do comunismo.

Expansão do comunismo significa, pura e simplesmente, expansão do império moscovita.

Em várias partes do Hemisfério Ocidental têm se produzido, recentemente, agitações e perturbações da ordem.

Às vezes, essas agitações tomam a forma de ataques dirigidos contra outras nações do continente, numa tentativa óbvia de criar dissensões entre a família das Américas.

Um caso deste tipo foi o dos recentes distúrbios do Panamá, onde líderes de esquerda buscaram perturbar as conversações em progresso entre autoridades panamenhas e norte-americanas, promovendo atos de hostilidades aos Estados Unidos.

Outras vezes a agitação provocada pelos comunistas assume características locais bem definidas.

Neste caso estão as desordens promovidas no Equador e a agitação tentada no Brasil em torno da chamada “Crise da carne”.

Mas se não tentarmos tapar o sol com a peneira e reconhecermos, clara e francamente, que existe um perigo comunista na América Latina, creio que ele poderá ser dominado.

O povo latino-americano é visceralmente anti-comunista e se for bem informado, se os líderes verdadeiros não o deixarem ser envoltos pela propaganda vermelha, podemos ter razoável segurança de que a América Latina jamais cairá nas garras de Moscou ou seus agentes.

            (Correio Serrano, 23/01/1960)

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Por que acontecem as Revoluções?

Bom, esse texto eu escrevi pra um trabalho de História Contemporânea III, com o Professor Paulo Zarth e achei legal postar ele aqui hoje.
Feito!
 
Por que acontecem as Revoluções?
Essa é uma pergunta que muitos se fazem, mas poucos conseguem dar uma explicação concreta a respeito
 
Costuma gerar vários tipos de reação, dependendo de quem ouve essa palavrinha mágica.
 
As mais comuns costumam ser de caráter popular, outras costumam ter um caráter mais ideológico e costumam originarem-se de outras. Exemplos clássicos de revoluções que ecoaram em terras distantes foram as Revoluções Francesa, em 1789, e Russa, em 1917, que ocasionaram outras revoluções subseqüentes e que são consideradas marcos nas mudanças de formas de governo. A Francesa marca a mudança do Absolutismo para o poder no comando da burguesia, a classe média. Já a Russa marca a tomada do poder pelo proletariado, a classe operária.
 
Mas a primeira revolução de caráter burguês, de fato, foi a Revolução Gloriosa, na Inglaterra, no século XVII, onde o Parlamento é fortalecido frente à autoridade real.
 
Já no caso de revolução de caráter proletário, podemos considerar a Comuna de Paris, em 1871, como o primeiro grande governo socialista a ser implantado, infelizmente logo sendo reprimido e a burguesia volta ao poder.
 
Anterior à Comuna, em 1848, Marx e Engels escrevem o célebre "Manifesto Comunista", pequeno manual que serviria anos mais tarde como alicerce para as revoluções de caráter socialista. Nesta mesma época surgem os escritos anarquistas de Bakunin, que surgem como um meio um pouco diferente do comunismo de o proletariado chegar ao poder.
 
No início do século XX eclode a Primeira Guerra Mundia(1914-1918)l, onde os países participantes lutam pela ampliação de seus territórios. Mas poucos antes do final dela(1917), estoura a revolução socialista na Rússia e a posterior criação da União Soviética. Anos mais tarde, os socialistas chegam ao poder na China.
 
Logo após o fim da Primeira Guerra, em 1922, o fascista Benito Mussolini chega ao poder na Itália, dando a idéia de que o fascismo seria a "terceira via", contra o capitalismo e o comunismo. Com a crise da Bolsa de Valores de Nova Iorque em 1929, a economia européia desmorona ainda mais e isso propiciona a ascensão , alguns anos após, de governos fascistas na Espanha, Portugal, mas principalmente na Alemanha, derrotada na Primeira Guerra.
 
Os fascistas tinham ideais expansionistas, o que acabaria ocasionando a Segunda Grande Guerra. Mas com a guerra, os governos fascistas de Itália e Alemanha são derrubados.
 
A partir daí até o início da década de 1990, o mundo ficaria dividido entre a influência econômica e ideológica de Estados Unidos e União Soviética, a chamada Guerra Fria.

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