Arquivo da categoria: Crônicas e textos pessoais

Belchior

No início do mês passado, escrevi um pequeno ensaio em que falei que minha vida anda parecendo várias músicas do Belchior.

E hoje pela manhã, fico sabendo da triste notícia de seu falecimento, aos 70 anos, provavelmente de causas naturais, na cidade de Santa Cruz do Sul – RS, onde estava vivendo no anonimato há poucos anos.

Não vou aqui falar sobre os porquês dele ter escolhido sumir da exposição midiática, de não realizar shows, de se “exilar” por estas bandas daqui do Sul. Isso eu deixo para aqueles que conseguiram manter algum contato com ele nesse anos.

Vou aqui é engrandecer um dos maiores cantores e compositores que este país já conheceu. De canções que até hoje fazem sentido na vida de muitas pessoas que se identificam com as mesmas.

Na verdade, sempre ouvia suas músicas eventualmente nas rádios e em algumas trilhas de programas televisivos. Mas muito pouco, perto do que viria a conhecer depois que saí de São Borja para estudar, há 15 anos. E aí que pude entender o sentido de suas letras. Digo isso, pois Belchior, para fazer sucesso, saiu de sua terra, o Ceará, e veio para a região Sudeste, onde era o centro de difusão musical do Brasil. E muitas de suas letras falam justamente sobre a vida longe de seu local de origem.

Os discos “Alucinação” (1976) e “Coração Selvagem” (1977) eu os considero como os seus melhores, no final eu coloco um link aqui pra vocês escutarem. Há outras canções que, só de ouvir a introdução, já transmite muita emoção, como “Tudo Outra Vez”, “Paralelas”, dentre outras inúmeras, que fazem a gente refletir sobre a vida e o cotidiano.

Vale a penas vocês darem uma pesquisada na obra desse genial cantor e compositor. Vou parar por aqui, pois a emoção toma conta deste que vos escreve.

Disco “Alucinação” https://www.youtube.com/watch?v=4ppq20oqW9c

Disco “Coração Selvagem” https://www.youtube.com/watch?v=dGzXuHr9uf0

 

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A tragédia, a farsa e “a tragédia da farsa”

Tempos atrás, escrevi um texto em que usei uma frase do livro “O 18 Brumário de Luís Bonaparte”, de Karl Marx, creio que a mais conhecida dessa obra, logo no começo do livro: “A História se repete; a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa”. Mas confesso que, quando usei a frase em si, não tinha lido na íntegra todo o livro, tarefa que realizei durante minhas férias (apesar de terem sido um tanto quanto conturbadas, mas isso não é o assunto).

Levei uma semana para lê-lo, e entender o que Marx quis dizer com essa frase, levando em conta principalmente a História da França pós Napoleão. Há outros conceitos abordados no livro, como o famoso lumpen-proletariado, mas que não quero explicar aqui neste ensaio.

Ando analisando os movimentos políticos do Brasil desde muito tempo, venho percebendo que nós também tivemos nossos momentos de História se repetindo, e que estamos sob um sério risco de repetirmos novamente, por isso eu classifico tal como “a tragédia da farsa”.

Historicamente, nós sempre nos deparamos com personagens que, por possuírem certo carisma entre os seus, sempre apareceram como “salvadores da nação” (no caso, suas nações de origem ou próximas). Eu posso, tranquilamente, elencar alguns. Começo por Dom Sebastião I, jovem rei de Portugal que, durante uma batalha contra os mouros no Marrocos em 1578, faleceu e seu corpo jamais foi encontrado. Por não ter sido encontrado, criou-se entre a população mais carente de seu país a ideia de que um dia ele voltaria para salvar a nação. A gente chamou esse fenômeno de “sebastianismo” e tivemos aqui no Brasil, no fim do século XIX, um fenômeno enquadrado como tal, que foi o movimento liderado por Antônio Conselheiro.  Na França, o próprio Napoleão acabou surgindo como um salvador da pátria por liderar seus exércitos contra os inimigos externos da nação e acabou sendo apoiado pela burguesia a praticar o famoso Golpe do 18 Brumário (isso é assunto para outra pauta). E o exemplo mais recente que tivemos, na Itália e Alemanha do séc. XX com Mussolini e Hitler, respectivamente, dos quais temos centenas de publicações relatando os rumos que esses “salvadores” acabaram ocasionando em seus países.

Bem, mas vamos ao caso do Brasil, para que vocês entendam onde quero chegar com a tragédia, a farsa e a tragédia da farsa.

Em 1960, nosso país vivia o final do período JK, enfrentando sérias dificuldades financeiras e outras situações muito comuns a nosso país até hoje, como denúncias de corrupção. Nesse contexto, surge um candidato de um partido pequeno, com um discurso demagógico e moralista, no qual falava inclusive em “varrer a corrupção” do país, um salvador. Lembraram? Ele mesmo, Jânio Quadros. Se elegeu com uma votação esmagadora, assumiu tomando posições bastante contraditórias com seu discurso e, por não ter uma base política grande, acabou renunciando sete meses depois e o resultado disso tudo foi uma espiral de situações que culminaram com o Golpe Militar de 1964 e 21 anos de regime ditatorial. Essa eu classifico como a tragédia

29 anos depois, em 1989, nosso país passava por uma recente redemocratização, que veio acompanhada de uma série de dificuldades especialmente na área econômica, muito em reflexo do que os 21 anos de regime militar legaram. Nesse contexto, novamente um candidato de um partido pequeno, com um discurso demagógico e moralista, se apresentando como salvador, se elege presidente. Lembraram? Ele mesmo, Fernando Collor de Mello! E de forma semelhante a Jânio, toma uma série de medidas polêmicas, somadas a escândalos de corrupção e outras irregularidades, perde boa parte de sua base de apoio e acaba sofrendo um processo de impeachment e acaba saindo do cargo. Esse eu classifico como a farsa.

Pois bem, ano que vem é 2018, e estamos passando por situações socioeconômicas bem complicadas nesse instante e acredito estamos na possibilidade de, 29 anos novamente depois, colocarmos no poder um candidato de um partido pequeno com um discurso moralista e demagógico e se apresentando como salvador no poder. Isso que eu me refiro como a “tragédia da farsa”. Se vai acontecer? Bom, a figura em questão é muito de falar, mas pouco de fazer. Mas como quem muito fala e pouco faz, se achar que não terá condições de concorrer e para não perder a mamata que ocupa há pelo menos seis (!) mandatos consecutivos, pode ser que não venha, ou que seja tolhido da disputa por algo que se apresente como “novidade” no cenário eleitoral nacional.

Os nomes, se vocês que chegaram até aqui forem espertos o bastante, sacarão logo.

Loucura, loucura, loucura…

 

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Nas entrelinhas de Belchior

Há uma nuvem pairando o ar, que insiste em ficar. Mas eu não vou desistir. Haja o que houver, seguirei até o fim, antes de enlouquecer de vez.

“Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro
Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro”

Sim, diria que essa crise pré-34 tem uma trilha sonora baseada no cearense que sumiu. Como ele descreve momentos de nossa vida genialmente!

Voltaremos

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Texto escrito há um ano

No final de janeiro do ano passado, durante uma viagem de um dia para Porto Alegre, escrevi num caderno algumas observações sobre a cidade. Por desleixo, o texto acabou esquecido no caderno e esses dias, revirando meus materiais, achei ele. Vou postar abaixo. Mas não parece que a situação mudou muito, e não creio que com essa nova gestão mude muito. A esperar

“Porto Alegre.

Pegar o ônibus da meia-noite para Porto Alegre sempre corre-se o risco de chegar um pouco antes do previsto (6 da manhã). Então, 05:40 o ônibus para na estação rodoviária. Vim para um encontro sindical ligado aos professores da rede estadual. Que só começa às 9 horas.

O que fazer nesse tempo?

Dou um tempo na sala de espera, desço, tomo um café bem calmamente, escovo os dentes e saio. O local é perto, na Andradas, perto da Praça da Alfândega. Pegar um táxi ou sair a pé mesmo?

Antigamente eu faria a segunda opção sem pestanejar, de tantas vezes em que saí a pé pela capital. Mas tamanha a onda de violência que existe na região metropolitana, fico receoso. Mas decido arriscar e fazer o percurso a pé. Lembro vagamente o caminho, o qual passa pelo Mercado Público. Hoje, com a tecnologia, acesso o mapa no celular e logo vejo que estou indo no caminho certo. Sem medo, pelo fato de nunca ter sido assaltado na capital.

Minhas impressões iniciais pelo trajeto: como tem morador de rua; não que nunca tenha visto, mas a impressão é que hoje há mais do que das outras vezes que vim para cá nas últimas décadas. Eu tinha lido sobre essa situação, mas hoje pude comprovar.

Outra coisa que me chamou a atenção foi o abandono e a má conservação de muitos prédios do centro da cidade pelo caminho que fiz. Da mesma forma que havia citado anteriormente, mais do que em outros anos.

Não sei, mas me parece que a parte antiga, histórica, da capital foi abandonada nesses últimos 10, 12 anos, creio que para muitos que vivem cotidianamente por aqui, isso passe despercebido, mas como sou um bom observador, consigo notar diferenças. O que às vezes não é bom.

Hoje é jogo rápido. Logo estou voltando pra casa. Não vai dar tempo de ter mais impressões da nossa capital, que curto visitar, mas me falta tempo de ir em todos os lugares que gosto de ir.”

P.S: lembro de ter saído de POA às 19 horas, um pouco antes de iniciar um temporal que causou considerável destruição na capital. Dei sorte…

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Meu primeiro título

Minha última postagem foi no dia 16 de novembro. Foi uma espécie de desabafo sobre as coisas que vêm acontecendo nesse ano. Mas não é sobre isso que venho aqui escrever hoje, é sobre o que aconteceu no dia seguinte a última postagem, que foi legal pra caramba, talvez a coisa mais legal que ocorreu nesse ano comigo.

Esse ano teve uma coisa que pude voltar a fazer esse ano com mais frequência: jogar futebol. Sim, eu gosto de praticar, mas na medida em que fui crescendo e ficando menos habilidoso com os pés, acabei virando goleiro. Faz tempo, tá? Mas como vinha falando, nesse ano conseguimos manter um horário praticamente fixo e montar um time só com professores e brigadianos do Colégio Tiradentes. Toda quarta à tardinha têm rolado futebol, independente do tempo que está. Chegamos a jogar com 6ºC em determinada vez…

O campo sintético de futebol 7, pelas dimensões maiores do arco, fez com que eu precisasse me adaptar a ele, já que sempre defendi muito mais em quadra de salão. Aqui agradeço ao colega Oscar pelas dicas de posicionamento, o que me fez jogar melhor. Nas primeiras partidas precisei retomar ritmo de jogo, pois havia ficado um bom tempo sem poder jogar devido a uma lesão no joelho esquerdo, mas depois foi tranquilo. E por incrível que pareça, nesse meio tempo acabei entrando pra estatística dos que contraíram dengue em Ijuí, e parece que depois disso, comecei a jogar um pouco melhor. Normalmente, era uma jogo de professores e brigadianos contra alunos do colégio, ora de uma série, ora seleções. E demos muito cansaço na gurizada, chegando a ganharmos várias partidas, hehehehe.

Mas eis que veio o segundo semestre do ano e, devido a uma mudança no meu horário de trabalho na faculdade (de terça para quarta), não pude mais jogar com os meus colegas de CT. Por outro lado, isso me abriu a possibilidade de jogar novamente o Campeonato de Pais do Colégio Sagrado Coração de Jesus, o qual eu não jogava desde 2012, pois de 2013 a 2015 eu sempre tinha compromisso de aula nos dias que rolam os jogos do campeonato (terça e quinta).

Bem, fiz minha inscrição como goleiro, veio o sorteio dos times e acabei caindo num time chamado Uruguai, devido a temática deste ano, que era a de que os times teriam nome dos países da América do Sul. No total foram 8 times que se formaram para esta edição. Ao ver quem seriam meus companheiros de time, vi que a maioria deles eu conhecia e já tinha jogado ou no mesmo time ou contra em campeonatos anteriores.

E assim que saíram as escalações, começaram os comentários de que o time que fui sorteado era um candidato forte ao título. Bem, eu já joguei campeonatos com times fortes que quando chegaram na hora decisiva e foram eliminados. Aliás, de 2010 a 2012, os times que joguei eram sempre eliminados nas quartas-de-final… Esse ano tinha que ser diferente.

Os 10 do meu time: eu, Alexandre, Carlos, Marco, Clóvis, Nilson, Jairo, Moacir, Carmelo e o aluno Tiago, que sempre jogou de goleiro, mas devido a uma lesão no ombro foi pra linha esse ano.

Bom, vamos resumir um pouco da primeira fase. Primeiro jogo, contra o time Equador, vitória por 3×2, após sairmos vencendo por 2×0, cedermos o empate e marcar o gol da vitória faltando menos de 20 segundos pro fim do jogo. Segundo jogo, contra o time Venezuela, um verdadeiro desastre, derrota por 7×2 e parecia que a vaca ia pro brejo. Mas ainda era cedo e muitos dos nosso time não jogaram no começo do campeonato por motivos diversos. Terceiro jogo, contra o time Brasil, vitória por 4×2, já mostramos melhora no entrosamento. Quarto jogo, contra o time Bolívia, vitória por 9×3, sobrando em quadra. Quinto jogo, contra o time Argentina, derrota por 4×2, um jogo difícil, onde saímos levando 3, reduzimos pra dois mas no fim levamos mais um. Sexto jogo, contra o time Colômbia, o melhor time da primeira fase, o mais favorito ao título, empate em 1×1 e o jogo onde realizei “a defesa do campeonato”: bola cruzada rasteira na área, o jogador domina e chuta rasteiro no canto; o goleiro do outro lado já gritava gol e eis que eu me estico e tiro com a ponta dos dedos a bola quase em cima da linha. Há de se destacar que quem garantiu o resultado desse jogo foram os goleiros. Última rodada, vitória contra o time Paraguai por 8×6. Nesse último jogo, já tínhamos todos os atletas do time disponível e agora parecia que a coisa ia pra frente.

Fim de primeira fase. 4 vitórias, 1 empate e duas derrotas. Segunda melhor campanha, devido à vitória no confronto direto contra o time Brasil. Adversário para as quartas seria o time Paraguai, o qual goleamos na última rodada. Daí pra diante, jogos de ida e volta, sem vantagem de saldo.

Quartas-de-final. Talvez tenha sido a fase mais fácil. Duas vitória com folga, 8×4 na ida e 6×0 na volta. Sem desmerecer o adversário, mas não deixamos eles jogarem e eu joguei bem as duas. Nem lembro da última vez em que saí de um jogo sem levar gols… Os outros semifinalistas seriam Bolívia (que eliminaram o time Colômbia, de melhor campanha…), Argentina (que derrotaram o time Venezuela) e Equador (que eliminou o time Brasil, mais pelas expulsões deste time na partida de ida, aliás a arbitragem em alguns jogos do campeonato foi muito ruim, mas por um juiz em específico, que chegou ao ponto de ser afastado por uma rodada…)

Semifinal. Nosso adversário foi o Equador, o time que vencemos no primeiro jogo na primeira fase. Jogo de ida. Chuva forte do lado de fora. Goteiras na quadra. Várias interrupções pra secá-la. E um adversário que começou a explorar um ponto fraco meu: o chute de longa distância. Eis que depois de uma interrupção pra secar a quadra, um chute forte de longe, uma caída precipitada pra tentar defender o chute e gol deles. Dedo anelar da mão esquerda destroncado. Contraataque, erro de posicionamento defensivo e 2×0. Não era nós em quadra. Mas eis que descontamos antes do intervalo. Veio o segundo tempo, me redimi das falhas do primeiro e conseguimos buscar o empate no meio do tempo. E há menos de 30 segundos pro fim, a virada. 3×2.

Jogo da volta. 1×0 pra nós. Logo depois, cedemos o empate. Antes do intervalo, 2×1 pra nós. Na volta do intervalo, início de jogo, uma defesa crucial: erro de marcação, a bola sobra pro adversário, frente a frente comigo, chute forte, um jogador do outro time já gritando “Feito”, eis que defendo o chute, a bola bate na trave e vai pra escanteio. Sabe quando tu sente que o psicológico do adversário murcha? Algum tempo depois, marcamos o terceiro. Mas não acabava ali. Estouramos o limite de falta. Tiro livre. Menos de 3 minutos pro fim. Na cobrança, defendo chute forte e rasteiro com o pé. A bola vai pra escanteio. Na cobrança, a bola bate na mão do nosso fixo. Pênalti, gol, mas parou por aí. Outro 3×2. Final. Contra o time Argentina, que venceu com relativa folga o time Bolívia. E eis que chego à minha primeira final de campeonato.

Final. Jogo de ida. Adversário forte, que nos venceu na primeira fase. Um bom goleiro e um pivô, Jorge, que chuta bem com os dois pés. Pois bem, cobrança de falta, arrumo a barreira, mas me posiciono mal e eis que o Jorge chuta forte, de esquerda, no ângulo. 1×0. Eram uns 8 minutos de jogo. Logo depois, me atrapalho com o fixo Carlos, Jorge chuta fraco e dou rebote no pé dele. Aí não deu. 2×0. Senti o mundo desabando naquele instante. Me cobro muito quando jogo, me senti pior que nem sei o quê naquele instante. Mas no tempo técnico, o Moacir, me disse palavras motivadoras, disse pra confiar em mim que eu iria me redimir. No último minuto antes do intervalo o Clóvis desconta o placar. Segundo tempo, o jogo equilibrou, eu me recuperei emocionalmente e joguei um bom segundo tempo e, após defender um chute estranho em cima da linha no último minuto, conseguimos buscar o empate. 2×2. Vibramos muito, pela nossa capacidade de recuperação e entrega até o fim. Isso era dia 10 de novembro.

17 de novembro. Jogo da volta. Infelizmente, nosso companheiro Marco não conseguiu jogar a final devido a uma lesão que se agravou no jogo de ida. Mas era a hora de nos superarmos, de entrarmos concentrados e jogar  o nosso melhor futebol, o que sabíamos que podíamos jogar. No aquecimento em quadra eu estava muito concentrado, como nunca havia estado. Tinha superado a tensão antes de entrar em quadra. Tinha que ser hoje.

Ginásio com um bom público. Eis que o primeiro tempo começa. Equilibrado. Primeiro chute do Jorge, com 2 minutos, forte, desvia na defesa e eu caio pra esquerda pra jogar a bola pra escanteio. Esqueci de falar que no jogo da volta, destronquei o dedo médio da mão esquerda. Aguenta a dor, filho… Outros chutes, outras defesas. Nosso time tentando também do outro lado. Eis que na única falha de marcação, levamos um gol aos 7 minutos. Sem culpa, não era hora de se abater. Quando estava a 13, 14 minutos do primeiro tempo, paramos o jogo, pedimos um tempo técnico. Antes disso, eu tinha feito uma defesa difícil, chute no ângulo, que tirei com a ponta do dedo. Na volta do tempo técnico, voltamos melhor do que já começávamos a demonstrar e o Tiago ao 17 empatou e o Nilson aos 18:30 virou o jogo pra nós. Cara, eu vibrei pra caramba nesse instante, chamei a torcida pro nosso lado e pra mim. Mais uma boa defesa antes do intervalo.

Era a primeira vez que íamos para o intervalo de um jogo contra o time Argentina com vantagem no placar. Falei que agora era a nossa hora, que era a gente jogar o nosso jogo que a vitória viria.

E no segundo tempo, a estrela do Alexandre brilhou. Ele não estava 100% naquela noite, mas já havia feito 12 gols no campeonato. Nosso fixo Carlos tinha 15. Aos 7 minutos o Carlos chutou a bola dentro da área e o adversário tirou com a mão. Pênalti. O Alexandre encheu o pé e fez o terceiro. E aos 9 o Alexandre aumentou o placar. E a nossa defesa jogando tudo atrás, e quando passava por eles, eu dei conta. Essa foi a melhor partida da minha vida, a minha melhor atuação. Levamos o segundo gol aos 12, mas aos 15, lancei uma bola pra frente, o Nilson dominou e o Alexandre saiu em diagonal pra receber o passe, chutar forte e fazer o quinto. E pra fechar o segundo tempo de luxo, o Alexandre marcou o sexto aos 19. 6×2, placar final. Campeão do 22º Campeonato de Pais do CSCJ.

Meu primeiro título.

13 jogos, 9 vitórias, 2 empates e 2 derrotas. 57 gols marcados, 36 gols sofridos. Não tivemos o artilheiro, mas Tiago marcou 14, Carlos 15 e Alexandre 16 gols. O goleador teve 17. O goleiro menos vazado sofreu 32 gols em 12 jogos. A média dele foi um pouco menos que a minha. Sem problemas quanto a essas premiações. O mais importante havia sido feito, em breve a nossa foto constará no mural dos campeões.

Mas nada disso seria possível sem o grupo que tínhamos, o “cano de time”, segundo alguns comentários: desde o mais habilidoso ao menos habilidoso (que só entrava os 5 minutos que tinha por obrigação, mas que também dava o seu melhor, dentro das possibilidades), todos foram incríveis, motivando, apoiando nos erros e acertos durante o campeonato. A medalha no final e o vínculo de amizade formado nesses  dois meses de torneio foram muito importantes e certamente irei lembrar por um bom tempo.

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Difícil

Esse ano tem sido ruim. Em muitos aspectos. Parece clichê falar isso quando faltam 45 dias pra acabar o ano, mas é uma constatação iminente. Muita coisa deu errado. Se eu for parar pra pensar, colocar na balança, as coisas até deram mais certas do que erradas, mas as erradas abalaram tanto que se sobrepuseram.

Textos e ideias que não saíram e que não foram pro papel, previsões orçamentárias fracassadas, carestia, crises políticas (sim, como não se sentir atingido, até pelo parcelamento salarial que venho tendo enquanto servidor público estadual?), obsolescência programada… Tudo afeta, saca? A cabeça sente, o humor altera, a paciência bate no teto, o desânimo incomoda…

Eu torço e muito para que esse ano termine de uma vez, e que, se eu não conseguir resolver as pendências que tenho deste ano que começa a findar, que pelo menos eu consiga resolver a maioria delas.

2017 é logo ali, e a gente sempre alimenta a esperança de que o próximo ano será melhor.

Paz

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Dia Zero

31 de agosto de 2016: por 61 votos a 20 no Senado vota a favor do impeachment da presidenta eleita Dilma. Perde em definitivo o cargo e assume seu vice, Temer.

31 de agosto de 1961: João Goulart retornava ao Brasil de uma viagem para a China, 6 dias depois do presidente Jânio Quadros renunciar ao cargo de presidente, numa manobra até hoje mal-explicada, mas que cheira muito a uma tentativa de golpe dele para permanecer no poder. Parte do Exército não apoiava que Jango, o vice, assumisse o cargo. Tentaram o golpe ali, não deu outra vez, como não havia dado em 1954 e 1955.

Jango acabou aceitando a solução parlamentarista, bem a contragosto, para evitar, segundo suas palavras, um derramamento de sangue. Acabou assumindo com plenos poderes o cargo somente em 1963 e pouco mais de um ano depois, foi deposto por um golpe de Estado.

Sim, foi G-O-L-P-E!

Assim como cheira a golpe “envergonhado” o que foi consumado hoje. Sim, pois tudo o que aconteceu hoje estava certo e sólido. O circo armado, as pessoas a interrogar a presidenta, os discursos demagógicos, paranoicos e macarthistas cheirando a naftalina, tudo isso era só pra confirmar o que estava previsto.

E não há como fugir da citação de Karl Marx, em O 18 Brumário de Luís Bonaparte, a respeito disso: “A História se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”.

Digo que é “envergonhado” pois o processo, feito em duas votações, primeiro cassou em definitivo o mandato da presidenta; mas o segundo, que definia sobre a cassação de seus direitos políticos por 8 anos, não obteve êxito. É um resultado diferente do primeiro impeachment ocorrido no Brasil em 1992, onde Collor além do mandato, teve seus direitos políticos suspensos. Significa que, em 2018, se quiser, Dilma poderá concorrer ao cargo que quiser. Já Temer, o vice que assume, ao que parece, enquadrado na Lei da Ficha Limpa, não poderá concorrer. Que belo paradoxo…

Teremos, em tese, agora pela frente, dois anos e quatro meses de governo Temer. E o que vem sendo feito por seu grupo desde que assumiu o poder me assusta. Muito. Me sinto nos anos 90 do século passado, quando eu e minha família (e muitas outras) passamos por vários apertos. E vendo a agenda de governo dos ministros indicados (só homens) e a velha subserviência aos EUA…

Não reconheço esse presidente, não me representa. E não me venham com esse papo de que eu ajudei a votar nele. Votei nela pelo projeto, não por causa dele e de seu partido oportunista de muito tempo. Aqui em Ijuí que o digam… mas acho melhor parar por aqui. Essa coisa toda me deprime, me faz ter náuseas de algumas pessoas. Mas também me faz ter orgulho da posição de alguns amigos e outras pessoas a quem pude manter uma boa relação.

Ah, o título é Dia Zero pois hoje é o dia desse novo tempo temerário. Amanhã é o Dia 1, e não só por ser 01 de setembro, mas o primeiro dia oficial dessa canalha no poder.

Que tenhamos força e garra para resistir ao que virá…

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