Meu primeiro título

Minha última postagem foi no dia 16 de novembro. Foi uma espécie de desabafo sobre as coisas que vêm acontecendo nesse ano. Mas não é sobre isso que venho aqui escrever hoje, é sobre o que aconteceu no dia seguinte a última postagem, que foi legal pra caramba, talvez a coisa mais legal que ocorreu nesse ano comigo.

Esse ano teve uma coisa que pude voltar a fazer esse ano com mais frequência: jogar futebol. Sim, eu gosto de praticar, mas na medida em que fui crescendo e ficando menos habilidoso com os pés, acabei virando goleiro. Faz tempo, tá? Mas como vinha falando, nesse ano conseguimos manter um horário praticamente fixo e montar um time só com professores e brigadianos do Colégio Tiradentes. Toda quarta à tardinha têm rolado futebol, independente do tempo que está. Chegamos a jogar com 6ºC em determinada vez…

O campo sintético de futebol 7, pelas dimensões maiores do arco, fez com que eu precisasse me adaptar a ele, já que sempre defendi muito mais em quadra de salão. Aqui agradeço ao colega Oscar pelas dicas de posicionamento, o que me fez jogar melhor. Nas primeiras partidas precisei retomar ritmo de jogo, pois havia ficado um bom tempo sem poder jogar devido a uma lesão no joelho esquerdo, mas depois foi tranquilo. E por incrível que pareça, nesse meio tempo acabei entrando pra estatística dos que contraíram dengue em Ijuí, e parece que depois disso, comecei a jogar um pouco melhor. Normalmente, era uma jogo de professores e brigadianos contra alunos do colégio, ora de uma série, ora seleções. E demos muito cansaço na gurizada, chegando a ganharmos várias partidas, hehehehe.

Mas eis que veio o segundo semestre do ano e, devido a uma mudança no meu horário de trabalho na faculdade (de terça para quarta), não pude mais jogar com os meus colegas de CT. Por outro lado, isso me abriu a possibilidade de jogar novamente o Campeonato de Pais do Colégio Sagrado Coração de Jesus, o qual eu não jogava desde 2012, pois de 2013 a 2015 eu sempre tinha compromisso de aula nos dias que rolam os jogos do campeonato (terça e quinta).

Bem, fiz minha inscrição como goleiro, veio o sorteio dos times e acabei caindo num time chamado Uruguai, devido a temática deste ano, que era a de que os times teriam nome dos países da América do Sul. No total foram 8 times que se formaram para esta edição. Ao ver quem seriam meus companheiros de time, vi que a maioria deles eu conhecia e já tinha jogado ou no mesmo time ou contra em campeonatos anteriores.

E assim que saíram as escalações, começaram os comentários de que o time que fui sorteado era um candidato forte ao título. Bem, eu já joguei campeonatos com times fortes que quando chegaram na hora decisiva e foram eliminados. Aliás, de 2010 a 2012, os times que joguei eram sempre eliminados nas quartas-de-final… Esse ano tinha que ser diferente.

Os 10 do meu time: eu, Alexandre, Carlos, Marco, Clóvis, Nilson, Jairo, Moacir, Carmelo e o aluno Tiago, que sempre jogou de goleiro, mas devido a uma lesão no ombro foi pra linha esse ano.

Bom, vamos resumir um pouco da primeira fase. Primeiro jogo, contra o time Equador, vitória por 3×2, após sairmos vencendo por 2×0, cedermos o empate e marcar o gol da vitória faltando menos de 20 segundos pro fim do jogo. Segundo jogo, contra o time Venezuela, um verdadeiro desastre, derrota por 7×2 e parecia que a vaca ia pro brejo. Mas ainda era cedo e muitos dos nosso time não jogaram no começo do campeonato por motivos diversos. Terceiro jogo, contra o time Brasil, vitória por 4×2, já mostramos melhora no entrosamento. Quarto jogo, contra o time Bolívia, vitória por 9×3, sobrando em quadra. Quinto jogo, contra o time Argentina, derrota por 4×2, um jogo difícil, onde saímos levando 3, reduzimos pra dois mas no fim levamos mais um. Sexto jogo, contra o time Colômbia, o melhor time da primeira fase, o mais favorito ao título, empate em 1×1 e o jogo onde realizei “a defesa do campeonato”: bola cruzada rasteira na área, o jogador domina e chuta rasteiro no canto; o goleiro do outro lado já gritava gol e eis que eu me estico e tiro com a ponta dos dedos a bola quase em cima da linha. Há de se destacar que quem garantiu o resultado desse jogo foram os goleiros. Última rodada, vitória contra o time Paraguai por 8×6. Nesse último jogo, já tínhamos todos os atletas do time disponível e agora parecia que a coisa ia pra frente.

Fim de primeira fase. 4 vitórias, 1 empate e duas derrotas. Segunda melhor campanha, devido à vitória no confronto direto contra o time Brasil. Adversário para as quartas seria o time Paraguai, o qual goleamos na última rodada. Daí pra diante, jogos de ida e volta, sem vantagem de saldo.

Quartas-de-final. Talvez tenha sido a fase mais fácil. Duas vitória com folga, 8×4 na ida e 6×0 na volta. Sem desmerecer o adversário, mas não deixamos eles jogarem e eu joguei bem as duas. Nem lembro da última vez em que saí de um jogo sem levar gols… Os outros semifinalistas seriam Bolívia (que eliminaram o time Colômbia, de melhor campanha…), Argentina (que derrotaram o time Venezuela) e Equador (que eliminou o time Brasil, mais pelas expulsões deste time na partida de ida, aliás a arbitragem em alguns jogos do campeonato foi muito ruim, mas por um juiz em específico, que chegou ao ponto de ser afastado por uma rodada…)

Semifinal. Nosso adversário foi o Equador, o time que vencemos no primeiro jogo na primeira fase. Jogo de ida. Chuva forte do lado de fora. Goteiras na quadra. Várias interrupções pra secá-la. E um adversário que começou a explorar um ponto fraco meu: o chute de longa distância. Eis que depois de uma interrupção pra secar a quadra, um chute forte de longe, uma caída precipitada pra tentar defender o chute e gol deles. Dedo anelar da mão esquerda destroncado. Contraataque, erro de posicionamento defensivo e 2×0. Não era nós em quadra. Mas eis que descontamos antes do intervalo. Veio o segundo tempo, me redimi das falhas do primeiro e conseguimos buscar o empate no meio do tempo. E há menos de 30 segundos pro fim, a virada. 3×2.

Jogo da volta. 1×0 pra nós. Logo depois, cedemos o empate. Antes do intervalo, 2×1 pra nós. Na volta do intervalo, início de jogo, uma defesa crucial: erro de marcação, a bola sobra pro adversário, frente a frente comigo, chute forte, um jogador do outro time já gritando “Feito”, eis que defendo o chute, a bola bate na trave e vai pra escanteio. Sabe quando tu sente que o psicológico do adversário murcha? Algum tempo depois, marcamos o terceiro. Mas não acabava ali. Estouramos o limite de falta. Tiro livre. Menos de 3 minutos pro fim. Na cobrança, defendo chute forte e rasteiro com o pé. A bola vai pra escanteio. Na cobrança, a bola bate na mão do nosso fixo. Pênalti, gol, mas parou por aí. Outro 3×2. Final. Contra o time Argentina, que venceu com relativa folga o time Bolívia. E eis que chego à minha primeira final de campeonato.

Final. Jogo de ida. Adversário forte, que nos venceu na primeira fase. Um bom goleiro e um pivô, Jorge, que chuta bem com os dois pés. Pois bem, cobrança de falta, arrumo a barreira, mas me posiciono mal e eis que o Jorge chuta forte, de esquerda, no ângulo. 1×0. Eram uns 8 minutos de jogo. Logo depois, me atrapalho com o fixo Carlos, Jorge chuta fraco e dou rebote no pé dele. Aí não deu. 2×0. Senti o mundo desabando naquele instante. Me cobro muito quando jogo, me senti pior que nem sei o quê naquele instante. Mas no tempo técnico, o Moacir, me disse palavras motivadoras, disse pra confiar em mim que eu iria me redimir. No último minuto antes do intervalo o Clóvis desconta o placar. Segundo tempo, o jogo equilibrou, eu me recuperei emocionalmente e joguei um bom segundo tempo e, após defender um chute estranho em cima da linha no último minuto, conseguimos buscar o empate. 2×2. Vibramos muito, pela nossa capacidade de recuperação e entrega até o fim. Isso era dia 10 de novembro.

17 de novembro. Jogo da volta. Infelizmente, nosso companheiro Marco não conseguiu jogar a final devido a uma lesão que se agravou no jogo de ida. Mas era a hora de nos superarmos, de entrarmos concentrados e jogar  o nosso melhor futebol, o que sabíamos que podíamos jogar. No aquecimento em quadra eu estava muito concentrado, como nunca havia estado. Tinha superado a tensão antes de entrar em quadra. Tinha que ser hoje.

Ginásio com um bom público. Eis que o primeiro tempo começa. Equilibrado. Primeiro chute do Jorge, com 2 minutos, forte, desvia na defesa e eu caio pra esquerda pra jogar a bola pra escanteio. Esqueci de falar que no jogo da volta, destronquei o dedo médio da mão esquerda. Aguenta a dor, filho… Outros chutes, outras defesas. Nosso time tentando também do outro lado. Eis que na única falha de marcação, levamos um gol aos 7 minutos. Sem culpa, não era hora de se abater. Quando estava a 13, 14 minutos do primeiro tempo, paramos o jogo, pedimos um tempo técnico. Antes disso, eu tinha feito uma defesa difícil, chute no ângulo, que tirei com a ponta do dedo. Na volta do tempo técnico, voltamos melhor do que já começávamos a demonstrar e o Tiago ao 17 empatou e o Nilson aos 18:30 virou o jogo pra nós. Cara, eu vibrei pra caramba nesse instante, chamei a torcida pro nosso lado e pra mim. Mais uma boa defesa antes do intervalo.

Era a primeira vez que íamos para o intervalo de um jogo contra o time Argentina com vantagem no placar. Falei que agora era a nossa hora, que era a gente jogar o nosso jogo que a vitória viria.

E no segundo tempo, a estrela do Alexandre brilhou. Ele não estava 100% naquela noite, mas já havia feito 12 gols no campeonato. Nosso fixo Carlos tinha 15. Aos 7 minutos o Carlos chutou a bola dentro da área e o adversário tirou com a mão. Pênalti. O Alexandre encheu o pé e fez o terceiro. E aos 9 o Alexandre aumentou o placar. E a nossa defesa jogando tudo atrás, e quando passava por eles, eu dei conta. Essa foi a melhor partida da minha vida, a minha melhor atuação. Levamos o segundo gol aos 12, mas aos 15, lancei uma bola pra frente, o Nilson dominou e o Alexandre saiu em diagonal pra receber o passe, chutar forte e fazer o quinto. E pra fechar o segundo tempo de luxo, o Alexandre marcou o sexto aos 19. 6×2, placar final. Campeão do 22º Campeonato de Pais do CSCJ.

Meu primeiro título.

13 jogos, 9 vitórias, 2 empates e 2 derrotas. 57 gols marcados, 36 gols sofridos. Não tivemos o artilheiro, mas Tiago marcou 14, Carlos 15 e Alexandre 16 gols. O goleador teve 17. O goleiro menos vazado sofreu 32 gols em 12 jogos. A média dele foi um pouco menos que a minha. Sem problemas quanto a essas premiações. O mais importante havia sido feito, em breve a nossa foto constará no mural dos campeões.

Mas nada disso seria possível sem o grupo que tínhamos, o “cano de time”, segundo alguns comentários: desde o mais habilidoso ao menos habilidoso (que só entrava os 5 minutos que tinha por obrigação, mas que também dava o seu melhor, dentro das possibilidades), todos foram incríveis, motivando, apoiando nos erros e acertos durante o campeonato. A medalha no final e o vínculo de amizade formado nesses  dois meses de torneio foram muito importantes e certamente irei lembrar por um bom tempo.

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