Dia Zero

31 de agosto de 2016: por 61 votos a 20 no Senado vota a favor do impeachment da presidenta eleita Dilma. Perde em definitivo o cargo e assume seu vice, Temer.

31 de agosto de 1961: João Goulart retornava ao Brasil de uma viagem para a China, 6 dias depois do presidente Jânio Quadros renunciar ao cargo de presidente, numa manobra até hoje mal-explicada, mas que cheira muito a uma tentativa de golpe dele para permanecer no poder. Parte do Exército não apoiava que Jango, o vice, assumisse o cargo. Tentaram o golpe ali, não deu outra vez, como não havia dado em 1954 e 1955.

Jango acabou aceitando a solução parlamentarista, bem a contragosto, para evitar, segundo suas palavras, um derramamento de sangue. Acabou assumindo com plenos poderes o cargo somente em 1963 e pouco mais de um ano depois, foi deposto por um golpe de Estado.

Sim, foi G-O-L-P-E!

Assim como cheira a golpe “envergonhado” o que foi consumado hoje. Sim, pois tudo o que aconteceu hoje estava certo e sólido. O circo armado, as pessoas a interrogar a presidenta, os discursos demagógicos, paranoicos e macarthistas cheirando a naftalina, tudo isso era só pra confirmar o que estava previsto.

E não há como fugir da citação de Karl Marx, em O 18 Brumário de Luís Bonaparte, a respeito disso: “A História se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”.

Digo que é “envergonhado” pois o processo, feito em duas votações, primeiro cassou em definitivo o mandato da presidenta; mas o segundo, que definia sobre a cassação de seus direitos políticos por 8 anos, não obteve êxito. É um resultado diferente do primeiro impeachment ocorrido no Brasil em 1992, onde Collor além do mandato, teve seus direitos políticos suspensos. Significa que, em 2018, se quiser, Dilma poderá concorrer ao cargo que quiser. Já Temer, o vice que assume, ao que parece, enquadrado na Lei da Ficha Limpa, não poderá concorrer. Que belo paradoxo…

Teremos, em tese, agora pela frente, dois anos e quatro meses de governo Temer. E o que vem sendo feito por seu grupo desde que assumiu o poder me assusta. Muito. Me sinto nos anos 90 do século passado, quando eu e minha família (e muitas outras) passamos por vários apertos. E vendo a agenda de governo dos ministros indicados (só homens) e a velha subserviência aos EUA…

Não reconheço esse presidente, não me representa. E não me venham com esse papo de que eu ajudei a votar nele. Votei nela pelo projeto, não por causa dele e de seu partido oportunista de muito tempo. Aqui em Ijuí que o digam… mas acho melhor parar por aqui. Essa coisa toda me deprime, me faz ter náuseas de algumas pessoas. Mas também me faz ter orgulho da posição de alguns amigos e outras pessoas a quem pude manter uma boa relação.

Ah, o título é Dia Zero pois hoje é o dia desse novo tempo temerário. Amanhã é o Dia 1, e não só por ser 01 de setembro, mas o primeiro dia oficial dessa canalha no poder.

Que tenhamos força e garra para resistir ao que virá…

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Crônicas e textos pessoais, Notícias e política, Sem categoria

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s