Tempos estranhos

Tempos estranhos estes em que estamos vivendo.

Por que chego a esta conclusão?

Muitas vezes, as coisas acontecem ao nosso redor e acabam passando despercebidas pela pressa que impomos a nós mesmos. E a preguiça que temos em analisar os fatos contribui ainda mais.

São tempos em que há liberdade para muita coisa, mas ao mesmo tempo é o momento onde muita gente age de forma muito semelhante, consome de modo semelhante, se veste de modo semelhante.

Onde os carros são quase todos iguais, com a mesma frente, o mesmo formato, independente da marca e onde duas cores predominam: preto e cinza (1). Um exemplo: pega os carros da GM de agora; todos com a mesma frente. Outro: Hilux, Amarok, S10 e Ranger, picapes de marcas diferentes, mas todos muito parecidos no design.

Tempos de amor líquido, em detrimento do que antes era sólido. Nosso ego gigante não nos permite encarar os problemas que ocorrem nos relacionamentos. Todo mundo a procura do príncipe ou da princesa encantada, perfeito, que deveria ser colocado num altar, de tão perfeito que a gente idealiza. Que não tenha nenhum defeito, que seja o nosso espelho, esquecendo que relacionamentos se constroem como uma parceria, com troca de aprendizados, dentre outras. E se não achar, a gente tenta outra vez. E outra, e outra, e outra vez…

Tempo que está nos deixando cada vez mais doente. Comemos mal, dormimos menos e mal, sentimos muitas dores. Mas, para tudo há solução: Paracetamol e Clonazepan (2). Remédio pra dor do corpo, remédio pra dor da alma…

Boa música é coisa rara de ser feita hoje em dia. Vivemos aprisionados a Tchereretchetches, tchutchatchas, lelelês, ai se eu te pego, dentre outras letras vazias e de mesmos acordes, onde quem dita o que é sucesso é um jogador de futebol recém-saído da adolescência. Nem o esporte, que é o nosso maior pão e circo escapa, maldita thiagoleifertização cheia de babaquices(3)…

E a juventude de agora, a que se intitula “Z”, esta que se diz a “geração do futuro”. Geração de saúde debilitada desde cedo, dopada de remédios desde cedo. Que se alimenta mal, que só se preocupa consigo própria, em colocar tag na liderança dos trend topics do Twitter, que não faz nada realmente produtivo e reclama da vida boa que muitas vezes desfruta. Humberto Gessinger, de certa forma, profetizou isso numa música lá por 1990: “A juventude brasileira, sem bandeira, sem fronteiras para defender”. Um bando de vampiros que odeiam sangue. Uma banda numa propaganda de refrigerantes.

Tudo anda tão banal nestes últimos tempos, tão chato.

Tempos estranhos estes…

P.S: Claro que ainda há muita coisa aí que nos salva, mas estas acabam sendo sucumbidas por esta onda alienante que nos é imposta.

(1) Nada contra quem tem carro nestas cores, só que é impossível não notar este fator das cores. Os mais antigos certamente lembram como os carros eram mais coloridos. Hoje em dia a gente se surpreende quando vê um carro num tom de cor destoante de preto ou cinza…

(2) Estes remédios são hoje, no Brasil, os mais vendidos. Um amigo médico me disse que o Paracetamol deteriora o fígado de uma forma que só com transplante resolve. Também disse que é um lobby da indústria farmacêutica dos EUA, contra a fórmula da Dipirona, que é originária da Alemanha.

(3) Escrevi, há algum tempo atrás, um texto intitulado “A babaquização do brasileiro”, que faço referência a este padrão jornalístico atual. Quer o link? Procura aqui neste singelo blog…

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1 comentário

Arquivado em Crônicas e textos pessoais

Uma resposta para “Tempos estranhos

  1. Lucas Fornasier

    Belo texto primo,

    Me chamou a atencao teu comentario sobre a dipirona e o paracetamol.
    Fiz parte durante 3 anos de um meio muito ingrato chamado “industria farmaceutica”.
    Essa tal “industria” age num nivel tao envolvente que manipula tudo onde se releciona de uma maneira muito eficaz, ao ponto de criar uma realidade compartilhada como “cientificamente comprovado”.
    Com relacao aos carros, tenho um carro prata, ou “cinza cedret” como a peugeot chama… Hehehe.
    Grande abraco

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