Obsolescência Programada

TV de Plasma > TV de LCD > TV de LED > TV 3D

Tá, por que eu coloquei essa sequencia na introdução do texto que posto hoje, depois de tanto tempo?

Para lembra-los que, da TV de Plasma até a TV 3D, atual objeto de desejo de muita gente, especialmente da classe média, não se passaram mais do que 10 anos. Aí fico me questionando: o que virá depois da 3D? E quem gastou uma nota preta pra comprar a “moderna TV de Plasma” há 10 anos atrás (lembro que valia uns 6 mil a mais barata)?

Outro exemplo que posso citar aqui são os telefones celulares. Há no máximo 4 anos atrás, o ápice dos celulares era o Nokia N95. Hoje o “top top” é o iPhone, seja lá qual for sua versão (3G, 3GS, 4, 5 ou o escambal). Tá bom, eu tenho um N95, mas comprei usado, afinal, quando lançaram ele, era só um objeto de desejo, um preço astronômico na época de seu lançamento. Ele não deve nada pra muito celular mais moderno que existe hoje, mas já não é topo de linha…

Analisando os dois exemplos acima, pode-se chegar a uma conclusão interessante: vivemos a pleno vapor a era da Obsolescência Programada. Como assim? Simples, meus caros: tudo tem um tempo de vida útil, um tempo pré-estabelecido de existir, de ser o mais moderno, para depois vir outra versão um pouco melhorada e a primeira versão se tornar “ultrapassada, obsoleta, que tem que jogar fora”.

Mas aí surge a questão ambiental da coisa toda: onde vai parar todo esse equipamento que foi descartado por não ser mais “o mais moderno”? Claro que aí tem de se acrescentar a questão dos computadores também, mas isso vocês veem todo o tempo acontecendo. Enfim, o planeta já está bem saturado de tanto lixo. E tem a questão populacional. Já estamos ali assim para chegarmos aos 7 bilhões de habitantes. Haja planeta!

Saindo um pouco da questão tecnológica, antes que saia algo mais moderno que o notebook o qual estou usando para escrever esse post (mas já existe algo mais moderno: o netbook e o iPad. Ai meu Deus, preciso comprar um iPad urgente #ironiaOn), eu pulo para uma questão da obsolescência programada que também acho interessante: os sucessos musicais.

“Ih, lá vem o Italo criticar os hits do momento!” Ok, no momento são os hits, mas em no máximo 10 anos vocês nem vão lembrar dos hits, ou então pensarem: “Putamerda, eu ouvia essa porcaria e achava o máximo!”.

Dias atrás, num exercício de puxar da lembrança coisas que ouvia há 10 anos me veio dois exemplos que eram sucessos. Alguns lembrarão: P.O. Box, grupo pop brasileiro, que fez relativo sucesso, aparecia em tudo quanto era programa de TV dominical e depois sumiram. Outro exemplo, dessa vez estrangeiro: os Hanson, três irmãos cabeludos, loiros, dos EUA.

O primeiro exemplo tocava seguido nas rádios. Quem aqui lembra de “Papo de Jacaré”? Lembro até que assisti ao show desses caras em 2000, no Recreativo São-borjense, lembro do chão do clube tremendo de tanto a multidão que lotava o salão pular no início do show. E eu lá, bem contente da vida. Putz, como pude? Mas fazer o quê, era o que tinha pra se curtir na época… Que fim deu esse grupo?

Já o segundo exemplo, as “loirinhas cabeludas” dos Hanson. Seu mais famoso hit chamava-se Mmmbop (ou coisa parecida com isso): “Umba, dip dap dap diuba, dirapa diuba, dip dapa diu, yê yé”, dizia o refrão, mais ou menos assim (Estou explodindo de rir enquanto faço essa “tradução” do refrão). Que fim deu? Pelo que sei, parece que um ainda segue cantando, os outros dois irmãos casaram e são pais de família hoje em dia… Não, eu nunca gostei dos Hanson, só estou usando como exemplo mesmo…

Tá, mas o que isso tem a ver com o que está aí hoje? Hoje vejo fazendo sucesso entre algumas adolescentes 3 irmãos também dos EUA, os Jonas Brothers (algumas alunas minhas odiarão isso). Caso bem semelhante aos Hanson: três irmãos, fazem sucesso entre as adolescentes e depois somem, casam, tem filhos e nunca mais tu ouve falar nada. Eu enquadro, sem temor, de no máximo 10 anos acontecerá isso com eles também. E quando forem adultas, as meninas pensarão igualmente assim: “Putamerda, eu ouvia essa porcaria e achava o máximo!”. Sei, exercício de futurologia num sábado é meio esquisito, mas aguardem isso. Ou o que foi feito do KLB, 3 irmãos, filhos do empresário da dupla Zezé e Luciano? Viraram candidatos a cargos políticos pelo DEM… E aí? Como faz?

Dias atrás eu assistia a uma entrevista do cantor Byafra (“voar, voar, subir, subir”) no programa da Marília Gabriela, no GNT. E o cara coloca uma questão interessante que também dá para enquadrar dentro da obsolescência programada: as “ondas do momento” na música brasileira. Dizia ele que, depois da morte do Chacrinha (para os mais jovens. Chacrinha tinha um programa de auditório que trazia e lançava muita coisa boa que existia nos anos 80: Ultraje a Rigor, Garotos da Rua, Byafra, dentre outros cantores e grupos de sucesso nos 80), a homogeneidade da música brasileira, que o Chacrinha conseguia harmonizar no seu programa, foi pro espaço. E aí começaram as “ondas do momento” na música brasileira: axé, depois o sertanejo, depois o pagode, depois o funk pornô, depois o forró “universitário” e a onda do momento é o sertanejo “universitário” (o agrobrega). Ou seja, toca só um ritmo nas rádios o tempo todo, o povo enjoa, some, daí vem outra onda e a sequencia é a mesma: toca, enjoa, some e vem outra… O que virá depois do agrobrega? Tenho medo…

Eu poderia ficar o resto do dia divagando aqui sobre outras coisas que se enquadram na teoria da obsolescência programada, mas a fome apertou, e ainda tenho o resto do fim de semana pela frente. Espero ter contribuído para a reflexão de vocês.

Fraterno abraço.

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Arquivado em Crônicas e textos pessoais, Informação, Música

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