A “babaquização” do brasileiro

Boa tarde a todos!

Ando há muitos tempos sem postar nada aqui no blog, eu sei, mas ultimamente o fato de dormir pouco, por mais que eu tente dormir mais, me deixa totalmente sem inspiração para escrever qualquer coisa. Hoje, como não tinha nenhum compromisso cedo, pude dormir umas boas horas a mais e acordei “inspirado”…

A verdade é que ultimamente tenho visto e acompanhado tantas coisas acontecendo com as pessoas pelo Brasil e ao meu redor que só posso chegar a uma conclusão bem preocupante: há um fenômeno em franca ascensão, especialmente influenciável pelas mídias “de massas” que eu chamo de “babaquização” do brasileiro.

Como assim?

É tudo muito simples: apareceu na TV algo babaca, que eles julgam ser “engraçado”, inúmeras pessoas já estão fazendo igual. Quer um exemplo bem recente? O tal “João Sorrisão”, boneco do tipo “joão-bobo” criado no programa “Esporte Espetacular” da TV Globo (aliás, a grande responsável por este processo de “babaquização” do brasileiro”). Os apresentadores (se é que dá pra chamar o Tande de apresentador) fizeram uma campanha onde, o jogador de futebol que ao comemorar um gol imitasse um joão-bobo, receberia em casa depois disso um boneco ao qual me referi. Pronto, já foi o início de uma febre de comemorações de gols imitadas da mesma forma. Babaquice modo 5.0!

Aí, para tornar a “babaquização” do joão-bobo completa logo algum cara muito “criativo” inventa um “Funk do João Sorrisão” e ontem vi algo que é pra jogar uma pá de cal nesta coisa toda: a bateria de uma Escola de Samba do Rio de Janeiro ensaiando para o Carnaval de 2012 uma coreografia imitando um joão-bobo…

Mas há quem nade contra essa corrente de “babaquização”. Exemplo mais notável disso se chama Leandro Damião, centroavante do Internacional de Porto Alegre, atualmente o maior goleador do futebol brasileiro e o melhor atacante surgido nos últimos tempos no país (e olhem que sou gremista, mas não há como lutar contra esse fato). Cada gol ele comemora de modo diferente, mas nunca (pelo menos que eu tenha visto) imitando um joão-bobo besta. (Alguém me corrija neste ponto se eu estiver errado)

Aliás, o funk (entenda-se o funk carioca), que no início de sua popularização no Brasil possuía muitas letras retratando a realidade das favelas, para não “sumir da mídia”, teve de apelar para letras com muito teor erótico ou também, e isso é fenômeno recente, com letras que contém falas bestas de programas de humor mais bestas ainda, ou de comerciais de sucesso, como o recente “Pôneis Malditos”, de uma marca de automóveis.

No entanto, o grande baluarte da “babaquização” está presente nas novelas, em especial as da Globo. As da Record também não ficam muito para trás, vide a versão da mexicana “Rebelde”, onde os alunos fazem o que bem entendem com os professores e quem acaba se ferrando no final de tudo isso são os próprios professores. Algo que em muitas escolas hoje se torna realidade, tirando, às vezes, a parte em que os professores se ferram. Mas as novelas da Globo são campeãs disparadas nessa onda de nos tornas uns babacas…

Cito aí dois exemplos: as novelas de sotaque italiano “macarrônico” que surgiram nos últimos anos, onde as pessoas que as assistem saem reproduzindo depois os chavões mais corriqueiros delas: schiffosa, fragolone, caspita, boiolone, porpettone (não pesquisei como é a escrita correta das palavras citadas aqui) e por aí segue… O outro exemplo são as novelas da escritora Glória Perez, sempre com suas histórias se baseando no alegre e imundo bairro da Lapa, no Rio de Janeiro (eu conheci a Lapa em 2007 e sei o que estou falando), misturando povos orientais de sotaques e expressões exóticas: “mármore do inferno”, inshalla (ou algo parecido) da novela com árabes e hare baba, tic tic e outras coisas que não me vem à cabeça neste instante, das de novelas com indianos. Sem contar das trilhas sonoras dessas novelas todas que depois ficam nos topos das paradas de sucessos da grande maioria das rádio…

Música, que ultimamente anda na sua pior fase criativa de todos os tempos: sertanejo “universitário”, bandas “coloridas”, cantores surgidos em programas enlatados do Disney Channel ou do Nickelodeon. Não sei se é impressão só minha, mas as “músicas” do sertanejo universitário me parecem todas iguais: aquela letrinha dor de corno básica e a batida musical sempre a mesma, com aquela quebrada do bumbo da bateria sempre que começa ou termina o refrão da canção. As bandas “coloridas” nada mais são que uma nova velha versão piorada do estilo que algumas bandas adotaram nos anos 80, vide exemplos do Yes (uma de minhas bandas de rock progressivo favoritas, mas que nos anos 80 teve uma fase pop colorida), do Twisted Sisters (do divertido rock farofa) ou dos próprios Menudos mesmo. Aliás, o sempre polêmico Lobão definiu uma banda “colorida” da atualidade como uns “Menudos metidos a roqueiro”.

Outra coisa muito babaca ultimamente são determinados programas de televisão ou, mais precisamente algumas pessoas que aparecem neles. Essa semana assistindo Jornal do Almoço na RBS (que por ser afiliada da TV Globo também anda numas ondas de “babaquização” muito irritantes) o Fabrício Carpinejar, um bom escritor, mas que agora que foi contratado como colunista do jornal desta rede, apareceu no programa vestido de uma forma tão ridícula que me deu medo. Eu poderia citar também o Marcos Piangers, mas esse já é babaca a nível executivo e seus gestos falam por si.

Há muitas babaquices mais rolando por aí, mas acho que o que escrevi aqui hoje já é mais do que suficiente para vocês entenderem…

O mundo anda muito babaca ultimamente, o que me leva, de certa a forma a acreditar que 2012 é realmente o final dos tempos… Tomara que não, mas do jeito que vai…

Abraço a todos!

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1 comentário

Arquivado em Crônicas e textos pessoais, Música

Uma resposta para “A “babaquização” do brasileiro

  1. Lorenzo

    Por isso que o brasil não vai pra frente. a globo é suprema e o deus do br. musicas boas no brasil? só se for dos anos 50, 60, 70, 80 que agora é dominado por funks sem cerébro, idiotas coloridos e letras sem sentido.
    e é claro que as novelas só são um produto, mas um produto de lavagem cerebral.

    Esses são alguns(poucos)obstáculos para que o brasil passe de um país babaca para um bacana!

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