O Moinho Gieseler

Bueno pessoal, aí vai o artigo que desenvolvi em conjunto com o colega Charles.
Espero que gostem.
Boa semana!


O
Moinho Gieseler

*Por
Charles Martin Ketzer(formando em História) e Italo Drago(pós-graduando em
História)

 

Introdução: O
presente artigo pretende discutir a importância dos moinhos e sua importância
na construção da sociedade contemporânea.

Tenta-se
indiscutivelmente retratar o espaço dos moinhos na evolução do município de
Ijuí. Moinhos estes que, construídos por imigrantes nos primeiros tempos do
povoamento da antiga Colônia Ijuhy, ajudaram na própria sobrevivência alimentar
dos primeiros imigrantes e posteriormente ajudaram a alavancar o
desenvolvimento econômico de Ijuí.

Nosso
estudo apresentará um pouco da história do Moinho Gieseler.

Palavras-chave:
Moinhos, colonização do município de Ijuí     

 

O ser
humano durante muitos séculos vem retirando os alimentos para sua sobrevivência
da natureza. No começo, era a caça e a pesca juntamente com a ação da coleta e
dos primeiros cultivos. O homem com seu instinto de sobrevivência vêm evoluindo
através dos tempos.

Com o
aumento populacional o ser humano começa a descobrir novas técnicas de aumentar
a produção. E uma delas em especial é o moinho, que durante séculos era movido
à força d’água, que tinha como objetivo, descascar grãos e transformá-los em
farinha, como também em outras espécies de produção.

O
historiador Rodney Stark cita em seu livro “The Victory of the Reason” a
admiração dos viajantes, vendo quase dois mil moinhos que realizavam toda
espécie de tarefas nas margens do Sena, nas proximidades de Paris.

Tudo
isso nos leva a crer na importância dos moinhos como sustentáculos de muitas
gerações, que dependeram desse tipo de produção de alimentos para sua
sobrevivência.

Já na
Revolução Industrial, fenômeno ocorrido na Europa, mais especificamente na Inglaterra
no século XVIII, muitas famílias ficaram marginalizadas na sociedade européia, onde
o capitalismo tornou-se o sistema econômico vigente. Esta revolução marcou o início
de uma nova fase do capitalismo. Por volta de 1750 a economia européia
sofreu uma série de transformações tecnológicas, que promoveram a mecanização
da indústria e o desenvolvimento do capitalismo.

E com
isso muitas famílias começaram a migrar de várias partes da Europa. Neste
sentido em especial, precisamos ressaltar o papel importante de muitos
imigrantes, na construção do Brasil.

Um
exemplo claro é a imigração para o sul do país, onde várias pessoas de várias
origens se estabeleceram e construíram a riqueza em várias cidades do Rio
Grande do Sul. Um exemplo é a imigração alemã que se estabeleceu na cidade de
Ijuí a partir de 1890.

Desta
imigração destacamos a família Gieseler. Esta família veio para o Brasil com o
objetivo de construir uma vida melhor. A trajetória desta família começa em sua
pátria (Alemanha), no dia 8 de outubro de 1881, com a saída da família, do
porto de Bernburg. Após quase um mês de viagem, chegam ao porto do Rio de
Janeiro, onde lá permaneceram alguns dias e partiram em direção a Porto Alegre posteriormente
em um barco a vapor.

Chegando
a Porto Alegre, e logo após rumando de barco para Rio Pardo. E novamente, com
carroças foram em direção a Santa Cruz, aonde viveram aproximadamente por 18
anos.

Com o
avanço da colonização para a região noroeste a família Gieseler vem para a
então Colônia Ijuhy. Aqui, Luiz Germano Gieseler compra suas terras às margens
do rio Potiribu, que pertenciam anteriormente ao Sr. Roberto Glass, como está
especificada na escritura, passada pelo então presidente do estado Antonio
Augusto Borges de Medeiros ao Sr. Roberto Glass, o primeiro a adquirir estas
terras.


Cópia do documento de aquisição das terras pelo Sr.Roberto Glass  

Como
nos relata Evaldo Gieseler, que é neto de seu Luiz: “Meu avô construiu o seu
moinho as margens do rio Potiribu, e esta técnica de fazer moinhos foi passada
de pai para filho. Mas tudo isso tem um passado. Ocorre o seguinte: seu Luiz
trouxe consigo toda uma carga cultural adquirida na Alemanha e quando veio ao
Brasil tinha esperanças de construir aqui nesta nova pátria os seus sonhos”.

E foi
assim que construiu um moinho, localizado na linha 1 Leste. Para termos acesso
a ele devemos seguir pela RS 155, passando a estrada da Usina Velha. Após a
ponte sobre o rio Potiribu entramos aproximadamente quinhentos metros à direita,
logo abaixo da Usina Velha, no outro lado da margem do rio Potiribu onde a
Usina se localiza. Este moinho tem aproximadamente cem anos de idade.

   


Mapa indicando a localização do Moinhom via Google Earth

Suas
características: a construção tem aproximadamente 11 metros de comprimento
por 7 de largura, suas janelas ainda conservam seu padrão original. Também é
notado que foram feitos furos na parede, que provavelmente eram para dividir
com madeira a altura do assoalho onde passavam as várias etapas da moagem de
grãos.

Imagem do Moinho, sem data precisa.

       Um
detalhe nesta foto é que ainda pode-se ver a antiga roda da água que
posteriormente foi substituída por uma turbina, movimentada também pela água do
rio. Mas para isto teve que ser mudado o canal da captação, colocando canos de
ferro que vão direto à turbina.

Suas
paredes foram feitas de tijolos com cal, com paredes de aproximadamente oitenta
centímetros de largura, as fundações são feitas de pedras, seus barrotes
internos até hoje apresentam a estrutura original. Para captar água do rio
usavam água abaixo da barragem, e quando o nível do rio baixava usava-se uma
tora de madeira, atravessando o rio.

  

      O
moinho servia à comunidade que ali crescia. E que desde a sua fundação serve
para fazer farinha de trigo e milho sendo que do milho se produzia a farinha
fina e a grossa, e também com a capacidade de descascar arroz. Os colonos
vinham de carroças trazerem o milho para ser processado pelo moinho, e
transformado em farinha ou canjica. Outro detalhe: o moinho está em
funcionamento até hoje.

 

Bibliografia:

STARK, Rodney. The Victory of Reason- How Christianity
Led to Freedom, Capitalism and Western Success.
Ed. Ramdom House, 2005.

SIEKIRSKI,
Marli e LAZZAROTTO, Danilo. Povoado Santana conta sua história. Ijuí, Ed.
Unijuí, 1987

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