E a Revolução – Nei Lisboa

Sábado à tarde, mesmo com toda a chuva que se deu em Ijuí, fui ministrar um curso sobre Movimento Estudantil Secundarista para alguns jovens que irão participar na semana que vem da Etapa Estadual ao Congresso da UBES e do Congresso da UGES em Tramandaí.

Preparando o curso durante a semana, fui atrás de fontes pra poder ministrar o curso e cheguei ao site da UGES. Lá descubro que Luis Eurico Tejera Lisboa, irmão desaparecido do cantor Nei Lisboa, era militante estudantil, um dos mais importantes da história da UGES.

Luis Eurico Tejera Lisboa, ou Mário (nome de guerra), militou na Aliança Libertadora Nacional (ALN), no Partido Comunista Brasileiro (PCB) e na Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares) até ser preso pela Ditadura Militar em 1972.

Seu corpo foi um dos primeiros a serem encontrados pela Anistia em 1979, no cemitério clandestino de Perus, em São Paulo – SP. Segundo os laudos da repressão, ele teria cometido suicídio(versão normalmente dada quando a repressão assassinava algum preso político).

Em 2001, Nei Lisboa, no seu álbum "Cena Beatnik" gravou uma música feita em homenagem a seu irmão, cuja letra transcrevo abaixo:
—–

E a Revolução

Nei Lisboa

68 foi barra

Plena ditadura

Plena resistência

Plena tropicália

Plena confusão

Foi um rebuliço lá em casa

Manifestos, passeatas

Festivais de minissaias

Meu irmão limpando a arma

Meu irmão,

E a revolução?

Que estava por chegar

Tão certo quanto o bem

Sempre vem e vence

Nas histórias infantis

Difícil de aceitar

Que o mal tenha o poder

De escrever na história

Um final tão infeliz

68 foi bala

E mais bala foi setenta e um, e dois, e…

Mais bala foi depois

Sempre alguém sumido de casa

Torturado, morto,

Mutilado pelo Estado ao bel-prazer

Boiando no Rio da Prata

Guerrilheiros, jornalistas,

Marinheiros, padres e bebês

Boiando no Rio da Prata

Visto num jazigo vago

Ou num muro de Santiago

Ou jogado numa vala comum

68 foi bala

Sempre alguém sumido de casa

Meu irmão

E a revolução

Difícil de contar

Mas fácil de entender

A razão e a hora

De quem vive um ideal

Se eu fosse te dizer

O que há em mim de teu

Meu irmão, a glória

É uma história sem final

Mais duro é perceber

Se eu fosse te falar

Do Brasil de agora

Que seria tão igual

Miséria

Doença

Polícia brutal

Luxúria

Mentira

Autoridade sem moral

Viu? Hum, hum

68 foi barra

Como é 2001

——

A gente sabe que tem muito lixo na atual música brasileira, isso nem preciso tecer mais comentários, por isso é sempre bom existir compositores como o Nei, que sempre trazem algum sentido para a boa música.
Bom começo de semana a todos!

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