Para entender um pouco mais sobre o que está acontecendo em Honduras

Voltando à discussão sobre Honduras e a tentativa de Zelaya retomar o poder, publico aqui entrevista do Terra Magazine com o candidato às eleições de novembro naquele país, Carlos Reyes.
Ela me ajudou a esclarecer um pouco mais das dúvidas que tinha sobre o processo em andamento em Honduras.

Aí vai:

Se Zelaya não voltar não há eleição, diz candidato

Marcela Rocha

Em entrevista a Terra Magazine
o candidato à presidência de Honduras, Carlos Reyes, afirma que, "em
condições de ditadura", e se o presidente deposto, Manuel Zelaya, não
voltar às suas funções, retira sua candidatura das eleições previstas
para acontecer em novembro.

Reyes está à frente do grupo que se organizou em Honduras para combater
o golpe de Estado. Conta que "quanto mais aumenta a mobilização contra
o golpista pior fica a repressão". Explica que o setor empresarial é
quem financia o golpe, que é apoiado pelo exército e polícia. Além de,
segundo Reyes, "um grupo de figurões dos Estados Unidos enviado por
John Dimitri Negroponte, ex-embaixador de Honduras entre os anos de
1981 a 1985".

Entre 2007 e 2009, Negroponte foi também o segundo nome no Departamento
de Estado dos EUA, durante o segundo mandato de George W. Bush. Ele
respondia apenas à Secretária de Estado, Condoleezza Rice e ao próprio
presidente.

No dia 28 de junho passado, o presidente Manuel Zelaya foi deposto por
uma junta militar. De pijamas, foi deportado para a Costa Rica. O
presidente do Congresso de Honduras, Roberto Micheletti, assumiu a
Presidência, dizendo não se tratar de um golpe de Estado. Zelaya,
então, foi proibido de retornar ao país.

Após sucessivas ameaças de adentrar as fronteiras, Zelaya finalmente o
fez nesta segunda-feira,21. Ele se encontra refugiado na Embaixada do
Brasil em Tegucigualpa.

Leia a íntegra da entrevista:

Terra Magazine – Qual espaço político o senhor enxerga para fazer sua campanha em novembro?
Carlos Reyes –
Em
condições de ditadura retiro a candidatura. Estou apoiado pelo grupo
que está contra o golpe e os demais candidatos dos outros partidos
contra o golpe farão o mesmo. Enquanto não for restituída a ordem
constitucional, retiramos nossa candidatura.


Pelo o que o senhor vê, em Honduras, este golpe serviu para fortalecer Zelaya? Como o senhor avalia a gestão de Micheletti?

Estamos lutando para que Micheletti saia. Quanto mais aumenta a nossa
mobilização contra o golpista pior fica a repressão. Porque inclusive
dissemos um dia depois do golpe que quem estava dirigindo a segurança
do Estado de Honduras eram os mesmos que na década de 1980 dirigiram
também a segurança da Guerra. É a mesma gente responsável por todos os
desaparecidos, todos os exilados e responsáveis também pela condenações
que Honduras recebeu de todos os tribunais internacionais. É a mesma
gente que está dirigindo esses crimes cometidos por Micheletti.


Qual setor da sociedade apóia ainda Micheletti?

O setor empresarial que financia o golpe, o exército, a polícia e um
grupo de figurões dos Estados Unidos também enviados por John Dimitri
Negroponte, ex-embaixador de Honduras entre os anos de 1981 a 1985.
Dentro da sociedade, a grande maioria dos hondurenhos está contra o
golpe, assim como a comunidade internacional


Como o senhor avalia o abrigo dado a Zelaya pela embaixada brasileira?

Quero, em primeiro lugar, agradecer. É um ato humanitário. Um altíssimo
ato político, que definitivamente é correto. É um erro político de
alguns setores brasileiros achar que isto não é certo. E mais, se trata
de defender a democracia. Honduras é um país muito pobre. Aqui a
pobreza é fruto desse mesmo grupo que defende o golpe.


Qual seria o candidato que melhor representaria este sentimento do povo hondurenho neste momento?

O governo disse que aqui não há golpe de Estado. Disse que isto seria
uma sucessão constitucional. Te digo que as eleições de novembro, em
tempos normais estariam bem. Mas em um período de golpe de Estado, não
procede.


O que seria o indicado a se fazer, então?

Se não há a restituição do presidente da República, o que caberia é
encaminhar a uma Constituinte para fazer uma nova Constituição e
instalar o novo governo. Neste momento o que buscamos é a restituição
da constitucionalidade. Quem será o sucessor, de qual partido, como,
isto não é o mais importante agora. O que nos importa, o fundamental, é
restituir a ordem. Do contrário, não poderá haver eleições.

Terra Magazine

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