A hoje difícil arte de ser professor

Estou prestes a me formar para ser professor.
Mas se eu quiser ter um pouco de segurança financeira nesta profissão, terei que optar por concursos municipais (algumas cidades pagam muito bem) ou ensino particular. Se eu quiser ser professor estadual, terei que me contentar com contrato temporário de um ano, já que concurso não sairá tão cedo e tia Yoda Aracruzes não tem muito tempo em pensar em educação pública de qualidade nos últimos tempos, já que a cada dia surgem mais e mais denúncias de suas falcatruas na não menos nefasta Veja.
Não defendo a Yoda, mas acho que essa seja uma estratégia da Veja em limar os possíveis podres do PSDB para fortalecer a candidatura do Serrágio aqui no RS, já que nem o Lasier Schocker Martins não tem mais argumentos pra defender Yodinha…

Aqui vai um artigo que foi publicado na Caros Amigos de abril deste ano, mostrando como anda a educação no Estado governado por aquele que o PIG quer colocar na presidência do país em 2010.

FONTE:http://www.fazendomedia.com/2009/educacao0422.htm
 
22.04.2009
PROFESSOR TEMPORÁRIO É PRODUTO PERVERSO DE JOSÉ SERRA

Por Marilene Felinto (*)

Metade dos professores da escola pública paulista não existe – são
aparições temporárias, que perambulam de uma periferia a outra, lugares
aos quais não pertencem e com os quais não lhes dão tempo de criar
vínculo. Manter estes cem mil cidadãos na incerteza trabalhista (são
contratados sem concurso público) e no modo de vida nômade que não
escolheram, tratá-los como peças de um jogo sem regras, expor todos ao
ridículo e desqualificá-los mediante seus colegas profissionais e
mediante a sociedade foi o ato mais recente da criminosa “política
educacional” do governo de José Serra em São Paulo.

Pior educação pública que a paulista não há no país – e ela é a cara do
tucanato (o PSDB), é a obra máxima do descompromisso com a coisa
pública quando se trata do interesse da maioria da população pobre.
Estes governos afinados com a classe dominante, como os oito anos de
Fernando Henrique Cardoso na presidência da República (1995-2002) ou os
quase quinze anos em que o grupo de José Serra infesta o Estado de São
Paulo deram golpes de morte na educação pública.

Em dezembro último, a Secretaria Estadual de Educação de SP aplicou uma
prova ao professorado temporário da rede estadual para utilizar a nota
como critério classificatório na atribuição de aulas deste ano letivo
de 2009, uma armadilha para demitir milhares de professores que os
próprios governos tucanos de Serra e sua turma contrataram em condições
de absoluta precariedade e com os quais não sabem o que fazer.

A prova, mal elaborada, cheia de questões visivelmente erradas,
avaliaria o conhecimento dos professores sobre a proposta curricular da
Secretaria. Concorreram com os quase cem mil temporários outros
milhares de novos candidatos a lecionar na rede pública, professores
recém-formados. Na concorrência desleal, muitos dos temporários
perderiam para os novos seus empregos e um mínimo de direitos
conquistados. O professorado recorreu à Justiça e ganhou a causa.

A Secretaria de Educação de Serra, por seu lado, não teve dúvida: saiu
divulgando na mídia serrista (em São Paulo, especialmente os jornais
Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo e as redes de TV) a “nota
zero” atribuída a centenas de professores na tal prova, incluindo neste
número as tantas centenas de professores que entregaram a prova em
branco, em ato de protesto. Uma desonestidade, uma manipulação
flagrante dos resultados. A “proposta curricular” da gestão Serra para
a educação pública não passa disso: culpabilizar o professor pelo
fracasso da política educacional cada vez mais perversa conduzida pelo
tucanato em São Paulo. Para que gastar dinheiro com os pobres
contratando professores por concurso público? Para que oferecer uma
escola de qualidade aos filhos dos pobres?

Certamente não é aos elitistas do PSDB que isso interessa. E ainda que
caiba ao governo paulista avaliar seu professorado, ainda que fosse
numa avaliação justa, e ainda que o professor tirasse nota zero, ainda
assim a culpa deveria recair sobre os governos do PSDB em São Paulo e
por aí afora: os professores que zerassem seriam os mesmos formados nas
faculdades particulares de quinta categoria (faculdades para pobres),
abertas feito barracas de camelôs na gestão do ex-ministro da Educação
do governo Fernando Henrique, o hoje deputado Paulo Renato Souza. Nota
zero mesmo é a esta gente.

Há tempos que ser professor tornou-se profissão penosa, desonrada, sem
nenhum reconhecimento social, ainda mais na escola pública – sintoma
dessa grave doença da injustiça social brasileira, nos quadros da qual
estudar, educar-se, formar-se virou um culto requintado, apenas para
quem pode. Ora, se antes professor era uma figura eterna… Mesmo
quando, antes, aprender as letras era com caco de telha riscando o
chão, pedaço de tijolo, tudo vermelho-alaranjado no piso de cimento
cinzento das calçadas da rua. Aprender letra cursiva era com a mão
grande de dona Helena, com a voz mansa de dona Cremilda. Quem nunca
teve um amor qualquer por um doce professor ou professora?

Essas minhas podem ter desaparecido no tempo, dona Helena e dona
Cremilda – uma do jardim de infância, outra do primeiro ano (antigo
primário) –, desaparecidas como os riscos de telha lavados pela chuva
na calçada. Só nunca saíram da minha cabeça, da memória da importância
monstruosa que tiveram na minha vida. Paulo Freire, o educador, também
contava: “Fui alfabetizado no chão do quintal de minha casa, à sombra
das mangueiras, com palavras do meu mundo e não do mundo maior dos meus
pais. O chão foi o meu quadro-negro; gravetos, o meu giz”.(1982)
Educação também é isso, lembrança para sempre. Temporários (e tomara
extintos logo) devem ser os governos perversos da gente do PSDB.

(*) Marilene Felinto é escritora. Artigo publicado originalmente na edição nº145, abril de 2009, da revista Caros Amigos.

Contato: marilenefelinto@carosamigos.com.br

Como dizem amigos meus "só louco mesmo pra ser professor"…

Mas eu o sou um pouco e me orgulho disso

Abraços a todos

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