O outro 11 de setembro

Hoje é 11 de setembro…
Há seis anos atrás os EUA eram atacados por fundamentalistas islâmicos da rede Al-Qaeda (os fundamentalistas católicos são do Vaticano…), culminando com a destruição das torres do  World Trade Center e de parte do Pentágono.
Simbolicamente, isso significa o ataque ao poder econômico e militar estadunidense e fez com que a figura de Osama Bin Laden virasse celebridade mundial.
Osama, saudita, é filhote da CIA, para os que não sabem, ele foi treinado por ela para combater os soviéticos quando da invasão ao Afeganistão na década de 1980. Depois de resolviida a questão. foi deixado de lado, mas com um poderio grande, já que é filho de um sheik do petróleo árabe…
Bom, isso todos vocês estão cansados de ouvir e ver essas reportagens, está a quase todo momento na grande mídia, o ataque à "democaracia e a liberdade" realizado por esses "terroristas" "loucos" e por aí vai…
Mas o que muitos esquecem e a grande imprensa não faz lembrar é que, num mesmo 11 de setembro, só que em 1973, acontece no Chile a derrubada de Salvador Allende, primeiro presidente marxista ELEITO na América Latina, pelo general Augusto Pinochet, apoiado diretamente pela CIA e por uma empresa estadunidense ITT, que financiou greves e outros movimentos que fizeram com que a elite chilena se organizasse e realizasse o golpe…

Aí vai um artigo postado no site http://viomundo.globo.com nesta data de hoje:

11 de
setembro: CIA citou jornal El Mercurio como "militante da oposição"
que pregava o golpe no Chile

Em 11 de setembro de 1973 o Palácio
de La Moneda
,
em Santiago do Chile, foi
bombardeado pela Força Aérea.
A sede do governo eleito foi invadida por tropas do Exército chileno.
Salvador Allende, o
presidente constitucional, cometeu suicídio.
Com apoio dos Estados Unidos,
ascendeu ao poder Augusto Pinochet.
A barbárie estava instalada.
Ainda hoje apologistas de Pinochet
estão espalhados por aí, inclusive ocupando cargos de direção na mídia
corporativa brasileira.
Lembro-me de como a morte do ditador foi noticiada no Fantástico, com
uma verdadeira "ginástica mental" para mostrar um suposto
"lado
bom" do regime.
Não houve lado bom.
É fácil governar com poderes absolutos.
Depois de trucidar a oposição, com todo tipo de barbárie, até eu produzo um
"milagre econômico" com data de validade.
Como já escrevi aqui, o modelo econômico do Chile
se esgotou.
A privatização da Previdência
exigiu contínuas injeções de dinheiro público.
Eu acho que nem a Miriam Leitão
usa mais o Chile como
exemplo.
Além de lembrar da barbárie que costuma acompanhar a violação da Constituição – do que a elite branca e
golpista de São Paulo e do Rio de Janeiro só se dará conta quando o
filho de um bacana for parar num pau-de-arara – hoje é dia de destacar o papel
da imprensa na preparação das quarteladas.
TV Globo, Folha de S. Paulo, Estadão, O Globo – todos estes órgãos "defensores"
dos direitos humanos e do "povo" brasileiro apoiaram a instalação do
regime de exceção no Brasil.
Por mais que tentem "limpar" a biografia de seus fundadores, a
História registra a adesão entusiasmada dessa turma ao golpismo – está lá, nos
editoriais, nas manchetes e nos arquivos que restaram.
A TV Globo nunca me criou
problemas, testemunhou o ex-ministro da Justiça Armando Falcão em entrevista aos documentaristas da BBC que produziram Muito Além do Cidadão Kane.
Aqueles que hoje se apresentam como "vítimas" do regime de exceção se
afastam, como o diabo da cruz, da responsabilidade que dividem com empresários,
militares, políticos e jornalistas que, com apoio dos Estados Unidos, violaram a democracia
brasileira.
Que a data de hoje sirva de lembrete aos aventureiros que
andam zumbindo por aí, desqualificando os eleitores que não votaram neles.
A história da mídia brasileira e o golpe de 1964 está fartamente documentada no
livro 1964, A Conquista do Estado, de René Armand
Dreifuss.

Se eu tivesse dinheiro compraria uma edição para tornar o livro
leitura recomendada em todas as faculdades de Jornalismo do Brasil.
O envolvimento do jornal El Mercurio
com o golpe do Chile está
documentado nos próprios arquivos do governo americano. Deram origem ao Arquivo do El Mercurio, publicado pela
revista da Universidade de Columbia,
de Nova York.
É deste artigo que traduzo um trecho:
"Desses documentos emerge a história do principal projeto de propaganda da
agência [CIA] – autorizado no mais alto escalão do governo americano – que se
baseou no principal jornal do Chile, o El Mercurio, e do seu bem relacionado proprietário,
Agustín Edwards.
[…]
Doonie, como Edwards é conhecido entre seus amigos mais próximos, é o patriarca
da imprensa – um Ruppert Murdoch chileno.
Seu império engloba o jornal de alcance nacional El Mercurio, o Ultimas
Noticias e o principal vespertino de Santiago, La Segunda, além de jornais
de alcance regional.
Em setembro de 1970, quando os chilenos elegeram Allende, um socialista, por
pequena margem, Edwards era considerado o homem mais rico do Chile – e o
indivíduo que mais tinha a perder financeiramente com a eleição de Allende.
Desde 1975, quando um comitê especial do Congresso, presidido pelo senador de
Idaho Frank Church preparou o relátorio Ação
Clandestina no Chile: 1963-1973
, não
é segredo que a
CIA financiou o El Mercurio, pagou salários de repórteres e editores e usou
o jornal, nas palavras do comitê, como "seu mais importante
canal de propaganda
anti-Allende".

Mas com a liberação de milhares de documentos da CIA e da Casa Branca ao final
do governo Clinton, a história do Projeto El Mercurio emergiu com novos
detalhes.
Entre as revelações-chave dos documentos:
– Mesmo antes da posse de Allende como presidente do Chile, Edwards veio a
Washington e discutiu com a CIA o "timing para possível ação militar"
para evitar a posse do presidente eleito;
– O presidente Nixon autorizou o financiamento maciço do jornal. A Casa Branca
aprovou cerca de 2 milhões de dólares, um valor significativo quando convertido
em dinheiro chileno no mercado paralelo;
– Telegramas secretos da CIA de 1973 identificam o El Mercurio como "parte
mais militante da oposição" que defendia o golpe militar para a derrubada
de Allende;
– Depois do golpe, a CIA continuou a financiar operações de mídia para
influenciar a opinião pública chilena, apesar da repressão brutal do governo do
general Pinochet."
O texto completo dos arquivos, em inglês, está aqui:
http://cjrarchives.org/issues/2003/5/chile-kornbluh.asp
E mail do Agustín Edwards Eastman:
aedwards@mercurio.cl

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