As Histórias que a RBS não conta

Neste final de semana estive em Porto Alegre participando do Curso Estadual de Formação e Plenária Estadual da UJS.
Aproveitei este momento para rever amigos de infância, do tempo em que morava em São Borja(o Tiago devia haver 12 anos que não via…)
E neste fim de semana abriu uma exposição no Gasômetro sobre os último 50 anos da Comunicação no RS, claro que em respeito à comemoração dos 50 anos do Grupo RBS(apesar de estar pertíssimo do Gasômetro, não me prestei a ir até lá ver a exposição, estava uma garoa e uma chuva muito chata na capital…)

Mas o que vou postar aqui é um artigo publicado no Blog "RS Urgente", intitulado "As Histórias que a RBS não conta".
Aí vai ele:

A
RBS iniciou as comemorações de seus 50 anos com pompa, circunstância e
uma conveniente dose de amnésia. O caderno especial publicado nesta
sexta-feira, no jornal Zero Hora, omite alguns fatos
importantes que marcaram a história e o crescimento do grupo. Mais do
que isso, distorce fatos, em especial aqueles relacionados ao período
da ditadura militar. Como a maioria da grande mídia brasileira, a
empresa gaúcha apoiou o golpe militar que derrubou o governo de João
Goulart. O jornal Zero Hora ocupou o lugar da Última Hora,
fechado pelo regime militar por apoiar Jango. Esse é o batismo de
nascimento de ZH. Como escreveu Eleutério Carpena, em uma edição
especial da revista Porém sobre a RBS, “a mão que balança o berço de ZH é da violência contra o Estado Democrático de Direito”.

 

Três
dias depois da publicação do famigerado Ato Institucional n° 5 (13 de
dezembro de 1968), ZH publicou matéria sobre o assunto afirmando que “o
governo federal vem recebendo a solidariedade e o apoio dos diversos
setores da vida nacional”. No dia 1° de setembro de 1969, o jornal
publica um editorial intitulado “A preservação dos ideais”, exaltando a
“autoridade e a irreversibilidade da Revolução”. A última frase
editorial fala por si: “Os interesses nacionais devem ser preservados a
qualquer preço e acima de tudo”. A expansão da empresa se consolidou em
1970, quando foi criada a sigla RBS, de Rede Brasil Sul, inspirada nas
três letras das gigantes estrangeiras de comunicação CBS, NBC e ABC. A
partir das boas relações estabelecidas com os governos da ditadura
militar e da ação articulada com a Rede Globo, a RBS foi conseguindo
novas concessões e diversificando seus negócios.

 

Outro
fato marcante da história do grupo que não é mencionado no caderno
comemorativo é a ativa participação da empresa no processo de
privatização da telefonia no RS, durante o governo de Antônio Britto,
ex-funcionário da RBS. Aliás, não só no RS. Segundo pesquisa realizada
por Suzy dos Santos (do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e
Culturas Contemporâneas da Faculdade de Comunicação da UFBa e Sérgio
Capparelli (do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação da
Fabico/UFRGS), a RBS esteve presente em praticamente todos os momentos
do processo de privatização das telecomunicações no país, durante o
governo FHC. O ex-ministro-chefe da Casa Civil do governo FHC, Pedro
Parente, assumiria depois um alto cargo na direção da RBS. Aqui no RS,
desde o golpe de 1964, a empresa sempre teve uma relação íntima com os
governantes de plantão. Com uma exceção, o governo Olívio Dutra,
fustigado desde seu primeiro dia e pintado como um monstro que ameaçava
os homens e mulheres de bem do Rio Grande.

 
Esses
fatos você não verá expostos na exposição organizada pela empresa na
Usina do Gasômetro (gentilmente cedida pela administração Fogaça) e em
nenhum dos veículos do grupo que, nos próximos dias, praticarão, à
máxima potência, a arte do auto-elogio e da amnésia seletiva.

Boa semana pra todos nós!!!

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