Pra se indignar de manhã cedo, nada como um livro como esse…

Acabei de entrar na internet de manhã cedo pra ler algumas notícias, como de costume de quase todas as manhãs.
Quando acesso o Portal Vermelho (www.vermelho.org.br) dou de cara com esse artigo, que fala do livro "A Cabeça do Brasileiro".
Ao ler a sinopse do livro e ver em que fontes de imprensa ele foi divulgado não me surpreendeu o conteúdo…
Essa é pra dar nojo cada vez mais dessa elite reacionária que comandou e ainda comanda o país!!
Culpar o povo pela atual conjuntura do Brasil é de cair os butiás do bolso…
Bom, aí vai um CRTL+C CTRL+V do link:
Divirtam-se ou enojem-se

28 DE AGOSTO DE 2007 – 19h15

Mídia enaltece livro que destila preconceito contra pobres

Em
seu livro ”A Cabeça do Brasileiro”, e nas várias entrevistas que vem
concedendo nos largos espaços que a grande mídia lhe oferece, o
”sociólogo” Alberto Carlos Almeida sustenta a tese de que as pessoas
com ”nível superior” têm uma contribuição maior e melhor a dar ao
país do que aquelas que ”não têm nível superior”. Para ele, a parcela
mais educada da população é menos preconceituosa, menos estatizante e
tem valores sociais mais sólidos. Na opinião de vários analistas, o
livro é ”preconceito puro”.

por Cláudio Gonzalez

A penúltima edição da revista
Veja, que chegou às bancas no dia 19 de agosto, descatou na capa uma
matéria que enaltece um livro recentemente publicado pelo ”sociólogo”
Alberto Carlos Almeida. A publicação, intitulada ”A Cabeça do
Brasileiro” (Editora Record, 2007), traz dados estatísticos e
considerações sobre uma pesquisa a respeito do ”perfil do
brasileiro”. A Pesquisa Social Brasileira foi realizada pelo instituto
DataUff (Universidade Federal Fluminense) e financiada pela Fundação
Ford. Foram ouvidas 2.363 pessoas, em 102 municípios.

Almeida é professor da Universidade Federal
Fluminense; colunista do jornal Valor Econômico; e diretor de
planejamento da Ipsos Public Affairs, responsável pelo Pulso Brasil,
uma pesquisa mensal sobre consumo, economia e política. Ele é autor 
ainda dos livros ”Por que Lula?” (Editora Record, 2006); ”Como são
Feitas as Pesquisas Eleitorais e de Opinião” (Editora FGV, 2002); e
”Presidencialismo, Parlamentarismo e Crise Política no Brasil”
(Eduff, 1998). Alberto Carlos Almeida possui ainda doutorado em Ciência
Política pelo IUPERJ; foi pesquisador visitante na The London School of
Economics; e coordenou as pesquisas eleitorais e de opinião do DataUff
entre 1996 e 2002 e da Fundação Getúlio Vargas entre 2002 e 2005.

Neste seu último livro, ”A cabeça do brasileiro”,
Almeida usa todo este currículo para interpretar com suas idéias
elitistas os dados da pesquisa que coordenou e destilar um rozário de
afirmações altamente preconceituosas contra aqueles que ele chama de
”iletrados”, ou seja, pessoas sem nível superior ou com menor
escolaridade.

 


Em seu livro e nas várias entrevistas que vem
concedendo nos largos espaços que a grande mídia lhe oferece, Almeida
sustenta a tese de que as pessoas com ”nível superior” têm uma
contribuição maior e melhor a dar ao país do que aquelas que ”não têm
nível superior”. Para ele, a parcela mais educada da população é menos
preconceituosa, menos estatizante e tem valores sociais mais sólidos.


 Para bom entendedor, o dito ”sociólogo” sustenta
que somente a opinião e as realizações da elite merecem ser levadas em
consideração sobre os mais diversos temas, especialmente em relação às
questões éticas, culturais e morais. Nas entrelinhas, Almeida
responsabiliza o ”povo” por todas as mazelas nacionais.
 A mais recente oportunidade que Almeida teve de
destilar seu veneno ”anti-povo” foi no programa Roda Viva, da TV
Cultura, exibido na última segunda-feira (27).
 Poleiro de tucanos
Não causa surpresa nenhuma que a revista Veja
tenha dado chamada de capa para um livro tão desprezível quanto a
própria revista. Também não espanta que praticamente todos os
telejornais e rádios do sistema Globo tenham aberto seus microfones
para o professor Almeida. Já o espaço nobre de uma TV ”educativa” ser
ocupado para servir de amplificador a opiniões tão polêmicas deixou
algumas pessoas admiradas. Mas quem conhece os bastidores da TV Cultura
sabe bem que tal escolha não é tão estranha assim.
O programa Roda Viva é apelidado nos meios políticos
como ”poleiro de tucanos” pois, estando a Fundação Padre Anchieta,
gestora da TV Cultura, sob o domínio do PSDB há quase 15 anos, os
critérios para a escolha de quem serão os entrevistados e os
entrevistadores no programa são estabelecidos a partir das preferências
políticas do tucanato de São Paulo. De vez um quando um ou outro
entrevistado ”de esquerda” é convidado a participar do programa para
disfarçar a hegemonia tucano-liberal. Sendo assim, não surpreende que
Alberto Carlos Almeida tenha sido escolhido para proferir suas teses
preconceituosas em rede nacional.
Pérolas aos porcos
Entre as baboseiras de inspiração fascista que o
dito ”sociólogo” proferiu na entrevista estão a de que os valores
éticos estão diretamente ligados ao nível de escolaridade e, por isso,
”nossa elite intelectual na média é a favor da liberdade de imprensa e
os mais pobres são contrários…” e ainda que ”…revoluções não
acontecem em países com alto grau de escolaridade, pois quem tem maior
nível intelectual tende a ser liberal e democrático”.
O pretenso sociólogo também afirma que todos os
membros de corporações militares, como a PM, por exemplo, deveriam ter
nível superior pois quem tem nível superior tende a respeitar mais os
direitos humanos e quem não tem tende a ser mais violento e mais
corrupto.
Ele diz textualmente que ”para ‘aqueles que não têm nível superior’ a corrupção não é um problema…”.
O esperto ”sociólogo” busca ainda jogar a pecha de
preconceituoso no próprio povo ao afirmar que ”aqueles que não têm
nível superior ‘são homófobicos’, por isso a Globo não pode exibir nas
novelas beijos entre homosexuais…”.
Mas a cereja no bolo das baboseiras é a afirmação de
que ”… se dependesse daqueles que não têm nível superior, ”a
escravidão não teria acabado no Brasil, foi preciso os ingleses ( raça
superior, protestante e nórdica) intervirem pra escravidão acabar no
Brasil…”
Mino: elite perversa
O jornalista Mino Carta, editor da revista
CartaCapital, teceu comentários sobre a matéria em que a revista Veja
destaca o conteúdo do livro de Almeida. Em seu blog ( http://z001.ig.com.br/ig/61/51/937843/blig/blogdomino/
) Mino Carta ironizou as opiniões do autor do livro afirmando:
”Entendi, o povo é o culpado pela situação em que o país se encontra,
vítima de desequilíbrios sociais vertiginosos, e insuportáveis para um
país que pretende ser democrático. E capitalista. O povo é responsável
pela Idade Média em que vivemos. Ah, se não tivéssemos de padecer a
companhia deste povo, que formidável país teríamos. Feliz, respeitado,
poderoso. Teríamos acesso à beatitude da democracia sem povo. Nada
disso, somos obrigados a carregar este fardo imponente. De quem a culpa
pela colonização predadora? Do esboço de povo que não a impediu. De
quem a culpa pela escravidão? Do povo, que se deixou escravizar. De
quem a culpa pelos desmandos do poder? Do povo, que não sabe votar. Não
gosto de fazer propaganda do concorrente, mas a Veja desta semana é
pura diversão”.
Dias depois, quando Almeida foi entrevistado no
Roda Viva, Mino Carta voltou ao assunto e comentou: ”Todos desancam o
sociólogo (sociólogo?). Ele merece. Um internauta, Ricardo Lusíadas,
sugere-me uma entrevista com Antonio Gramsci. Dele falei no meu
editorial desta semana, em CartaCapital. Sustentei a seguinte tese:
Marx pôs de ponta-cabeça Hegel, Gramsci pôs de ponta-cabeça Croce,
Alberto Carlos Almeida acaba de pôr de ponta-cabeça Marx e Gramsci. De
fato, sua pesquisa visa a demonstrar que a classe dominada de verdade
domina a classe dominante. Coisas do arco-da-velha. A Cabeça do
Brasileiro é um perfeito epitáfio de uma elite feroz, ignorante,
inepta, vulgar, arrogante, prepotente, incompetente. Responsável pelo
desastre que vivemos, a se considerar as incríveis potencialidades do
Brasil, talvez únicas, atiradas ao lixo, por ela mesma, a elite.
Sentaram-se sobre um tesouro e só cuidaram de predá-lo. E nem conseguem
interpretar a contento o papel da aristocracia. Atentem. A cada quadra
de nossa história, uma nova leva de senhores substitui a velha, sem
mudar-lhe as características. Falta continuidade, como se deu séculos
afora, com as famílias nobres da Europa, porque nem mesmo seu serviço
sabem executar. Pois é, diria Maquiavel, falta-lhe a implacável
competência do Príncipe.”
Outros blogs também manifestaram indignação com as teses de Alberto Carlos Alemida. O blog Espaço Dual ( http://augustoalves.blogspot.com/
) afirma que ”a entrevista (no Roda Viva) foi um festival de
disparates dos mais grotescos já vistos na televisão brasileira, e
olhem que o pário é duríssimo, mas este foi o pico da gaussiana! As
conclusões resultantes da pesquisa realizada por este professor são de
escandalizar qualquer cientista social com o mínimo de seriedade. O que
nos faz pensar e se indignar por exemplo com o silencio estarrecedor do
professor Roberto DaMatta. Sujeito ativo da academia brasileira de
renome nacional e internacional, não poderia se omitir sobre temas tão
presentes em seus livros e ensaios como aconteceu na fatídica noite de
ontem. Uma lástima!” O mesmo blogueiro diz ainda que ao assistir a
entrevista de Almeida assistiu a ”um debate rasteiro, norteado por
inverdades, preconceitos e um facismo manifesto!”
O antropólogo Roberto DaMatta, a que o blog se
refere, foi um dos entrevistadores convidados pelo Roda Viva para
entrevistar Almeida. A bancada de entrevistadores foi formada, além de
Damatta, por Cláudio Weber Abramo (Diretor Executivo da Transparência
Brasil); Francisco Alambert (professor de história contemporânea da
USP); Lobão (músico, compositor, idealizador da Revista Outracoisa e
apresentador da MTV), Fred Melo Paiva (editor do caderno Aliás, do
jornal O Estado de S. Paulo) e Alon Feuerwerker (editor de política do
jornal Correio Braziliense).
Problema ‘lógico-metodológico’
Feuerwerker também comentou a entrevista de Almeida em seu blog (http://blogdoalon.blogspot.com/).
Segundo ele, as opiniões do professor e sua pesquisa sofrem de um
problema ”lógico-metodológico”. ”Eis o problema central da pesquisa
do professor: ele adota a visão de mundo da elite escolarizada como
referência de modernidade e a partir daí conclui que a elite
escolarizada é moderna.”
Feuerwerker comenta ainda que a ética subjacente à
obra do professor Alberto Carlos Almeida é a ética do grupo social a
que pertence o professor. ”Segundo a plataforma ideológica exposta em
sua obra, alcançaremos o paraíso quando todos pensarem como ele. Só que
isso não chegará a acontecer. Pela mesma razão por que não é possível a
parte pobre do mundo atingir os padrões de consumo da parte rica sem
destruir o planeta. O sonho ideológico de um mundo homogeneamente
desenvolvido com base numa cultura e numa economia fundadas no
individualismo, no racionalismo, no consumismo, na recusa a Deus e às
formas coletivas de convivência, na recusa ao reconhecimento dos
limites do homem, tudo isso não passa de um sonho louco e irrealizável,
uma caricatura pós-iluminista. Nesse sentido, professor, ao contrário
do que o senhor afirma, talvez a consciência dos seus limites torne as
pessoas menos escolarizadas mais modernas do que a arrogante, arcaica e
prepotente elite que o capitalismo produz e reproduz diariamente”.

Gostaram? É… isso é liberdade de expressão…
Abraço a todos

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