Testando hipóteses sobre o futuro da Globo


A TV Globo gosta de se imaginar como a quarta maior emissora do planeta, depois das três grandes redes americanas.
Porém, isso é uma inverdade.
Nos Estados Unidos já existe a Fox, que é maior que a TV Globo.
Se você incluir no ranking a CCTV, da China, a Globo cai para a quinta categoria.
A Globo é uma empresa habitada por gente talentosa.
Tenho muitos amigos na emissora, mas se eu identificá-los eles correm o risco de demissão.
O novo código de conduta adotado pela Globo, dizem os gozadores da rádio-corredor, em futuro próximo vai estabelecer o tempo que os funcionários poderão usar o banheiro.
Numéro um: 3 minutos; número dois, 5 minutos.
Apesar dos livros altamente laudatórios ao padrão Globo de fazer negócios, a emissora cometeu vários erros estratégicos.
O maior deles, lá atrás, foi investir na Itália.
Torraram os tubos na Telemontecarlo.
Encontraram pela frente um mafioso que mais tarde se tornaria primeiro-ministro da Itália.
Silvio Berlusconi travou uma guerra jurídica que amarrou advogados da Globo – que cobravam por hora – da Toscana à Calábria.
A Globo amargou grandes prejuízos, dando início a uma bola de neve que resultou, não faz muito tempo, numa situação pré-falimentar.
A emissora teve de abrir mão de algumas jóias da coroa, como emissoras no interior de São Paulo, para se reerguer.
A TV Globo é uma usina de talentos.
Gente do bem, super-competente, que ajudou a levantar a emissora nos últimos três anos.
Porém, o erro italiano custou caro à emissora.
Se a Globo tivesse usado aquele dinheiro para investir no mercado latino-americano hoje estaria nadando de braçada.
Poderia ter comprado, por exemplo, uma emissora hispânica nos Estados Unidos.
Poderia ter se tornado bilingüe.
Mas, como a elite brasileira se acha européia e odeia cucaracha, preferiu a zoropa.
Resultado: Gustavo Cisneros, da Venevisión e Azcárraga Jean, da Televisa, deitaram e rolaram.
Tornaram-se empresários mais importantes do que os donos da TV Globo, se compararmos os mercados de onde vieram – Venezuela e México – com o brasileiro.
Eu já escrevi aqui, várias vezes, que a economia da Venezuela é de uma empresa só: a PDVSA.
O México aderiu ao acordo comercial com o Canadá e os Estados Unidos como o fornecedor de mão-de-obra barata.
Houve uma tremenda concentração de renda.
O México tem o homem mais rico do mundo – Carlos Slim, da Telmex, sócio da Globo na NET – mas tem também duas rebeliões regionais – em Oaxaca e Chiapas – e um grupo guerrilheiro em atividade.
Todos nós perdemos quando a TV Globo não soube dar o pulo do gato.
Sim, porque a emissora, com seus custos altíssimos, depende de um
virtual monopólio do mercado publicitário para financiar o que produz.
Se a Globo fizesse fora do Brasil uma grana preta, poderia dar-se ao luxo de perder parte do bolo publicitário nacional.
Qual seria outra saída para a emissora?
Apostar na ascensão de uma classe média que multiplique o mercado de TV
a cabo e tenha dinheiro para comprar eventos no pay-per-view ou nos
canais premiére.
Por incrível que pareça, o mercado brasileiro de TV a cabo ainda não atinge 10 milhões de domicílios.
A ascensão de uma nova classe média aconteceu timidamente durante o governo de Fernando Henrique e se acelerou bastante durante o primeiro mandato de Lula.
Porém, para infelicidade de todos nós, a emissora cedeu à tentação
ideológica e passou a mirar, consistentemente, apenas no público de
maior poder aquisitivo, o público do Fora Lula e do Cansei.
A emissora, em nome da segurança de seus funcionários, abdicou de ir às favelas e aos bairros pobres de São Paulo e do Rio de Janeiro.
Não entendeu que, se não for à favela, a favela virá a ela.
Qual seria a solução inteligente para essa situação?
Botar no vídeo os favelados para falarem de seus próprios problemas.
Mas não existe nenhum repórter "da comunidade", eufemismo que a Globo usa para descrever favela durante o Carnaval.
Um colega, que fez uma recente incursão ao Complexo do Alemão, disse que por lá só dá a TV Record.
A Globo, disse ele, é vista como a emissora que apóia a matança indiscriminada de pobres.
O que os irmãos Marinho não compreenderam, ainda – provavelmente porque vivem isolados e cercados de puxa-sacos – é que o Brasil está mudando rapidamente.
A mentira, a omissão, a mistificação e a deturpação das notícias não cabem mais.
Se você for a uma lan house da periferia vai descobrir que qualquer um, hoje em dia, pode comparar as notícias de diversas fontes.
O que é mortal, a longo prazo, para quem, por exemplo, apostou numa "deserção em massa" dos atletas cubanos nos Jogos Panamericanos.
A charge que ilustra essa matéria é apenas uma de centenas que circulam na internet.
Não é um bom sinal.
A TV Globo adotou uma postura de gueto da classe média branca e elitista do Brasil, com seus repórteres-celebridades e sua mentalidade Barra da Tijuca-Leblon-Ipanema-Jardins-Higienópolis.
O chão de fábrica, não.
Se você for ao chão de fábrica da TV Globo de São Paulo, por exemplo, vai descobrir muita gente que está se tornando o primeiro membro da família a completar uma universidade.
São eleitores do Lula
e percebem claramente que a emissora em que trabalham não fala a mesma
lingua nem mesmo de seus próprios funcionários – a não ser da elite
presunçosa e arrogante que vive nos aquários.
O "aparelhamento" ideológico de uma concessão pública e essa mentalidade de gueto são ameaças sérias à própria sobrevivência da TV Globo.
Tudo o que escrevi acima não passa de opinião pessoal.
Advirto que costumo errar 90% de minhas previsões.
Como não tenho qualquer ligação com a empresa – a não ser a hospedagem de um site meia boca, pelo qual a Globo.com não paga nada – aplico o novo padrão Globo de Jornalismo: estou testando hipóteses.
Minha hipótese principal: falta aos executivos da Globo a humildade do Lula.
Eles deveriam fazer uma viagem ao Brasil real, sem ar condicionado e sem helicóptero, para enfim descobrir quem está do outro lado.
No mais, só me resta convocar os leitores a manifestar suas opiniões
por e-mail, megafone e sinais de fumaça: concessões de TV são um
serviço público.
Devem, sim, explicações à sociedade e não podem ser usadas politicamente por aqueles que nunca tiveram um voto sequer na vida.
PSDB, PT, PTB, PSB, Democratas, PV, PMDB, PSOL, PCdoB e todos os outros partidos votados receberam um mandato para governar o Brasil.
O Congresso é uma m…. droga, mas é uma m…. droga que eu, você e o Zé das Couves elegemos.
A TV Globo, a TV Record, a Band e outras emissoras não tiveram um voto sequer. Nem a Philips, seja a do Brasil, seja a multinacional.
O Brasil não pode ficar refém de meia dúzia de empresários que se outorgaram o direito de falar em nome de todos os brasileiros.
Vocês estão cansados? Nós estamos p….
Publicado em 9 de agosto e reeditado em 10 de agosto para que mamãe possa ler

Retirado de http://viomundo.globo.com
Vamos se ligar p*!

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