Vida real virtual

Certa vez, numa dessas noites de Carnaval, já no final da noite, quase ao amanhecer, duas pessoas que nunca haviam se encontrado antes, começam a conversar como se fossem velhas conhecidas. Mas o cara, que fazia parte de um bloco, estava tão bêbado que nem lembra de ter falado com essa pessoa.
Passadas as festas, ao abrir uma dessas páginas de relacionamentos da internet, ele dá de cara com o convite de uma pessoa que ele jura não saber de onde conhecia. Ao ler seus recados, há um recado dessa pessoa, perguntando se ele não se lembrava dela. Ele respondeu dizendo que não.
Alguns dias depois, ao usar um meio de comunicação de mensagens instantâneas, esta pessoa começa a puxar conversa com ele. Mais uma vez, ele não conseguia lembrar de quem poderia ser ela, e ela conta que o conheceu durante o Carnaval e que era a pessoa com quem ele havia conversado na saída da festa e que só pôde encontrá-lo novamente devido ao próprio bloco, que também possuía uma página onde ele estava cadastrado como integrante.
Ao término da conversa é que ele se dá conta de quem era ela e logo fica apaixonado. Ela também parece estar apaixonada. Passam alguns dias, mais umas conversas eletrônicas acontecem e os dois se reencontram. Quase que ao natural os dois se beijam e, dias depois, ele a pede em namoro. Ela demorou pra responder mas aceitou o pedido.
Dias depois ela o apresenta à sua família. Foi tratado muito bem, quase que como um filho, disso realmente ele não podia reclamar. E mais vezes isso aconteceria, foi se tornando rotina. Só que da parte dela algo começava a causar estranheza a ele: por inúmeras vezes ela se recusou a ir na casa dele para que conhecesse a sua família (isso nunca chegou a acontecer). E ela começou também a ter atitudes para ele incomuns, do tipo "não me toque ou não põe a mão aí", dormirem em camas separadas quando este ia passar os finais de semana na casa dela, algo como se estivesse evitando ele, enfim um "namorinho de portão".
Ele desconfiava dessas atitudes da parte dela, mas como estava muito apaixonado, "deixou passar". Até que um dia, ela chega para ele com uma conversa estranha, dizendo que iria embora para longe, iria daqui um tempo e que só voltaria meses depois para rever a família e voltar para lá ou então que retornaria em definitivo. Logo, ele desconfia, mas ao mesmo tempo não consegue duvidar dela e não fala nada, só para esperar o dia. Sabia que ela era muito apegada à família e que não largaria a comodidade de casa por algo duvidoso, não iria, segundo ele, ir embora. Mas que essa resposta certa só poderia ser dada após alguns dias.
Então, chegou o dia da tão esperada resposta: para espanto dele, a resposta era a de que ela iria mesmo embora e seria logo. Então os dois decidem acabar o namoro naquele instante. Ele diz a ela que a esperaria até que ela voltasse e daí veriam o que se poderia fazer. Ele chega em casa, se tranca no quarto e começa a chorar. Como que em um estalar de dedos, toda paixão se desfaz.
Segundo ela, essa viagem estava até com data marcada. Mas eis que chega o dia do "embarque" e isso não ocorre. No dia seguinte ele conversa com ela sobre a sua "viagem" e esta desconversa. As desconfianças aumentam: será mesmo que ela gostava dele de verdade?
Passa-se algum tempo, os dois se reencontram e ela tem uma reação aparentemente de aversão a ele, como se não pudesse ser vista conversando com ele naquele lugar. Mais algum tempo, uma surpresa: ao ver uma foto dela na internet, vê ela abraçada com um carinha que ele nunca havia visto antes, uma cara muito "malandra". Começa a subir o pico…
Mais alguns dias, ao rever esse álbum, vê uma foto só dele, numa pose das mais ridículas que já havia visto. Sobe mais um pouco o pico. Logo, vem a explosão: ela assume publicamente nessa mesma página de relacionamento que ele a conheceu de que está namorando…
Para ele agora está claro: acreditava que estava sendo feito de idiota por ela. Como ele não a vê muito seguido, ele, num momento de raiva, bloqueia todos os contatos possíveis para ela: telefone, meios de comunicação virtual e os demais possíveis. Decide apagá-la de sua vida de todas as maneiras.
Sinceramente eu temo qual será a reação dele ao revê-la pessoalmente: ele é um cara muito tranqüilo, porém de comportamento imprevisível e não sei o que ele poderá falar ou fazer com ela. E nessas horas, como se o destino estivesse brincando com ele, ao verificar quem seriam seus colegas em uma disciplina de formação geral na universidade onde eles estudam, ele descobre que vai ser colega dela…
Acredito que ele vai transformar toda a raiva que sente por ela em ironia quando ele estiver na mesma sala que ela, tomara que eu esteja certo.

>>Italo Drago<<

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