Extremos

Enquanto que, a nível nacional, reelegeu-se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, obtendo 60,8% dos votos válidos, vindo a derrotar o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, que obteve 39,2% dos votos válidos, aqui no RS, elegeu-se Yeda Crusius, do PSDB, com uma diferença de quase quinhentos mil votos em relação ao candidato do PT, Olívio Dutra.
 
A reeleição de Lula, a meu ver, sempre foi evidente, mesmo com todas as tentativas da oposição (entenda-se PSDB e PFL) de tentarem desqualificar tudo o que foi feito em seu governo: a "salvação" da economia que, durante o governo FHC, havia ficado atrelada ao capital especulativo, o que fez com que o chamado "risco Brasil" atingisse níveis desesperadores: hoje esse nível é um dos mais baixos da história do país; a criação de novas universidades públicas e do ProUni; a conquista da auto-suficiência em petróleo pela Petrobrás, empresa esta que, durante o período de FHC foi sucateada (alguém lembra do afundamento e adernamento de plataformas e também da repressão com tropas do Exército à greve dos petroleiros?) e ameaçada de ser privatizada, assim como várias outras empresas estatais; a redução da desigualdade social e dos níveis de pobreza; os investimentos em infra-estrutura de energia e de transporte, dentre outros feitos que eu poderia ficar me estendendo a citar aqui por muito mais parágrafos.
 
Claro que isso seria tentado de diversas formas, principalmente no que diz respeito à corrupção, que neste governo foi investigada intensamente, com uma ação constante da Polícia Federal a fim de desbaratar inúmeras quadrilhas, que envolviam gente até de "grande porte". Daí a oposição vem a público afirmar que "nunca houve governo mais corrupto na história quanto o governo Lula": pelo contrário, nenhum caso de irregularidade foi "abafado", como era de costume durante o governo FHC, quando havia, ao invés de um Procurador Geral da República, havia um "Engavetador Geral da República", pessoa esta que, durante sua legislação, arquivou 242 pedidos de investigação de denúncias de corrpução, dentre as quais haviam algumas que envolviam até o próprio presidente da República.
 
Já ia me esquecendo: durante o governo Alckmin em SP, foram engavetados 69 pedidos de CPIs para investigação de irregularidades ocorridas durante seu governo. E depois este ainda vinha a público falar em "dar um banho de ética"…
 
Quanto à questão do crescimento econômico, de que adianta ter um crescimento econômico elevado sem que haja uma melhoria nas condições de vida da população e com melhoria na distribuição de renda? A Argentina teve um crescimento econômico bem superior ao Brasil, porém, deu um calote no FMI (o Brasil quitou sua dívida) e não fez, por exemplo, investimentos em infra-estutura de energia, tanto que hoje passa por uma grave crise energética (com direito a seucessivos apagões) e terá que importar energia elétrica do Brasil.
 
As comparações poderiam dar um livro, tamanha a diferença de um governo em relação ao outro. Mas o que eu também quero comentar nesse artigo também é a eleição de Yeda Crusius, paulista radicada no RS há mais de trinta anos, professora de Economia da UFRGS, ao governo do Estado do RS. Sinceramente, não consigo ter confiança em alguém que era comentarista de economia da RBS, que foi demitida por incompetência do cargo de Ministra do Planejamento durante o governo Itamar Franco após pouco mais de cem dias no poder, que votou inúmeros projetos de ordem neoliberal que retirariam direitos adquiridos pelos trabalhadores através da CLT (a chamada "flexibilização"), apoiou as privatizações  das estatais brasileiras, como a Vale do Rio Doce dentre outras enquanto exerceu três mandatos consecutivos como deputada federal e que possui como vice uma pessoa que defende publicamente a privatização das empresas públicas do RS. Este discurso de que "o Estado gasta muito e gasta mal" é típico, é o princípio da ideologia neoliberal. Isto eu já citei em outro artigo aqui publicado neste espaço.
 
Mas Yeda também se favoreceu da rejeição no RS ao presidente Lula (principalmente pelas questões da agricultura de tipo agronegócio e da política cambial de seu governo), que aqui na Região Sul perdeu para Geraldo Alckmin nos três Estados (RS, SC e PR) e da antipatia que foi feita à imagem de Olívio Dutra, que, apesar de ter criado a UERGS e ter feito muitas coisas positivas pelos pequenos, como o Seguro Agrícola, ficou marcado como o governo em que teria-se feito "perseguição política aos não-petistas no funcionalismo público" e "ter mandado a Ford embora do RS". Este último ponto é bem discutível pois, se tivesse Olívio Dutra dado o dinheiro que a Ford pedia para se instalar no Estado, o pagamento do funcionalismo público estaria seriamente prejudicado. Isso sem contar na "Guerra Fiscal" promovida durante o governo FHC, cuja prática Yeda apoiou enquanto deputada federal, o que fez com que a Ford viesse a se instalar na Bahia.
 
Honestamente, estou curioso para saber como será daqui para frente. Não ando muito otimista quanto ao Rio Grande do Sul. Quanto ao Brasil, acredito estar num rumo certo. Acredito que há muita coisa para se fazer e que não se faz somente em quatro anos, tudo é um processo longo e nenhuma grande potência surge em tão pouco tempo.
 
Só tempo poderá nos dizer e só a História poderá afirmar.
 
Italo Drago
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