Algumas notícias bem tendenciosas do Correio Serrano

Existiu em Ijuí, até meados da década de 1980, um jornal de nome "Correio Serrano". O Museu Antropológico Diretor Pestana da Unijuí possui edições desse jornal desde o início de sua publicação, no início do século XX até seu fechamento.
Esse jornal, que possuía inclusive edições exclusivamente em alemão (Die Serra Post), possuía um posicionamento político anti-comunista bem forte e bem visível aos olhos de um historiador atual.
Bom, esse acervo foi completamente digitalizado e hoje se encontra a disposição de interessados em fazer pesquisa histórica neste museu.
No 1° semestre de 2005, realizei uma pesquisa juntamente com o colega Nilo de notícias que falavam mal sobre atividades comunistas durante o período da Guera Fria, para um trabalho da disciplina de História Contemporânea II, com o Prof. Luis Carlos Boff.
Duas em especial achei mais interessantes: a primeira, é uma mensagem de ano-novo do Presidente JK ao povo brasileiro de 06/01/1960. Há poucos dias acabou uma minissérie da Globo, JK, onde mostrava uma visão romântica do Juscelino, onde tudo dava certo, que ele era uma pessoa exemplar, enfim…
A outra, de 23/01/1960, escrita por Al Neto, mostra um pouco da paranóia que foi feita na cabeça de muitos brasileiros no início dessa década, como a ameaça de uma revolução comunista no Brasil, coisa que a meu ver, jamais iria acontecer, apesar de eu ser um militante do Partido Comunista do Brasil, eu estou tendo uma visão histórica dos acontecimentos.
Bom, aí vão elas para que vocês tenham suas próprias opiniões.
 

            Mensagem de Ano Novo do Presidente JK

            Apesar de gripado, o presidente não deixou de enviar uma mensagem de Ano-Novo ao povo brasileiro. JK afirmou: “Estamos construindo uma nação grande e forte e rasgando novos horizontes para o Brasil”.

“Esse Brasil já não é o Brasil de quatro anos atrás. Graças aos esforços heróicos dos homens de boa vontade, dos que amam o trabalho e tanto me ajudaram.”

E arrematando, após citar as atividades subversivas do credo vermelho, sempre interessados em perturbar a ordem no país, disse em tom categórico: “Chegou a hora em que não mais se justifica tolerância para os promotores da desordem”. “Efetivamente o Brasil necessita de tranqüilidade de trabalho para fomentar a produção, fator indispensável para a solução dos problemas que afligem o povo.”

            (Correio Serrano, 06/01/1960)

 

            Sem Peneira, por Al Neto

Não é possível, nem prudente, tentar tapar o sol com uma peneira.

Por isso nós, latino-americanos, devemos reconhecer que o perigo comunista é um fato na América Latina.

Seria muito bom se pudéssemos simplesmente ignorar a existência da Rússia Soviética.

Ou se pudéssemos por um passe de mágica, cerrar nossas fronteiras à infiltração vermelha.

Mas isto não é possível.

A Rússia Soviética existe e não é provável que desapareça do mapa em futuro próximo.

Mais do que isto. A Rússia Soviética existe e está empenhada na conquista do mundo, inclusive a América Latina.

Os líderes comunistas de todos os tempos têm dito e reafirmado que o objetivo da política internacional russa deve ser a da expansão do comunismo.

Expansão do comunismo significa, pura e simplesmente, expansão do império moscovita.

Em várias partes do Hemisfério Ocidental têm se produzido, recentemente, agitações e perturbações da ordem.

Às vezes, essas agitações tomam a forma de ataques dirigidos contra outras nações do continente, numa tentativa óbvia de criar dissensões entre a família das Américas.

Um caso deste tipo foi o dos recentes distúrbios do Panamá, onde líderes de esquerda buscaram perturbar as conversações em progresso entre autoridades panamenhas e norte-americanas, promovendo atos de hostilidades aos Estados Unidos.

Outras vezes a agitação provocada pelos comunistas assume características locais bem definidas.

Neste caso estão as desordens promovidas no Equador e a agitação tentada no Brasil em torno da chamada “Crise da carne”.

Mas se não tentarmos tapar o sol com a peneira e reconhecermos, clara e francamente, que existe um perigo comunista na América Latina, creio que ele poderá ser dominado.

O povo latino-americano é visceralmente anti-comunista e se for bem informado, se os líderes verdadeiros não o deixarem ser envoltos pela propaganda vermelha, podemos ter razoável segurança de que a América Latina jamais cairá nas garras de Moscou ou seus agentes.

            (Correio Serrano, 23/01/1960)

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